O MUNDO BIZANTINO

"Bizâncio", este nome com certeza inspira, nos estudiosos, uma verdadeira admiração, pois através de uma cidade, um império ficou fortemente estabelecido. O objetivo deste texto é falar um pouco  sobre o império que até os dias de hoje tem sua influência. Alguns chegam ao ponto de dizerem que o império diversificou mas que nunca chegou ao seu fim completo. o fato é que na época este era o centro do universo. Vejamos, então, um pouco deste universo de poder e glória.

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        Bizâncio era uma antiga cidade estado, uma polis, situada às margens do Bósforo. Sua importância era pequena no cenário político da época. Porém, quando Constantino (306-37), escolheu esta cidade para se tornar a nova capital do Império, ela passou de uma cidade sem expressão para o “centro do universo”. Constantino rebatizou a cidade com o nome de “Constantinopla”, em homenagem a ele próprio. Tudo indica que sua escolha se deu devido ao ponto estratégico da cidade, que facilitava a vigilância nas regiões do Danúbio e do Eufrates.
            Houve empenhos para que esta cidade se tornasse o ponto de unidade do império romano. Justiniano I (527-65) fez esforços concentrados com esse objetivo e tentou estabelecer ali em Bizâncio uma nova Roma. Contudo, o que se podia ver era o surgimento de uma nova entidade e embora chamassem o império de império romano e a si de romanos, as diferenças eram bem nítidas, especialmente no que tange a capital do império.
            Os imperadores romanos procuravam dar a cidade de Constantinopla o Status patriarcal. Eles adotaram a “filosofia Judeu-romana de povo eleito”, os “novos israelitas”, e a cidade de Constantinopla seria a “Nova Jerusalém”. Com seu passado romano-judeo-grego, Bizâncio se torna imperial, cristã e metropolitana.
            Durante o governo de Teodósio I (379-95) a cidade alcançou o Status patriarcal que buscava. Este período foi marcado por um grande crescimento. Constantinopla, embora nunca possa ser comparada com Roma, ninguém pode negar que na época ela se tornou o “centro de gravidade do império”, transferindo assim as atenções do ocidente para o oriente. O fato é que a parte ocidental ficou fraca e a mercê dos inimigos. No começo os imperadores bizantinos cumpriam com a sua obrigação para com o ocidente enviando ajuda militar, que culminou na grande expedição de Leão I, ao norte da África para tentar livrá-los dos Vândalos.
            A estrutura da cidade era em torno de uma praça, onde ficava o “Foro de Teodósio”. Era também uma cidade composta de bairros. Normalmente estes bairros cresciam em volta de casas de pessoas influentes, onde se buscava uma proteção para si e sua família, por estarem ali próximos destas pessoas influentes. Tudo indica que se criou uma espécie de “clientelismo”, onde o povo comum esperava obter proteção e em troca ofereciam seus préstimos aos nobres e de destaque.
            Criou-se também um sistema monástico urbano na cidade de Constantinopla. Os monges urbanos adotaram uma filosofia que os tornava diferentes dos monges do deserto. Eles não queriam se isolar, mas procuravam a vida em comunidade e para serem aceitos, utilizaram a caridade. Os monges urbanos sempre tiveram grande influência no império, tinham poder para se oporem aos imperadores ou aos patriarcas.
            Roma seguia a tradição helenística, que atribuía poder divino ao imperador. Agora com a conversão ao cristianismo houve a necessidade de fazerem uma adaptação. Constantino, por exemplo, tomou ação para deixar clara sua posição, ele se dizia “igual aos apóstolos” e “amigo de Jesus”. Tinha porém, pretensões nada modestas de construir o seu mausoléu na “igreja dos santos apóstolos”, cercado de relíquias dos santos.
            Justiniano I realizou muito pelo império bizantino ao codificar as leis romanas, que foram terminadas em 533. Embora ele diga que a lei codificada por ele seja uma volta a lei romana clássica, houve sim, uma repaginação das leis.
            A unidade no Mediterrâneo foi com certeza a pretensão de Justiniano, e ele muito fez para isso. Contudo, a os que dizem que durante o seu império, houve elementos que deram inicio a crise que desestabilizou o império bizantino. Após a morte de Justiniano, em 536, a região do Danúbio ficou desprotegida, o que facilitou a entrada dos Avaros que conseguiram preencher o território deixado vago pela confederação dos Hunos, cerca de um século antes.
            O que podemos notar na trajetória da cidade de Bizâncio é primeiro uma cidade sem expressão, mas que se tornou o centro do universo e marcou um período de transição da era antiga para a medieval, desempenhando um papel fundamental para a sobrevivência de um poderoso império, o romano.


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