Estacionamento Proibido


No alto dos seus vinte e poucos anos
Já passada a sua adolescência
E continuando a sonhar como na infância,
Caminhou em direção ao fogo,
Tateando os móveis
Enquanto acostumava os olhos à escuridão.

Brotavam olhares indiscretos pelas esquinas.
Sem mais nem menos te vejo em horas tortas,
Entre os pássaros de barro que descansam
Pousados na estante, sem dor ou crime.

Combinamos o local
E eu fui ao seu encontro
Em um estacionamento
Filaduplaeno com canteiro central.

Seu nome é sinônimo de generosidade,
Se o abrevio então é sinônimo
De branca beleza e de uma obrigatória pureza.
Quando você passa, meu mundo se transforma,
Porque não sorri de volta? E você já vai.

Odeio a escuridão do estacionamento!
Quando estamos lá ela me diz que é impossível
Sofrer a dois e de nada adiantaria,
E o amanhã proverá o que precisamos.

Consegues fazer sorrir quem está triste,
E as tuas palavras suscitam emoções
E os sonhos começam a ter forma.
Estou no meu lugar, mas você vai me levar
Pra onde quiser e você já sabe disso.

Você é capaz de reunir o céu e a terra,
É capaz de me fazer querer apaixonar.
Tenho prazer em poesias apoiadas
Na luz do sol que vem do brilho
Do seu olhar.

Na escuridão do estacionamento,
Sem nada a ver a frente, contando apenas
Com o ouvido totalmente travado,
E no Toró daquela chuva de verão,
Encaro a realidade que é escura
E tão abafante que faria Platão e seu mito
Sentirem um frio na espinha.

Você é sinônimo de Amor
E o Amor não tem cor
Só tem cheiro da verdade.
Éramos nós, éramos um feito de dois,
Eu era eu, quando era você,
Você era você, quando era eu.

Seus pensamentos são memórias reais
Do que nunca aconteceu.
Minha vontade nos coloca contra a parede,
E essa noite nos arremessará
Pra onde seus olhos de verão continuem
Sendo minha razão para que o dia não acabe.

Ficou apenas a lembrança cor-de-rosa
Do teu olhar azul e do meu sorriso amarelo.
Mas eu continuaria a viver assim
E seguiria em frente e até pararia de andar
Se você não fosse estacionamento proibido.

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