O Meu Mundo que Você Criou

O primeiro beijo como iria ser,
Se acontecesse,
Antes de te encontrar?
Mas foi só um sonho!
Nós nos beijamos no espelho,
Sem um afresco.

Lembra das cores que você pintou?
Você fez a chuva chover,
Você fez nascerem estrelas aqui no chão.
Cole em mim a tua cor!

Sou assim complicado,
Mas eu sei que você me entende.
Em acordes de calmaria minha vida sai,
Sai de mim em uma alucinante melodia
Que pra mim, em mim,
Produz devaneios em jardins de corações.

Nada pode ser tão complexo
Quanto o meu nada,
Torno-me indecifrável.
Tanto assim, que será complicado
Encontrar a mim mesmo.

Te aceito assim complicada demais!
Subi em tantas colinas
E não vi nem a tua sombra.
Procurei nos Samovares,
E nas águas do Volga,
Encontrei afrescos inconfundíveis
Só não consegui te encontrar.

Já cansei de me perder,
Não quero mais ir pra lua,
Quero ir pra rua.
Quero ir para um satélite de Júpiter,
Com as coordenadas de uma coluna isolada.

Estou aqui pensando em você,
Falando absurdos diante de espelhos múltiplos,
Zoando a noite
Com retângulos fanáticos que não mentem,
Derretendo satélites e estrelas,
Complicado de aturar.

Há um tempo infinitamente simples
E infinitamente complicado.
Como as curvas dessas colinas
E a mão da tarde sobre meu coração
Vou deixando a água correr,
Formando um mar de orvalhos
Tão casto, tão pacifico,
Igual a rua dos teus sentidos.

Sou sol que brilha sozinho em qualquer lugar.
Hora estou no monociclo na corda bamba,
Hora estou na mira do atirador de facas.
Despe minha alma, vou até o fim!

Quando começar a fase dos trabalhos
Com tinta, é sério, fujamos para as colinas!
Lá iremos encontrar a pureza incontida do hoje,
Que quase sem voz, está gritando na esquina.

O tempo parou! Não envelheço
À espera do teu amor!
Vamos nos sentar à sombra fresca
Dos álamos brancos,
Partilhando da paz
E da serenidade dos campos de hortelã.

Mas foi só um sonho!
Nem nos beijamos no espelho,
E não havia afresco.
Lembra das cores que você pintou?

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