sexta-feira, 20 de maio de 2011

Coração Amalocado nas Incertezas do Existir

Acaso poderei, eu, controlar
Esse meu desejo que se torna insano,
Na ânsia de satisfazer minha paixão?
Sei que no final eu não passaria
Apenas de mais um nos seus joguetes de amor,
No seu descomprometimento com a paixão.

Não querendo um coração partido,
Triturado, estraçalhado pelo fogo consumidor
Do seu desejo, afasto-me.
Mas sei que fiquei com a melhor parte,
Pois me restou o sonho,
E esse se torna fonte de inspiração
De um coração que aprendeu acima de tudo
A te amar sem te ter.

Não me julgue! Sou Poeta!
E o Poeta, ontem, tinha a solução
Para as incertezas do download e do vinil,
Mas hoje não tem a certeza do seu existir
E busca a companhia de guitarristas
Emblemáticos de três gerações diferentes.

Me recluso em minha oca
Feita de palhas de palmeiras e ramos de assa-peixes,
Na tentativa de buscar camuflagem para meu existir.
Espero que misturado a paisagem
Eu consiga ocultar minha decepção
Com o que me torno a cada segundo,
Um ser vazio, com alma sonhadora
E pronta para alçar vôos
Que nunca estive preparado para realizar.

Se eu pudesse ao menos gritar
Aos quatro cantos do planeta
O que significa estar alheio ao sistema
Com suas rotas mercantis movidas pelo capitalismo
Dogmatizador, quem sabe assim conseguiria
Receber ao menos uma pontinha
Do seu olhar periférico,
Que em meio a uma alma gelada
Pela sensação de Sul,
Pudesse receber um pouco de calor
E ser acariciado por uma fresta de luz.

A vida poderia ser ótima ao seu lado,
Mas será que eu poderei conter este meu desejo
De sempre querer mais?

Se te vejo assim tão bela e sorridente,
Fico com a sensação de que o existir
Realmente vale a pena.
Pena que essa sensação não dure
E se dissipe em uma fração de segundos
E então recaio nas contradições, nos dilemas,
Nas incertezas de um coração frustrado.

Como em um rega, com três versos na primeira estrofe,
Sua presença atinge o meu órgão vital,
Se tornando um detonador de emoções,
Fazendo disparar o coração
Que esteve por tanto tempo em aposentos frígidos,
Isolado como um discípulo e servidor
Do talentoso recluso.

Atirei meu coração às areias do circo.
Sou igual a um Índio Guarani cego,
Tenho o coração a 210bps,
E o meu fluxo sanguíneo só faz perpetuar
A fúria que emerge em certezas e incertezas,
Movimentos de um coração valente
Que é épico histórico carregado de emoções.

Ficarei por um tempo recluso em minha pequena oca,
Uma oca circular e de forma arredondada,
Pois assim se torna mais fácil elucidar os dilemas
E os pontos de partida
Que acabam por encontrarem a profundidade
De um coração, especialmente um coração antigo,
Que se torna hipotético de toda discussão
Sobre as origens do gnosticismo e das incertezas.

Quantos dilemas emblemáticos uma existência
Insignificante e mesquinha pode acumular?
Como seria se o ser intrigado pudesse finalmente,
Encontrar o seu ponto de exclamação,
Pudesse dizer com segurança convicta:
Não tenho nenhuma compreensão?

sábado, 14 de maio de 2011

Encontro prazeroso

É verão e um pouco de poesia
Só pode fazer bem. Uma conversa longa,
Seguida de interação nos encheu de estesia.
Tantos detalhes para colocar em dia:
Por onde anda? O que está fazendo?
A ação foi conjunta. Nossa reorganização
De nada, logo se completaria.

Intensos prazeres reais foi o que sentimos.
Ali, juntos, as palavras e os tempos poemas
Abriram-se diante de nós com todo esplendor,
E em paz nos sentimos livres, em êxtase,
E sentimos prazer sem culpa.

Pela nossa conversa nos interagimos,
E nos sentimos muito bem.
O texto que trouxemos foi apenas
Para iniciarmos nossa conversa
Porque dentro do abrigo de nossas idealidades,
Enquanto você fecha às portas,
Salpicam gotas puras de sinestesia.

Nós nos sentimos rodeados
Numa atmosfera de paixão.
E nossos corpos como que por instinto
Já conheciam bem essa linguagem perfeita
Que nos trouxe prazer total
Obtido pelo contato prazeroso e nada candonga.

Apetece-me comungar com seus risos e suas alegrias,
Nas horas mais inusitadas com as quais interagimos,
E nos posicionamos feito dança, talvez em um duelo,
Em uma luta pela realização prazerosa
De nossa poética nada exacerbada.

É por demais prazeroso denudar os mistérios
De tuas palavras. E me lembro que já enfrentamos
As agruras de outras vezes, penamos, sofremos,
Mas hoje em vez de vergonha, sentimos empatia.
Em vez de constrangimento, ganhamos coragem.

A dinâmica de minha existência
Sempre foi de dentro pra fora.
Com você experimento o reverso
Quando minha alma se impregna
Do bálsamo do seu amor, como a abelha
Sacia-se do perfume de uma linda flor.

Fomos arrastados para a dualidade
Do bem e do mal. Atingimos o gozo saciável
Do desejo de ser livres.
Minha menina, o amor é tão belo
E fomos tão felizes com nosso sentir
Que será algo que sentiremos durante
Toda nossa vida. Sentiremos sempre.

Despedimo-nos, sentindo-nos realizados,
E agora com a pulsação normalizada,
Com o coração acondicionado dentro do peito,
Extasiados pelo prazer das palavras
Que fluíam como chama que nos aquecia,
Fomos surpreendidos ao perceber que não tivemos
Tempo suficiente, juntos, para o sexo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Arte de Inventar o Passado e o Testemunho da Memória

A Arte de Inventar o Passado e o Testemunho da Memória


O cidadão para poder se situar no presente, poder exercer seu papel como agente político, social e cultural, necessita conhecer o seu passado, estabelecendo com ele uma relação mediada pela crítica. Este papel é destinado socialmente ao historiador, é para isso e por isso que nossa profissão existe. O direito à memória, o direito a uma relação problematizadora com o passado é que faz do historiador um profissional indispensável à sociedade contemporânea e que exige que sua profissão seja reconhecida, institucionalizada e tratada com o devido reconhecimento legal e social.

Em nossa época perdura o embate entre História e Literatura. Os historiadores entendem como sendo seu dever a narrativa do passado. Para tanto, precisam se utilizar do gênero literário para assim poderem fazê-lo. Neste ponto enfrentam a dura critica dos cronistas que dizem que os historiadores não sabem fazer História. Em contra partida os historiadores replicam afirmando que os cronistas também não o sabem e ainda possuem o agravante de não terem o arcabouço teórico para perceber a importância da narrativa para contar o passado.

Em meio a esse impasse invocamos o raciocínio lógico e arrazador de Durval Muniz de Albuquerque Júnior, que assim como Foucault, é um desses “sujeitos” perturbadores da boa ordem científica, desses que se colocam entre o sono dogmático e a vigília epistemológica só para provocar a polêmica, e assim o faz no seu livro “História – a Arte de Inventar o Passado”. Na primeira parte deste livro, Durval Muniz diz que a História possui objetos e sujeitos porque os fabrica, inventa-os, assim como um rio inventa o seu curso e suas margens ao passar. Seguindo esta analogia podemos dizer que uma margem é composta pelos historiadores com suas metodologias e teorias, ferramentas que julgam habilitá-los para narrarem o passado, construindo assim uma narrativa direta e explicativa do que aconteceu. Os historiadores utilizam do discurso dando ênfase à razão, ao poder, a conquista e o domínio. Na margem oposta estão os literários das letras que utilizam as paixões, as dimensões poéticas da existência e o intuitivo em suas narrativas crônicas do passado.

Durval Muniz surpreende ao apresentar para uma alternativa que não se envolve na polêmica entre: narrativa histórica X narrativa literária. Utilizando da metáfora das margens, que supostamente limitam e contém o rio, ele busca uma terceira margem como possibilidade de análise. Outra margem, onde as duas anteriores se encontrariam e misturariam o seu fluxo, sofrendo uma purificação, uma racionalização, onde se daria atenção como um todo às ações e práticas humanas.

Em síntese, essa nova margem significa pensar que a História não se passa apenas no lugar da natureza, da realidade, do evento, nem tampouco do lado da representação, da cultura, da subjetividade, da idéia ou da narrativa. A História passa entre elas, no indiscernimento das divisões, na mistura dos variados elementos, conectadas e articuladas pela linguagem. A História se passa nessa terceira margem, a do devir, do fluxo. A História igual a um rio produz as suas margens.

Contudo, Durval Muniz, dá uma palavra de cautela ao se percorrer essa terceira margem; como historiadores não podemos nos esquecer de nosso compromisso com a produção metódica de um saber, com o estabelecimento de uma pragmática institucional e devemos continuar respeitando as regras para a produção deste conhecimento. Devemos articular essas duas áreas de conhecimento, pensar uma com a outra, sem, contudo, abrir mão da dimensão cientifica possuída pelos historiadores.

A polêmica, porém, não se dá só externamente; entre os próprios historiadores persiste uma diferença de opinião quanto a que teoria-metodológia deve se seguir. A segunda parte do livro de Durval Muniz, embora dedicada a Michel Foucault, faz também um contraposto com ideários de Edward P. Thompson. Essa comparação metodológica é interessante; feita através do conceito de experiência, centrado nos trabalhos historiográficos desses autores, apesar de eles, possuírem formações teóricas bem divergentes. Para Thompson, fazendo uma nova leitura da tradição Marxista, a História tem como pressupostos idéias de totalidade, de razão, de verdade, continuidade, essência e semelhança. Já para Foucault, ela busca dispersar as totalidades, inclusive a da razão. A História, segundo Thompson é realista, um discurso sobre o real. Na perspectiva de Foucault, ela é nominalista, ou seja, uma pratica discursiva, que emerge das lutas políticas, de embates, de poder presidido por estratégias e táticas. Enquanto Foucault evita essencializar as experiências históricas ao negar-lhes um caráter tão somente “fundante”; Thompson as limita, em última instância, a serem efeitos fundacionais das classes sociais.

Durval Muniz neste ponto ressalta que deve se evitar fazer analogias objetivando desqualificar o autor por meio de adjetivos que combatam antes a pessoa do que suas idéias. Segundo ele, no meio acadêmico deve se evitar personalismos, antipatias e os amores pessoais. Ele destaca também, apesar de sua preferência por Foucault, que o trabalho de Thompson tem sim o seu valor.



Ainda no campo da narrativa do passado, uma das grandes discussões teóricas que se têm imposto a várias gerações de historiadores é o debate sobre a relação entre História e Memória, pois essa discussão estrutura os fundamentos e objetivos do fazer histórico. A Memória não pode mais ser vista como um processo parcial e limitado de lembrar fatos passados, de valor apenas acessório para as ciências humanas. Na verdade, ela se apóia na construção de referenciais de diferentes grupos sociais sobre o passado e o presente, respaldados nas tradições e ligados a mudanças culturais.


Sobre os caminhos da memória podemos recorrer a Márcio Seligmann-Silva, que em seu livro “História, Memória, Literatura – o Testemunho na Era das Catástrofes” usa a literatura de testemunho, que se configura como literatura menor porque traz a voz dos excluídos, dos marginalizados. Os testemunhos acerca da Shoah (termo que se adota no lugar de holocausto) aparecem como prova de que as atrocidades que pareciam ter caráter irreal realmente existiram, e seus sobreviventes estão ai para ajudar a escrever a História. Na América Latina, a luta é a mesma: lutar contra o esquecimento, contra o apagamento da pagina cruel que foi a ditadura na vida dos que testemunharam a tortura, ou denunciar a exploração e a submissão da população em países periféricos como o México, Bolívia, Cuba, Brasil e outros mais.

Seligmann-Silva mostra que a memória é uma questão fundamental, essa memória que não pode ser apagada, uma que gera sofrimento, dor ou vergonha, e que entra numa relação dialética entre memória e História, numa nova relação com o passado. O testemunho, para preservação desta memória, surge como uma necessidade do sobrevivente narrar sua experiência para poder recompor os fragmentos de se “eu”.

Paul Celan disse: “Ninguém nos corta a palavra da parede-do-coração”. Quão bem essas palavras descrevem a situação do sobrevivente, do sujeito testemunhal, que guarda em si, simultaneamente uma necessidade e uma impossibilidade de narrar um passado traumático. Esse sentimento dual, segundo Seligmann-Silva, se dá pelo fato de às cicatrizes do trauma terem sido profundas e por um lado precisam narrar a experiência vivida para que essas cicatrizes melhorem, contudo lhes falta uma percepção lingüística diante dos fatos, que são “inenarráveis” e ao mesmo tempo há uma “inverossimilhança”.

O dilema trágico que as testemunhas tem de enfrentar os coloca em situação de nova tortura, eles se encontram no lugar do mártir, do que sofreu, mas sobreviveu. O sobrevivente, aquele que viveu o trauma, repete constantemente a cena violenta, o choque, e ainda sente a culpa por ter sobrevivido, encontra-se num lugar de exceção. O problema de consciência que ronda os torturados na América Latina é que: “quem sobreviveu não é humano, igual ao torturador”, por isso, Seligmann-Silva, cita a importância de não deixar essa memória ser apagada.

Seligmann-Silva mostra que essa memória do trauma vive “encapsulada numa cripta” e não consegue sair deste invólucro para se relacionar com o novo presente. Essa memória é algo próximo, mas ao mesmo tempo inacessível. Some-se a isto os transtornos causados pela mídia, que tem sido usada pelos “colonizadores” modernos destes países para passarem uma idéia de que esses traumas ligados ao regime militar já foram superados nos países Latino-americanos. Citam que já houve uma exposição ou cultuação dessa violência, e, portanto estão resolvidos os traumas.

Para Seligmann-Silva, mesmo quando se faz uma volta ao tema da ditadura e da tortura, se faz apenas uma revisitação histórica sem crítica, objetivando apenas apagar a importância dos fatos, como que dizendo: “Pronto! Já falei sobre isso, eu admito minha culpa, agora vamos pôr uma pedra em cima do assunto e dá-lo por encerrado”. Mas, em vez de eliminar o trauma, essa ação calculada serve apenas para deixar o sobrevivente numa condição de eterno revolucionário que se apodera de um discurso panfletário.

Este uso da memória, do testemunho dos sobreviventes, é muito importante para a História de todos os países que passaram por regimes totalitários, por guerras civis, massacres, uma vez que fazendo esse resgate do passado, salvando essas memórias do esquecimento se faz segundo Seligmann-Silva, um ataque ao inimigo, denunciando suas atrocidades e barbáries e ao mesmo tempo é uma reconstituição dos rostos desfigurados dos mortos, que foram aniquilados no passado.

Nas considerações finais desta análise de Durval Muniz de Albuquerque Júnior e Márcio Seligmann-Silva, fica explícito o papel importante do historiador na reconstrução social. O historiador deve ser militante na luta pela abertura de todos os arquivos, na luta pelo direito à informação. Ser historiador implica tomar posição diante dos arquivos e das memórias, diante do que se deve ou não lembrar, sobre o que se deve ou não esquecer, monumentalizar, guardar ou destruir. Tudo que se refere ao caráter temporal ou a historicidade das coisas é território do historiador, que deve afrontar-se com o presente que dirige nosso olhar sobre o passado.

Referências:

ALBUQUERQUE JUNIOR, Durval Muniz de. História: a Arte de Inventar o Passado. Ensaios de Teoria da História. Bauru, SP: Edusc, 2007.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. História, Memória, Literatura: o Testemunho na Era das Catástrofes. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sou Poeta do Dia, do Sol!

Sou do Sol! Sou Poeta do Dia!
Eu canto a minha aldeia
Buscando a Luz do Sol, generosa!
Que se infiltra em inúmeros cantos,
Fazendo brilhar a inspiração.

Faço-me Poeta que sofre sonhando
Nas entrelinhas de um poema,
Amando o cálamo que não cala.
Chega-me a inspiração ao lembrar-me de você,
Então um poema traz o tema.

Pensei numa poesia que tivesse alma,
E Poeta me fiz de pensamento,
Nesse entrelaço do calor da emoção
Que flui da luz do Sol, o intenso colorista.

Cresci Poeta! Fostes a inspiração de meus poemas,
Deste-me sonhos, incentivos e teus afagos.
Mas casou-se com o Sol, e nem me olhas mais.
E eu me acho aqui onde não tenho nada,
Mastigo as horas do dia, à noite me consome.

Sou apenas um flash de inspiração,
Um motorista na contramão.
Busco minha inspiração no calor da Luz.
O que me enleva e sustenta
É a arrebatadora loucura do brilho do seu olhar.

Meus poemas são pássaros
Que chegam não se sabe de onde
E pousam no livro do meu pensar.
Todo dia o milagre se repete,
O Sol me ilumina quando
Garatuja a inspiração banal,
Pois sou Poeta do Dia, dos sonhos coloridos.

A dama da noite se veste de Dia,
Na tentativa de provocar meu riso.
O Sol me convida a ver pela janela
Que afeita e me alimenta de Luz e de ar,
O sorriso do calor de suas entranhas.

O musico musicou o poema conciso,
Casou letra e melodia com inspiração,
Mas nada se assemelha mais aquilo
Que chamamos inspiração
Do que a alegria de sua volta
Trazendo-me Luz e calor.

Escondo-me dentro de um ovo,
Para que o calor possa me chocar
E carregar minhas mágoas,
E espero que o Sol possa secar minhas lágrimas.

Tenho andado silencioso, pensativo
E há muitas coisas novas em minha alma.
Busco os momentos de cor, Luz, calor,
Que me deram vida em abundância,
E que me sustenta e maltrata
E é fero quando fica noite,
Pois sou Poeta do Dia.

Apago as Luzes pra ver se você volta.
Infante eu durmo no calor aparentemente seco,
Atendendo a cama que me chama: Vem dormi!?
Sonhar com o vento que corta a janela
Na fraca Luz d’arrebol.

Não precisa ser Poeta para ver poesia
Em gente, coisa, passarinho, avião.
Preciso de forças para disputar com o Dia
A Luz que te procura com uma suave inspiração.
Que me importa a Luz da lua.
Quero a Luz do Dia!
Pois sou Poeta do Sol, do Dia!

terça-feira, 3 de maio de 2011

O doce amargo do seu amor

Querida, hoje quero te escrever
Algo despretensioso e doce
Como são as coisas vindas de ti.
E na doce loucura do desejo
Digo que foste o meu mundo
E pra sempre o será.

Sussurrei o seu nome ao vento
Para poder me ouvir,
E recordo a alegria sem fim
Que sinto quando você me abraça,
E o calor imenso quando você me beija.

Agora sinto o doce sabor amargo
De te amar.
Só em teus lábios,
Eu encontro meus gemidos.
Seus seios contornados pela blusa,
Fazem-me sinal da curva do seu corpo ondulado,
Esta fantasia me encanta e de verdade
Desestrutura-me.

A noite passada acordei com o gosto
Amargo da perda na boca,
Era só um sonho.
Mas depois desta noite a boca
Só tem sentido o gosto amargo
Das frustrações.

Me acorde! Diga-me que o pior passou!
Me acorde para a vida começar
Dentro da vida. Para ouvir a voz doce
Que nunca se calou. Para sentir
O prazer contínuo, do Sim, do Quero.
Para ficar sem fala diante de teu sorriso.

Desestruturo-me com seu jeito seguro de agir,
Mas a cada lembrança sua
Minha força se renova!
Perco-me neste sentimento de final
E de renovação e chego a uma só conclusão:
Eu te amo com todas as forças do meu ser.

Sinto deslumbrante magia, em noite de luar,
Entregando-me a você da maneira mais
Profunda e nua. Respiro fundo para amar você.
Quero-te intensamente pra mim. Perdoe-me
Pelas flores que roubo do seu jardim
Para poder te presentear.

Assim te amo, porque não sei amar
De outra maneira, com toda minha
Desestruturação cerebral
E com a criação de novas redes
Neuronais e elétricas,
Experimentando da mistura de amargo
E doce da bebida que é o retrato perfeito
Dos meus sentimentos.

Inspiro-me em heróis que desafiam
As forças armadas, para terem vez e voz,
Só pra dizer que amo você,
E mesmo que doa,
Vou te amar pra sempre.

VIGIAR E PUNIR. MICHEL FOUCAULT. RESENHA

Michel Foucault Vigiar e punir – Nascimento da prisão FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir : nascimento da prisão; tradução Raquel Ramalh...