Coração Amalocado nas Incertezas do Existir

Acaso poderei, eu, controlar
Esse meu desejo que se torna insano,
Na ânsia de satisfazer minha paixão?
Sei que no final eu não passaria
Apenas de mais um nos seus joguetes de amor,
No seu descomprometimento com a paixão.

Não querendo um coração partido,
Triturado, estraçalhado pelo fogo consumidor
Do seu desejo, afasto-me.
Mas sei que fiquei com a melhor parte,
Pois me restou o sonho,
E esse se torna fonte de inspiração
De um coração que aprendeu acima de tudo
A te amar sem te ter.

Não me julgue! Sou Poeta!
E o Poeta, ontem, tinha a solução
Para as incertezas do download e do vinil,
Mas hoje não tem a certeza do seu existir
E busca a companhia de guitarristas
Emblemáticos de três gerações diferentes.

Me recluso em minha oca
Feita de palhas de palmeiras e ramos de assa-peixes,
Na tentativa de buscar camuflagem para meu existir.
Espero que misturado a paisagem
Eu consiga ocultar minha decepção
Com o que me torno a cada segundo,
Um ser vazio, com alma sonhadora
E pronta para alçar vôos
Que nunca estive preparado para realizar.

Se eu pudesse ao menos gritar
Aos quatro cantos do planeta
O que significa estar alheio ao sistema
Com suas rotas mercantis movidas pelo capitalismo
Dogmatizador, quem sabe assim conseguiria
Receber ao menos uma pontinha
Do seu olhar periférico,
Que em meio a uma alma gelada
Pela sensação de Sul,
Pudesse receber um pouco de calor
E ser acariciado por uma fresta de luz.

A vida poderia ser ótima ao seu lado,
Mas será que eu poderei conter este meu desejo
De sempre querer mais?

Se te vejo assim tão bela e sorridente,
Fico com a sensação de que o existir
Realmente vale a pena.
Pena que essa sensação não dure
E se dissipe em uma fração de segundos
E então recaio nas contradições, nos dilemas,
Nas incertezas de um coração frustrado.

Como em um rega, com três versos na primeira estrofe,
Sua presença atinge o meu órgão vital,
Se tornando um detonador de emoções,
Fazendo disparar o coração
Que esteve por tanto tempo em aposentos frígidos,
Isolado como um discípulo e servidor
Do talentoso recluso.

Atirei meu coração às areias do circo.
Sou igual a um Índio Guarani cego,
Tenho o coração a 210bps,
E o meu fluxo sanguíneo só faz perpetuar
A fúria que emerge em certezas e incertezas,
Movimentos de um coração valente
Que é épico histórico carregado de emoções.

Ficarei por um tempo recluso em minha pequena oca,
Uma oca circular e de forma arredondada,
Pois assim se torna mais fácil elucidar os dilemas
E os pontos de partida
Que acabam por encontrarem a profundidade
De um coração, especialmente um coração antigo,
Que se torna hipotético de toda discussão
Sobre as origens do gnosticismo e das incertezas.

Quantos dilemas emblemáticos uma existência
Insignificante e mesquinha pode acumular?
Como seria se o ser intrigado pudesse finalmente,
Encontrar o seu ponto de exclamação,
Pudesse dizer com segurança convicta:
Não tenho nenhuma compreensão?

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