sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Combinando Você

É você...
Faz cenas intempestivas,
Veste-se de negro.
As damas que estão perto
Não podem competir com seu brilho,
Se encolhem, se conformam e se recolhem.

Você combina com as coisas à sua volta.
Se veste vermelho... Linda!
De amarelo... Arrasa!
Com azul... Um espetáculo!
Com Tomara que Caia... É Show!

Sua personalidade ao se vestir
Tem tudo haver com segurança.
Seu Tomara que caia
É o arrasa quarteirão.
Mas, afinal, sandálias pra quê
Se você pode voar?



Se você quiser, cada noite,
Afastando os galhos,
Poderemos testemunhar o despertar
Amarelo e azul dos fósforos cantantes.
Todo brilho vêm dos raios
Que o astro rei veste em dia azul celeste,
Somente pra te homenagear.

Adorei o Tomara que caia
Antalya azul de bolinhas branca.
Mas parando para compreender
Melhor você, notei que tu és poesia
E se vestir daquela forma na série,
Provoca tumulto
E ainda arrasa no tapete vermelho.

Tudo que você faz
Começa com um pensamento,
Com uma reflexão,
Para usar sabiamente o poder dos... Não!
Reconstrói sua fábrica.
Recrie a vida à sua imagem.
Vista-se com todas as borboletas azuis.
E voe! Mesmo sem ter asas, Voe!



Por: Silvon Alves Guimarães

http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

domingo, 25 de dezembro de 2011

Meia Noite em Paris (O Filme)

Gil (Owen Wilson) e sua noiva Inez (Rachel McAdams) viajam para Paris em férias, aproveitando a viagem de negócios dos pais de Inez. Gil é um próspero cineasta de Hollywood, mas com uma carreira recente como escritor, ainda tentando escrever o seu primeiro romance. Em Paris, Gil pensa que poderá encontrar a inspiração que lhe falta para que seu romance possa ser concluído. Ele acha que deveriam se mudar para Paris após o casamento, mas Inez não compartilha as noções românticas de Gil pela cidade e nem ao menos compartilha a idéia de que os anos vinte era a idade dourada. Quando Inez foi dançar com os amigos dela, Gil foi dar um passeio à meia-noite e descobre o que poderia ser a última fonte de inspiração para escrever. Se os passeios diários de Gil a meia-noite em Paris, o levam por uma Paris diferente e mais radiante, por outro lado o levam para longe da mulher que ele esta perto de se casar.
Quando meu Professor de História Contemporânea, Marcos Menezes, me falou sobre esse filme, eu pude ver nos olhos dele um brilho e sua voz transmitia uma empolgação, que me fez logo querer ver esse filme e se ele realmente era tudo aquilo que ele falava. Em se tratando de um filme de Wood Allen, eu logo esperei um filme que destacasse o romantismo e a fragilidade dos protagonistas, marcas registradas dos filmes de Allen. E “Meia noite em Paris” é realmente deliciosamente apaixonante.
Wood Allen surpreende logo no começo do filme, quando ele troca o fundo preto e os créditos iniciais por um verdadeiro tour pela Paris da atualidade. Os espectadores já se apaixonam por aquela cidade logo no começo o que torna impossível não ficar vidrado no que virá a seguir. Allen leva os seus espectadores em uma viagem no tempo de volta à idade de Ouro da cidade de Paris, durante a década de 20, cheia de escritores, artistas e personalidades que, com certeza, foram os que deram o pontapé inicial para muito do que existe hoje em termos de arte.
Os diálogos de Gil com as várias personalidades famosas dão um brilho excepcional a esse filme. Por exemplo, quando Gil começa um diálogo com Ernest Hemingway, é impossível não ficar congelado, prendendo a respiração, para não perder nada da conversa. Ernest Hemingway é retratado com uma cara de bêbado suicida, pessimista, galanteador, tétrico e obcecado por sua espingarda de caça. Repetindo sempre que um bom livro tem ser um livro honesto e homem de verdade tem que lutar na guerra. Hilária também é a divertida conversa de Gil com o trio Surrealista formado por Man Ray, Salvador Dali e Luis Buñuel, onde a verdade acaba se perdendo de modo surrealista entre significados existenciais e rinocerontes. Luis Buñuel, em outro momento, ganha de Gil, “de brinde”, o ponto de partida para seu “Anjo Exterminador”, mesmo sem entender “por que eles não conseguem sair daquele lugar”.
“Meia Noite em Paris” apresenta um verdadeiro referencial de personagens famosos, tais como: Juan Belmonte, Alice B. Toklas, Djuna Barnes, Cole Poter, Zelda e Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, T. S. Eliot, Joséphine Baker, Gertrude Stein, Henri Matisse, Leo Stein, Paul Gauguin e Edgar Degas.
Através dessa “viagem no tempo”, Wood Allen, tem a chance de zombar da cadeira de vinte mil dólares vendida no presente, ao mesmo tempo ele mostra um quadro de Matisse sendo vendido por quinhentos francos. Esse tipo de ironia sempre faz parte dos filmes do diretor e é caminho pra entrar em outros assuntos pertinentes. Outra característica de Wood Allen e que não poderia faltar neste filme é um protagonista frágil, pragmático, preso em um mundo que parece não aceitá-lo, mas que ao mesmo tempo não tem medo de dar sua opinião e até de ironizar os a sua volta. Assim o protagonista frágil, tem forças pra viver um amor fora de época com uma espécie de “musa inspiradora”, Adriana (Marion Cotillard), que teve envolvimento com um trio de pintores: Modigliani, Braque e Picasso.
Ousadamente Wood Allen escala Owen Wilson para protagonizar esse drama romântico, vivido por Gil em “Meia Noite em Paris”. É difícil dissociar a imagem de Owen das comédias vividas por ele e embora o ator faça um sério esforço para dar um papel sério e reflexivo sobre o seu personagem, ainda ficou por desejar. O mesmo esforço não pode ser notado no personagem vivido pela bela Rachel McAdams, que com aquele jeito meigo e delicado, não se encaixou no papel de noiva megera e indomável. Definitivamente não lhe caiu bem esse papel no filme. Outra atuação que não agradou nem um pouco, foi a de Kurt Fuller, que vive o pai de Inez e empresário que esta em Paris em uma viagem de negócios. Em contrapartida, Marion Cotillard e Carla Bruni, estão brilhantes em suas atuações e dão um ar de romantismo ao filme.
Uma viagem pela Cidade Luz. Uma reflexão sobre as artes descartáveis. Um filme apaixonante de um diretor apaixonado por tudo que faz e especialmente pelo cinema.
Eu Assisti! Eu Escrevi!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas

O filme "Piratas do Caribe - navegando em águas misteriosas" é a quarta parte da saga “Piratas do Caribe”. Este filme se tornou a melhor estréia da história do cinema com US$ 256,3 milhões em seus cinco primeiros dias de exibição fora das salas dos Estados Unidos, segundo informa o site especializado "Box Office Mojo". Esse número supera a melhor marca registrada anteriormente, conquistada por "Harry Potter e o enigma do príncipe" (2009), com US$ 236 milhões.
Johnny Depp e Penélope Cruz no lançamento de "Piratas do Caribe 4" em Cannes. (Foto: Reuters)

Neste quarto episódio o Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) cruza com Angélica (Penélope Cruz),  uma mulher do seu passado, mas fica confuso se a relação deles é de amor ou se ela está apenas interessada em saber como chegar até a Fonte da Juventude. A bordo do navio de Barba Negra (Ian McShane), o Capitão Sparrow não sabe a quem deve temer mais: seu antigo amor ou seu rival declarado.
O filme apresenta uma sequencia simplista, se comparado com os outros três anteriores. Há uma ausência de objetivo maior a ser perseguido pelos protagonistas da trama. Então a fonte Juventude aparece como o ponto a ser atingido, mas sem necessariamente ter um motivo. O filme transmite a idéia de que encontrar a fonte da juventude é mais uma aventura do que uma conquista. Sob direção de Rob Marshall, o filme parte do roteiro de Ted Elliott e Terry Rossio, baseado no livro “On Stranger Tides”, uma aventura marítima escrita em 1987 por Tim Powers.

A trama é disputada entre Sparrow, Barbossa (Geoffrey Rush) e Angélica (Penélope Cruz), que entram em uma frenética corrida para chegar à fonte da Juventude.  O filme tem também a participação do temível Barba Negra (Ian McShane), que não faz jus a sua fama de terror dos Piratas. O filme tem uma duração de 137 minutos, duração reduzida se comparada aos outros três filmes.

Apesar de chegarmos ao final do filme com a sensação de que não foi contada nenhuma história que justifique toda a correria, os protagonistas da rixa são carismáticos, originais e conseguem escapar do lugar comum gerado em torno dos corsários do mar, dando a sensação de que "Piratas do Caribe 4", seja um bom filme.

A verdade é que não importa o que façam ou digam, a saga “Piratas do Caribe” tem e parece que sempre terá uma boa aceitação pelo grande público dos cinemas. Nesse emaranhado de situações desconexas, Johnny Depp consegue mais uma vez mostrar seu talento e seu brilho, aliado desta vez ao charme espanhol de Penélope Cruz.

O carisma do Capitão Jack Sparrow, esta relacionado ao fato de ele ter ao mesmo tempo, um ar de inocência infantil e uma malicia adulta. Parece que Sparrow é incapaz de fazer algum mal a quem quer que o seja. Mas, ao mesmo tempo que é péssimo em brigar, Sparrow sabe manejar uma espada, e como atrapalhado pirata ele sempre engana a morte, zomba dos inimigos e não se deixa seduzir facilmente e sempre tem um plano de fuga, não importa qual seja a situação. Outro fator que contribui para o sucesso do personagem, Jack Sparrow, é que ele sempre conta com o fator sorte, assim, ele passa a ter a identificação de um “abençoado” em toda sua trajetória, conquistando a simpatia do público.

Embora não seja extraordinário, "Piratas do Caribe 4: Navegando em águas Mistériosas", é sim, um bom filme, que vale a pena ser assistido!

Eu assisti! Eu escrevi!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Devaneios

Não vejo mais futuro,
O passado escureceu,
O presente ficou só no desejo de estar...

Eu tentei dar um rumo
Pra minha vida que não
Fosse a solidão.
Tentei te manter ao meu lado,
Apesar de isso te fazer sofrer.

Eu não quis enxergar a verdade,
Não porque estivesse cego,
Mas porque a verdade era doída demais.
No fundo eu sempre soube que vivia
Uma ilusão.

Não quero mais desejar
Que você sofra
Pra ficar perto de mim.
Não posso mais esperar que você
Fique carente pra que queira
Um carinho meu.

Não vejo mais futuro,
O passado escureceu,
O presente ficou só no desejo de estar...

No desespero das árvores paradas
Busquei consolação.
Tudo em mim sofre.
Busco me distrair passeando
Nas noites lindas de verão.

Quando dez passos nos separam,
Nove é apenas a metade do
Caminho que terei que percorrer
Pra poder chegar onde eu não quero estar.

Não vejo mais futuro,
O passado escureceu,
O presente ficou só no desejo de estar...

Triste é a pessoa que tem
Esse sentimento como eu.
A minha realidade é uma espécie
De voz que se movimenta
Pra poder ficar marcada no teu pé.

Não vejo mais futuro,
O passado escureceu,
O presente ficou só no desejo de estar...

Eu vivo sempre com os meus olhos-d’água
Que vivem aos olhares descontínuos.
Encontro-me neste lugar ermo,
Cantando loas pelo caminho.

Não precisaria você me prometer a lua
Ou um dos anéis de Saturno,
Bastaria se sentar comigo por um instante
E este momento se tornaria mágico
E me daria o poder de ler mentes
E de adivinhar os seus desejos.

Hoje, não tenho mais futuro,
Não posso ver o passado,
Desejo estar no presente que se foi...

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Imperatriz e os Guerreiros (O Filme)

O filme “A Imperatriz e os Guerreiros”, do diretor Siu-Tung Ching, retrata os tempos de guerras medievais chinesas. O reino de Yan se defende da invasão do reino de Zhao. Esta História se passa antes da unificação chinesa. Durante este tempo os inúmeros reinados brigavam entre si pela supremacia.
O Rei Yan é ferido mortalmente por uma flecha      que lhe atravessa o peito, durante uma batalha contra Kelly Chen, Rei de Zhao. Antes de morrer, o Rei Yan, passa o reinado a seu leal general Muyong Xuehu. Para manter a união do povo, Muyong Xuehu, faz uma manobra deixando que a filha do Rei Yan, Yen Feier, ocupe o cargo de Imperatriz. Antes de ser coroada, Yen Feier, passara por um rigoroso treinamento militar para liderar os exércitos nas batalhas.
Wu-Ba, primo de Yen Feier, fica ambicioso, e tenta matá-la antes da coroação. Perseguida por homens contratados por Wu-Ba, para matá-la, Feier é atingida por dardos envenenados. Na floresta, Feier, é salva pelo misterioso Duan Lanquan, que anos antes fazia parte dos temíveis Guerreiros da Lua Nova, uma sociedade guerreira, já extinta. Feier acaba se apaixonando por Duan Lanquan, que lhe oferece uma nova vida. Agora, Yen Feier deve decidir entre o destino do seu reino e uma vida nova.
O filme mostra os conflitos que realmente existiram na idade medieval chinesa. Estas batalhas eram travadas muitas vezes sem se saber a razão. As Batalhas eram movidas por rixas antigas, que foram herdadas e levadas à continuidade. Yen Feier começa a questionar estas batalhas e a sua futilidade, mostrando que elas não traziam nada além do sofrimento. Isso nos faz pensar nas guerras da atualidade, que são na sua maioria também movidas por um espírito nacionalista, ou por velhas rixas dos antepassados. Milhares de pessoas têm perdido a vida nessas guerras, que muitas vezes não passam de caprichos de dois homens arrogantes, que se consideram deuses.
O filme também faz menção a algumas invenções históricas dos chineses, tais como: a pólvora e o balão de ar; além de mostrar a tradicional medicina chinesa baseada na cura pelas plantas. Acima de tudo o filme mostra o valor da lealdade, e resgata o amor romântico que é capaz de fazer com a pessoa deixa qualquer beneficio material para vivê-lo. Um ótimo filme. Eu recomendo.
Eu assisti, eu escrevi!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Andando nas Nuvens

Gosto de te olhar
E te ver assim tão misteriosa.
Como é possível
Uma mulher assim tão formosa?
Se faz beicinho: Manhosa.
Se fica de perfil: Charmosa.
Se faz pose: Gostosa.
 
 
Gosto de te imaginar
Em noite de lua cheia.
A lua disputando
Com você as noites
Dos capitães de Areia,
Que são os donos da Beira mar.
 
 
Você com um olhar
Me faz perder o juízo,
Só pra que eu te entregue
O que já é seu,
O que sempre será seu.
 
 
Não uso mais o lenço perfumado da noitada.
Este poema, eu dedico a você.
Essa vontade imensa de caminhar
Nas nuvens, de correr na areia,
De ter asas, é só pra ver se te alcanço.
Mas fica a sensação de que não te alcançarei
... Eu te alcançarei!
 
 
 Gosto de ti, toda inteira!
Sem olhar, você percebe tudo,
Sem falar, você me conta o mundo.
Nas noites com estrelas,
Você continua a brilhar.
Eu sinto seu calor
No balanço de uma rede,
Que dança em passo continuo.
 
 
O dia em que eu voltar pra casa
E estiver uma noite de lua cheia
Lembrarei que você é o que me
Surpreende.
 
 
Gosto de olhar a noite,
Em noite de lua cheia,
O arco-íris formado pela
Luz que emana do seu olhar.
Dê-me segredos de melancolia.
 
 
Neste momento de pensamento vazio,
Tento imaginar os seus traços
Em meu futuro, em meu passado,
Em meu presente, sempre.
Tenho a certeza que uma noite
Do seu brilho
Vale a dor do mundo.
 
 
Gosto de te olhar
E te ver assim tão misteriosa.
Como é possível
Uma mulher assim tão formosa?
Se faz beicinho: Manhosa.
Se fica de perfil: Charmosa.
Se faz pose: Gostosa.
Se me olha, perco o juízo.
 
 
Por: Silvon Alves Guimarães

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tá Sumida, amor!

Você anda tão sumida, amor!
Você precisa aparecer.
Hoje, pra aumentar minha dor
Amanheci pensando em você!
A rua é a mesma
Não mudou o meu teto,
Só o coração anda deserto,
Sente falta de você.

Olha amor,
Você foi embora
E eu fiquei preso naquele dia.
Fiquei sem jeito,
Sozinho no peito,
Preso em você, na sua ida.

Já não choro mais, amor!
Não tenho mais lágrimas.
Já chorei o amazonas.
Mas, pra aumentar minha dor
Amanheci pensando em você!

Sabe amor,
Depois daquele dia
Que você foi embora,
Minha boca se esqueceu
De como é sorrir.
A rua é a mesma
Não mudou o meu teto,
Só o coração anda deserto,
Sente falta de você.

Você precisa aparecer, amor!
Aqui é tá tão gelado sem você.
Preciso de sua presença pra me aquecer.
Sabe amor,
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de rir...
Você precisa aparecer!

Olha amor,
Você foi embora
E eu fiquei preso naquele dia.
Fiquei sem jeito,
Sozinho no peito,
Preso em você, na sua ida.

Por: Silvon Alves Guimarães

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AS AMÉRICAS NA ERA CONTEMPORÂNEA – SÉCULO XX: A EXPANSÃO DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO E A CRISE NAS OLIGARQUIAS LATINAS

Representações da nação mestiça no caribe hispânico insular


Kátia Gerab Baggio

O Caribe, como toda América Latina, teve graves problemas relacionados a fatores étnicos, a mestiçagem e o hibridismo; a partir de três vertentes principais: europeus, índios e negros. Qualquer tentativa de diagnóstico deveria passar, portanto pela antiguidade e origem das raças e, a partir dela, teria chegado aos traços típicos comuns da psicologia do índio americano: o fatalismo e a vingança. Tudo isso complicado pela abundância do elemento étnico africano em ambas as Américas. Em relação à valorização da mestiçagem, que se acentua a partir da década de 1930, nas três ilhas que formam os quatro países analisados por Kátia Gerab Baggio (2000), mostra que há particularidades em cada caso: a necessidade de reforçar uma identidade dominicana em contraposição ao Haiti; a afirmação da identidade porto-riquenha frente aos Estados Unidos; o desafio de integrar as massas de negros libertos à vida econômica, social e política de Cuba, depois do papel fundamental que desempenharam nas duas guerras de independência (1868-78 e 1895-8). Esses elementos ajudam a explicar as diferentes formas como a mestiçagem foi incorporada ao discurso oficial nestes países. Baggio faz uma síntese do dilema envolvido na eleição da mestiçagem como representação simbólica da nação: uma constante tensão entre a busca utópica de um país multirracial sem preconceitos e o discurso harmonizador e homogeneizante que silencia os conflitos. No Caribe Hispânico, esta tensão caracteriza todo o imaginário acerca da mestiçagem. (BAGGIO, 2000)

A Revolução Mexicana (1910-1940) Cap. 2: A Revolução


Marco Antonio Villa

Quando Francisco Ignácio Madero conclamou, no Plano de São Luiz Potosí, que o povo mexicano se levantasse em armas no dia 20 de novembro de 1910, para derrubar o ditador Porfírio Díaz, que estava se perpetuando no poder há mais de trinta anos, jamais poderia imaginar que o México mergulharia numa década de sangrenta guerra civil, com diversas alterações no poder e com um saldo de aproximadamente um milhão de mortos, segundo Marco Antonio Villa. O processo revolucionário mexicano não tinha um programa bem definido e delimitado quando explodiu na sociedade mexicana; muitos dos seus caminhos ideológicos foram construídos no calor da batalha. No desenrolar dos acontecimentos os camponeses deixam de ser simplesmente uma classe-apoio da burguesia, apresentando seu próprio projeto de revolução. A especificidade dos vários movimentos revolucionários é diluída e surge uma nova burguesia pretensamente herdeira dos precursores e agentes da revolução. Da queda de Porfírio Díaz á ascensão de Álvaro Obregón à Presidência da República, o México viveu momentos que marcaram a história das lutas políticas na América Latina. (VILLA, 1993).


A Revolução Mexicana (1910-1940) Cap. 3: A época dos Caudilhos


Marco Antonio Villa

No período de 1920-28 o governo central mexicano oscila entre apoio aos caudilhos e as medidas de centralização administrativa. Em busca da estabilidade econômica e política, o governo inicia um programa de desmobilização do exército, ficando assim dependente do apoio dos caudilhos regionais, a maioria formada por generais, e dos comandantes das regiões militares para se manter no poder. Obregón sofre as pressões diplomáticas dos Estados Unidos, que só reconhece o governo em 31 de agosto de 1923. Calles, durante o seu governo, resolveu enfrentar a Igreja Católica, única instituição do antigo regime que se mantinha intacta. Na época dos caudilhos é dada atenção a educação da população que até antes dos anos 20, estava reservada à burguesia e à classe média. No campo quase que inexistiam escolas e o analfabetismo atingia 80% da população. Em 1 de setembro de 1928, a afirmação era de que havia terminado a época dos caudilhos, e que o momento impunha a necessidade de institucionalizar a revolução. (VILLA, 1993)

Considerações sobre o conceito de populismo econômico


Felipe Pereira Loureiro

Loureiro (2008) faz uma análise da situação econômica do Brasil no governo de Getúlio Vargas (1951-1954) e da Argentina, no governo de Juan Domingos Perón (1946-1955), tentando encontrar um denominador comum desses países, abordando o populismo econômico empreendido no ambiente ditatorial. O termo “Populismo econômico” utilizado no texto de Loureiro segue o padrão de política econômica apontado em Dornbusch e Edwards (1992). Segundo a interpretação destes, o populismo apresenta um tipo de governabilidade autodestrutiva. Loureiro nos diz que governos que praticam déficits orçamentários recorrentes como conseqüência de aumentos salariais acima da produtividade do trabalho ou ainda que promovam apreciações cambiais com o intuito de aumentar os salários reais, estariam incorrendo em populismo econômico. Melhoram o bem estar dos trabalhadores no curto prazo com vistas ao ciclo político sem levar em consideração as conseqüências de longo prazo de tais políticas. A lógica populista produz distorções com efeitos benéficos no curto prazo à custa de grandes desajustamentos no longo prazo. O excesso de demanda provocado por políticas populistas não tem uma contrapartida em aumento da capacidade produtiva. O aumento artificial dos salários reais provoca fortes desequilíbrios internos e externos que prejudicam a situação dos trabalhadores em termos de ganhos reais e emprego. (LOUREIRO, 2008)


História da América Latina e do Caribe – Dos processos de independência aos dias atuais. Cap. 5: A grande polarização, 1960 a 1989


José Del Pozo

A partir de 1960, o mundo foi divido entre o modelo capitalista, dos Estados Unidos da América (USA), e o modelo socialista, da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Era a guerra fria que tinha iniciado, e com essa guerra muda-se o modelo de ocupação, não mais sendo uma ocupação geográfica, mas sim ideológica. O modelo da revolução cubana apresentava-se como opção atraente para quem não via no capitalismo via ocidental, ou norte-americano, um futuro no mundo latino. As antigas colônias no Caribe, nas Américas Central, do Norte e do Sul, obtiveram a independência e vive uma situação totalmente nova. Os Estados Unidos, por outro lado, continua a tentar influir na região não só com pressões políticas e militares, como também oferecendo aos seus aliados latino-americanos um plano de desenvolvimento econômico e social, com objetivo de fazer a subversão esquerdista. (POZO, 2009)

História da América Latina e do Caribe – Dos processos de independência aos dias atuais. Cap. 5.4: A vida política: uma era de grandes tensões


José Del Pozo

Se nos anos anteriores, os avanços em matéria de democracia política, na América Latina, tinham sido poucos, o período de 1960 a 1989 foi de claro retrocesso. A discussão sobre como forjar Estados nacionais modernos e autônomos, ganha uma maior centralidade com a entrada em cena no subcontinente americano do capitalismo industrial ou moderno. Continuou a haver uma repetição entre os que ocupavam as altas autoridades políticas, militares e religiosas. Enquanto isso, as grandes massas populares eram afastadas do poder, através de um sistema eleitoral restrito, excludente e fraudulento como forma de perpetuação do poder. Pozo nos diz que é preciso levar em conta as condições debilitantes politicamente vividas na América Latina. Se por um lado havia a “falta de vontade” política, por outro lado deve-se reconhecer o retrocesso do processo liberalista do século XIX diante das Oligarquias totalitárias do século XX. Segundo Pozo, fica evidente que as oligarquías latino americanas mantiveram uma cegueira suicida diante das pressões. Sendo parte da esfera de influencia norte americana, segue-se na América Latina um caminho à margem de sua cultura, movidos pelas teorías de modernização européia e norte-americana. (POZO, 2009)


Considerações finais


A América Latina teve um grave problema de identificação de identidade. Sempre houve uma oscilação quanto a que caminho político se deveria seguir. O trágico passado colonial, aliado às dificuldades internas dos países após a independência e aos interesses do capitalismo inter¬nacional, impunham ao continente centro e sul-americano um processo de desenvolvi¬mento marginal e dependente do capitalismo. As estruturas de poder na América Latina, sobretudo na América do Sul, permanece¬ram até meados do século XX vinculadas aos interesses de uma elite agrária (oligarquias). Com a consolidação da estrutura urbano-industrial, novos segmentos sociais se fortaleceram: a burguesia industrial, a clas¬se média e o operariado. As cidades torna¬ram-se mais importantes economicamente que o campo e passaram a ser habitadas por uma incrível massa humana (principalmen¬te em razão do êxodo rural) sem condições decentes de vida, vulnerável aos discursos, demagógicos e populistas. Em meio as turbulências e indecisões quanto aos rumos a seguir podemos citar a Revolução Mexicana, que marcou os processos políticos em toda América Latina e ainda continua sendo fonte de influência no México. No século XX a América Central tornou-se área de influência direta dos EUA. Esse quadro político de submissão aos interesses norte-americanos produziu, nesses países, situações políticas e econômicas internas bastante graves de opressão, subdesenvolvimento e mi¬séria. Esse panorama desfavorável era pro¬pício para o surgimento de movimentos com forte conteúdo nacionalista, que acabaram se manifestando em quase todos os países centro-americanos.

Referências:

BAGGIO, Kátia Gerab. Representações da nação mestiça no Caribe Hispânico Insular. Anais Eletrônicos do V Encontro Internacional da ANPHLAC. Belo Horizonte, 2000.

LOUREIRO, Felipe Pereira. Considerações sobre o populismo econômico: explicação ou distorção histórica? Anais Eletrônicos do VIII Encontro Internacional da ANPHLAC. Vitória, 2008.

POZO, José Del. História da América Latina e do Caribe: Dos processos de independência aos dias atuais. Tradução de Ricardo Rosenbusch. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, pags. 229-234; 261-265.

VILLA, Marco Antonio. A Revolução Mexicana (1910-1940). São Paulo: Editora Ática S.A., 1993. Pags. 11-27; 28-49.

VIGIAR E PUNIR. MICHEL FOUCAULT. RESENHA

Michel Foucault Vigiar e punir – Nascimento da prisão FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir : nascimento da prisão; tradução Raquel Ramalh...