terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bem Vindos Calouros de História 2012

Segunda-feira, dia 27 de fevereiro de 2012, teve início às aulas na UFG de Jataí. A programação para o primeiro dia contou com uma apresentação formal do curso e dos professores, que para os calouros, vão fazer parte de suas vidas para os próximos quatro anos, no mínimo. O Professor Murilo fez as honras da casa, presidindo a sessão.
Outros professores estavam presentes dentre estes: Prof. Raimundo, Prof. Helena, Prof. Lemke e Prof. Marcos.

A galera, especialmente os calouros, estava atenta as informações que foram repassadas por meio dos professores. Todos inclusive os veteranos aguardam com expectativas o andar do novo semestre. Esperamos que se possa atingir, durante este semestre, as nossas expectativas.



Algumas pessoas não perdem a chance de aparecerem, né? Shirley e Daiana... rsrsrsrsrs Sempre sorridentes e alegres vocês são nossa diversão.


















Todos nós nos colocamos a disposição dos novos alunos, sintam-se a vontade em nosso meio. Hoje vocês são os calouros, amanhã serão os veteranos e depois os professores. Sejam Bem Vindos ao Curso de História!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Nova Ideologia do Trabalho: Ferramenta de Controle social durante a Primeira República no Brasil

Durante a “Primeira República”, houve empenhos por parte dos governantes em se estabelecer novos padrões comportamentais para a sociedade brasileira. A intenção era a completa desvinculação da idéia monárquica e também apagar as marcas do colonialismo. Neste respeito, temos a formação de uma nova ideologia do trabalho, que foi pensada, pode-se dizer a partir de 1870, onde já se visualizava o fim da escravidão pela cor, e, portanto haveria a necessidade de novas diretrizes que regessem o trabalho livre. Mas, a criação dessa nova ideologia do trabalho, atendia aos interesses de quem? Que efeito essa ideologia trabalhista teve sobre os brasileiros?

Baseado nos textos de Sidney Chalhoub, “Trabalho, lar e botequim”, e de Hildete Pereira de Melo, “O caso da Cervejaria Brahma”, farei uma abordagem sobre essa temática, a nova ideologia trabalhista e seus efeitos sobre os brasileiros. Esclareço, porém, que esta abordagem será de superfície, sem pretensões, pelo menos por hora, de se chegar a um aprofundamento nesta discussão.

Sidney Chalhoub começa sua analise a partir das rixas e conflitos que ocorreram entre membros da classe trabalhadora do Rio de Janeiro na primeira década do século XX. Utilizando-se de processos criminais, jornais e textos literários, Chaulhoub nos mostra como se articulou esse movimento para se passar uma valoração positiva de “ordem” e “progresso” ao trabalho.

Sobretudo, o alvo que se tem com a nova ideologia trabalhista, é, segundo Chalhoub, atingir a “mente” ou o “espírito” dos brasileiros. A pretensão foi de que se assimilasse a idéia de que o trabalho era um bem, era, aliás, o maior bem que restava aos brasileiros que foram expropriados dos seus anteriores “meios de produção”. O trabalho seria a força que impulsionaria a nação rumo ao “novo”, rumo a “civilização”, rumo aos costumes civilizados das nações européias avançadas, e que todos os brasileiros deveriam buscar ser iguais. Essa era a ideologia que se pregava na época.

Hildete Pereira Melo nos apresenta uma analise feita junto a Cervejaria Brahma, na cidade do Rio de Janeiro, com enfoque no período de 1925 a 1935. Foram utilizados os registros de funcionários, a partir do fichário rosa, onde das cerca de 2100 fichas se selecionou 567 registros, sendo destes, 385 provindos da letra J, na sua totalidade de arquivo e demais parciais como: 53 registros da letra A, 35 da letra G, 45 da letra H e 49 da letra O.

Melo teve como objetivo encontrar o que os registros trabalhistas, da Cervejaria Brahma, apontavam sobre a situação financeira da classe trabalhadora, compreendendo assim até que ponto estes estava envolvido social, econômica e politicamente nas questões que existiam na primeira metade do século XX na cidade do Rio de Janeiro. Melo utiliza autores como Versiani (1993) e Vilela e Suzigan (1975), que sustentam que houve um grande numero de imigrantes na cidade Carioca, até maior do que São Paulo. Apontam também para os altos salários existentes na cidade, o que pode ter ocasionado um desgaste trabalhista e consequente efeito inibidor na indústria.

Outra corrente de historiadores aponta para o sistema de abastecimento de gêneros para a cidade, como o grande vilão em relação ao aumento dos salários e do alto custo de vida no Rio de Janeiro.

Os imigrantes fixavam residência no Rio e se inseriam no mercado de trabalho, como diz Melo, com os mesmos dilemas que os brasileiros, ou seja, recebiam salários aviltados e se submetiam a longas jornadas de trabalho.

A partir desta primeira visão, notamos que a ideologia do trabalho, apresentava como pessoa de bem apenas aqueles que estivessem inseridos no mercado de trabalho. Mesmo que a pessoa tivesse um trabalho informal, ainda recairia sobre ele o estigma de contra lei.

Chalhoub diz que existiu um grande antagonismo referente a “trabalho assalariado versus capital”, onde o homem “livre” ou “expropriado” é figura central nesse “mercado capitalista” do “trabalho assalariado”. Os governantes viam a necessidade de gerirem uma “transformação” do brasileiro em alguém que estivesse integrado ao mercado de trabalho com sua ideologia política/trabalhista.

As manobras foram feitas, as idéias foram disseminadas e utilizando da força repressora policial e jurídica, que segundo Chalhoub, estigmatizava os brasileiros sem ocupação como “vadios”, “promíscuos” e “desordeiros”, podendo ser presos a qualquer momento, simplesmente pelo fato de estarem sem trabalho e serem criminosos em potencial. Assim, os brasileiros foram levados a entrarem nas leis do mercado de trabalho assalariado, passando a compor o que Chaulhoub chamou de “relação burguês-capitalista”.

Notamos nesta exposição de Chalhoub, que o trabalho passou a ser uma ferramenta governamental de controle a sociedade. A repressão a quem não estivesse integrado no mercado de trabalho, fez com que as pessoas estivessem dispostas a se sujeitarem a trabalhos forçados, aceitassem longas jornadas de serviço, recebessem salários indignos, trabalhassem em péssimas condições e ainda teriam que se dar por satisfeitos, pois estar fora do mercado de trabalho era estar exposto aos preconceitos e punições por parte da força de policia e jurídica.

Hildete Melo nos apresenta por sua vez, a composição do mercado trabalhista e chega à conclusão de que há um favorecimento dos portugueses e demais europeus em relação aos brasileiros (brancos, negros, pardos). Melo diz que esse favorecimento não estava ligado a instrução educacional ou ao preparo com respeito às técnicas de serviço, mas sim, teve haver com a nacionalidade. Isto levou os brasileiros a ocuparem, na sua maioria, as ocupações braçais que tinham remuneração inferior. Fazendo uma comparação média salarial, Melo nos mostra o seguinte quadro: salário médio dos brasileiros (184,618), dos portugueses (240,379), dos europeus (281,766).

Esse quadro desfavorável aos brasileiros se deu em partes por serem operários sem qualificação, chegando a comporem 63% dos operários na empresa. Mas relembrando a conclusão de Melo, vigorava na época a ideologia de “superioridade dos imigrantes”, eles gozavam de maior confiabilidade e eram vistos como de maior eficiência em relação ao trabalho industrial.

Melo nos leva a conclusão de que o preconceito contra os brasileiros não é algo dos nossos dias. Os governantes e os imigrantes disseminaram o estigma de que os brasileiros são preguiçosos, maus trabalhadores e despreparados. Esse estigma negativo acompanha os brasileiros a décadas e só em anos recentes é que se tem feito um trabalho par recuperação da auto estima do trabalhador brasileiro. Durante os anos, notamos também que a ideologia expansionista européia estava sendo disseminada na nação-colônia. Os europeus se gabam de serem os detentores das tecnologias, dos avanços e se dizem aptos para atingirem a felicidade. Seu objetivo sempre foi o domínio sobre os povos “não civilizados”, segundo o que pensam. Mas, olhando para atual situação européia e brasileira, quem podemos dizer que esta em melhor situação? Quão Nobre era realmente o papel das nações européias, na condução a uma vida melhor das nações sem desenvolvimento? Uma olhada no mundo e podemos ver que afinal, os europeus não têm tanta eficiência assim.

Referências Bibliográficas:

CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim. O cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da Belle époque. Campinas: Editora da Unicamp.

MELO, Hildete Pereira de; João Lizardo de Araújo; Teresa Cristina de Novaes Marques. Raça e Nacionalidade no mercado de Trabalho Carioca na Primeira República: O Caso da Cervejaria Brahma. RBE, Rio de Janeiro, 2002.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Distúrbio Visual

Se hoje estou na Jailhouse
É porque um dia acreditei que era possível
Voar pelo espaço azul, sem restrições,
Simplesmente voar desconsiderando
As Leis arbitrárias e limitantes que impõem
Aos corações as rotas definidas
Que nem sequer passam próximas
Ao verde e ao azul.

As correntes que me prendem
Deixam-me daltônico, impedindo que eu veja
A mistura de cores, onde o vermelho se une ao azul
Para causar toda transformação que poderia trazer
A cura para as mentes que sofrem de perturbação
Devido à intensa exposição ao lado vermelho
Da mistura cósmica.

Se não vejo as cores,
Como poderei ter tato para os sentimentos?
Você extrai corantes do Porfírio
E pinta as vestes imperiais e clericais
Mas me deixa somente os tons cinzentos
Que não expressam outra coisa a não ser
Minha melancolia.
Toque-me com o amarelo que pode me revitalizar
Ou quem sabe com o vermelho, que me faria
Querer sempre mais de você.

Busco o azul. Busco o infinito.
Busco o ideal. Busco o sonho.
Agora sou leve. Agora vôo.
Agora vejo por baixo de mim mesmo.
Se quiseres um amor, prende-me a ti.
Mas saiba que ainda não rompi com os grilhões
Que me prendem a tristeza da cor púrpura extrema.

Não sou maluco.
Mas tenho certeza que o motorista do táxi
É um elefante cor de rosa.
O outono desabou sobre as flautas-azuis
Da casa azul com portão lilás.
Um mistério que só você poderá solucionar
Com sua mistura mágica e seu pó metafísico.

Sinto que esse lugar não é pra mim.
Tenho uma ferida que não se cura,
Que se abre cada vez que o brilho do púrpura
Reflete na capa verde e branca da minha
Bela estupidez.
Em minha Jail, observo um azul-claro amarelado,
Que se expressa através de um magnífico poema
Que eu já não sinto.

Estou só no meio de tantas pessoas
E por isso, busco chegar à lua,
Pois lá, reside o amor que se aventura por suas
Cores e brilho. É essa loucura que me fascina,
É essa falta de entender que busco.

Por: Silvon Alves Guimarães


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

História, Educação e Diversidade Étnica e cultural

Durante os dias 09 a 30 de janeiro participei do curso de verão, complementar como núcleo livre, na Universidade Federal de Goiás, em Jataí. A temática do curso de verão tratava das identidades excluídas, no caso os indígenas e os negros. Foram discutidas as particularidades e possíveis articulações entre educação e identidade indígena e negra, como processos construídos histórica, social e culturalmente. Entendo, porém que esta discussão não pode ficar somente no campo educacional, mas deve permear também as discussões políticas referente às condições sociais e educacionais dos povos indígenas e negros. Tais discussões devem apontar para a necessidade de se construir uma política pública voltada para esses segmentos étnicos.










Nas três semanas que estivemos reunidos aconteceram discussões acaloradas sobre o tema, e com certeza, todos puderam tirar proveito desta analises diversas sobre o assunto.


O grupo era bem diverso, com alunos das áreas de Letras, Pedagogia, História, Geografia e Direito. Visto que todos, com exceção do nosso colega do direito, vão se formar como professores o assunto serviu como preparação para alguns que ainda vão pra sala de aula e como reforço para os que já estão atuando como professores.















Assistimos filmes, vimos documentários, lemos muitos textos, que nos deram uma visão sobre como se tem tratado do assunto no Brasil e no mundo e também como a Universidade vê essa questão das identidades dos excluídos. É claro que a “Universidade” a que me refiro é composta de pessoas e essas trazem seus preconceitos e seus conceitos para a faculdade, às vezes contribuindo para haja uma lentidão em se assimilar o verdadeiro espírito de inclusão educacional, do qual as lideranças universitárias deveriam tomar a frente.

A aceitação da diversidade na educação, basicamente é um assunto que tem suas discussões bem recentes. O respaldo da lei só se deu anos recentes, como por exemplo, a Lei nº 10639, que teve como função responder às antigas reivindicações do Movimento Negro e estabeleceu o ensino da História da África e da cultura afro brasileira nos sistemas de ensino e posteriormente a Lei 11645 que dá a mesma orientação quanto à temática indígena. São cerca de vinte anos em que se tenta reverter um imaginário de 500 anos. Portanto, vejo este processo da inclusão da diversidade de forma positiva e apesar de ainda se ter uma longa luta pela frente, os alicerces já foram lançados, agora é colocar mãos a obra e construir sobre o cimento fresco.



No último dia do curso, todos puderam dar sua visão sobre o que se aprendeu e como esse curso afetou nossas vidas universitárias. Através de imagens, de musicas, de desenhos, de objetos e depoimentos, percebeu-se que todos foram afetados de uma forma ou de outra. Então se pode dizer que o objetivo do curso foi alcançado, ao passo que provocou, mexeu e buscou sentimentos, conseguindo uma reação da parte dos envolvidos.


A articulação entre a educação e as identidades indígena e negra, implica em uma reeducação do olhar pedagógico sobre o índio e o negro. A escola tem sido uma das apostas para a construção de representações positivas sobre os povos que vivem a realidade da exclusão. Cabe a escola problematizar a questão das identidades junto à sociedade. Ao se problematizar as identidades no meio escolar, especialmente no campo da formação de professores, pode-se conseguir uma reversão na visão dos excluídos, podem-se conquistar corações nesta guerra pela identidade.










E assim se passaram dezesseis encontros.

VIGIAR E PUNIR. MICHEL FOUCAULT. RESENHA

Michel Foucault Vigiar e punir – Nascimento da prisão FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir : nascimento da prisão; tradução Raquel Ramalh...