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Mostrando postagens de Agosto, 2012

A Curiosidade Matou o Gato

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Sofia, impaciente, perambulava pela casa enquanto o técnico instalava o seu novo olho mágico. O olho mágico anterior, não era tão avançado quanto este, lhe permitindo ver somente até a porta em frente, onde vivia Jonas, um aborrecido viúvo, pensava Sofia. Uns dias antes, Sofia havia escutado as vizinhas conversando no corredor. Elas comentavam sobre uma formosura de mulher que havia se mudado para o 3º D. Sofia se deu conta imediatamente que se tratava do apartamento ao lado do seu, e reparou no tom empolgante com que as vizinhas haviam dito “formosura”.  Sofia completava 50 anos e já fazia uns 20 anos que raramente saia de casa, tudo por conta de uma fobia que desenvolvera, ela tinha pavor de deixar seu apartamento, temia tudo, era como se o mundo lá fora lhes fosse letal, só se sentia protegida dentro de casa. Se não saía de casa, tampouco falava com alguém, com exceção de Valdemar, seu santo marido. Homem único, ele era a bondade em pessoa, católico ortodoxo e suportava as fobias e …

...Sobre Calor e Loucura.

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Ele sempre teve problemas com os contrários... Bruce, não conseguia entender muito bem o porquê de existir opostos, o branco e o negro, o bom e o mal, o doce e o salgado, o claro e o escuro, alegre e triste, frio e calor, amor e ódio... Tudo isso fazia sua cabeça rodar e rodar... E como que preso em uma melodia telefônica interminável vinha àquela ânsia de tirar aquilo da cabeça. Bruce fazia sempre o contrário do que lhe diziam. Tinha sempre uma resposta negativa sobre todos os questionamentos da vida... Talvez assim pensasse que pudesse ser um espírito livre, vivendo sempre as margens das normas que a sociedade tentava lhe impor... Sentia mesmo que era diferente, que não pertencia aquele lugar, que não conhecia aquele mundo... De fato, o seu mundo, era só seu... O seu mundo era extraordinário, onipotente, delirante, apaixonante... Mas era só seu aquele mundo. Bruce vivia em um palácio de gelo, enquanto lá fora, longe de sua esfera, a realidade alcançava quarenta graus, em um calor caus…

A Morte do Zé Arara

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A Morte do Zé Arara[1] A viola produzia sons desvairadamente fortes, agitada pelos grossos dedos do Aniceto. E logo em seguida uma estrophe bem rimada elle atirava aos ouvidos dos seus companheiros de festa. O sapateado daqueles filhos do sertão fazia um barulho ensurdecedor, e as palmas batidas ao mesmo tempo e sem discrepância de compasso, produziam echos que se perdiam pelas quebradas das mattas. O Germano com uma toalha enrolada no pescoço trazia uma peneira transbordando de grossos e amarellos biscoutos de polvilho, que elle ia oferecendo aos convidados. Todos se regosijavam na festa de S. João, naquelle dia. Só o Zé Arara não parecia estar tranqüilo!... O seu insticto perverso e a sua má conducta o tornaram um rapaz desconfiado. A sua ousadia o fazia temido pelas famílias honestas. Os homens o detestavam, porque sabiam que elle, por sua brutalidade, coragem e valentia era, capaz de fazer saltar os miolos do seu próprio pae, se este tentasse contrariá-lo. Por felicidade não tinha matado o …