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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Nietzsche e a Moral Cristã – A Interpretação Dominante do Mundo Ocidental

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A moral cristã é produto de um determinado tipo de homem, um homem: fraco, incapaz de assumir a vida na sua complexa união de sofrimento e prazer, criação e destruição, nascimento e morte, horror e alegria. O que Nietzsche, em geral, critica nessa moral é o fato de ela corromper e atrofiar a vida humana. Eis os pontos essenciais da sua crítica: A moral cristã é decadente porque dignifica os falhados da vida.É imoral porque transforma em dever a vontade do nada, a negação da vontade de viver plenamente “esta vida”. É criminosa porque declara que é preciso matar as paixões, os instintos. Esta moral é antinatural, declara guerra à natureza.É doentia porque exige como condição da santidade, a mortificação e a crucificação da vida, do corpo.É dualista porque é baseada na proliferação das antinomias: alma-corpo, aquém--além, céu-terra, profano-sagrado, etc. Este dualismo é empobrecedor porque transforma um dos termos, que é ilusório e fictício, em…

Nietzsche e o Padre Ascético – o agente da Intoxicação e da Corrupção Generalizada da Vida

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No princípio era a força bruta, a bestialidade. A violência pura e simples presidia às relações entre os homens. Os senhores primitivos manifestavam o seu ser na dominação brutal e selvagem dos que a eles se submetiam. Era o reino do ferro e do sangue, da pura força instintiva. Como se dá a passagem do estado animal ou estado natural ao estado social? Os mais fortes, os dominadores, os conquistadores, constrangem os mais fracos a respeito de determinadas regras de vida. A força fez deles organizadores natos. A organização das relações sociais não nasce, portanto, de um contrato, mas sim de um constrangimento. A lembrança do ferro e do sangue transforma os fracos em seres obedientes, capazes de obedecer, força-os a criar a consciência do dever. O temor da punição obriga o fraco a renunciar à satisfação imediata dos seus desejos, a respeitar a ordem estabelecida pelo forte, a saber, cumprir as exigências da vida social. Esta repressão dos instintos, necessária à organização da vida em so…

Nietzsche e o Niilismo Ativo: a “morte de Deus” como grande vitória

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Depois de falar contra o “Niilismo passivo” do “último homem” e do “homem superior”, Nietzsche faz a defesa do “Niilismo ativo”. Por esta expressão deve entender-se a consciência de que os antigos valores que serviram de fundamento à vida humana não caíram por si, mas por obra de uma vontade que já não conseguia suportar a calúnia e o desprezo acerca desta vida e deste mundo. O “Niilismo ativo” não consiste em dizer não pura e simplesmente, mas em negar aquilo que negava a vida, propondo novos valores em harmonia com a realidade, uma nova atitude perante a vida. Aquele que se alegra com a “morte de Deus”, que a saúda como uma Boa Nova, não o faz por ressentimento, para se vingar dos que intoxicaram a humanidade. Esmagado sob o peso de valores e de instituições que revelaram o seu fundamento ilusório, o homem da vontade de poder afirmativa sente abrir-se e expandir-se o horizonte da sua ação. Os valores supremos perdem a sua validade, o seu caráter intocável e puro, e mostra a baixeza, …

Nietzsche e o Niilismo Passivo – O aparecimento do homem superior e do último homem

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Para Nietzsche a “Morte de Deus” causou profundas transformações no homem. Contudo, estas mudanças nem sempre produziram um homem melhor. Com a “morte de Deus”, surge o Niilismo – ausência de valores absolutos – que gerou de certa forma um novo homem. Nietzsche fala sobre o Niilismo Passivo e o Niilismo Ativo. Com o Niilismo Passivo surgem dois tipos de homem, o “homem superior” e o “último homem”. Vejamos como Nietzsche descreve esse dois tipos de homem, resultado do Niilismo Passivo, que Nietzsche não vê com bons olhos.
O “Homem Superior” – a continuação do homem anterior
Nietzsche apresenta o “homem superior” como àquele que age como se nada tivesse acontecido, ou seja, ele recebe a notícia da morte de Deus, mas continua a agir como se os valores dos quais ele era o fundamento não morressem com ele. O “homem superior” ainda acredita em valores absolutos, objetivos. A moral do “homem superior” é o produto irrisório de um ser débil que, morto o Pai, não deixou de ser o “menino de Deus”…

NIETZSCHE E O NIILISMO: O GRANDE PERIGO

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Nietzsche analisa que a morte de Deus, a boa nova, pode de acordo com o tipo de vida que a interpreta dar lugar a diferentes, a opostas formas de comportamento. O niilismo será interpretado de forma negativa ou de forma positiva de acordo com a realidade (intérprete fraco — intérprete forte) daquele que avalia esse evento. Assim, a morte de Deus encerra as mais altas promessas e os mais temíveis riscos. A negação de Deus é acompanhada pela preocupação de permitir a expansão da vontade criadora do homem. Se Deus existisse, existiria uma ordem de valores absolutos que seriam dados objetivos que a vontade humana encontraria já estabelecidos. O homem, que Nietzsche concebe como criador de valores veria a sua criatividade atrofiada e negada por Deus. Ora, saber estar à altura desse enorme acontecimento, desse ato tremendo que é a morte da fé no Absoluto, exige que o homem se torne diferente do que tem sido até agora. Esta transfiguração do homem, que cria novos valores e se supera a si mesm…

NIETZSCHE E O NIILISMO – AS TRANSFORMAÇÕES DA CULTURA OCIDENTAL

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Para Nietzsche o niilismo surge como uma consequência da morte de Deus. O reino de Deus, a “outra vida”, era o Sentido, a bússola ou o centro de referência da vida humana. Deus era o fundamento dos valores essenciais que orientavam a vida humana. Morta a fé em Deus, os valores tradicionais perdem qualquer valor, a Terra deixa de estar ligada ao céu e a luz divina já não se projeta sobre a vida humana. Uma vez perdido o seu Centro de referência ou o seu Sentido, a vida e o mundo parecem não ter sentido nenhum. A sensação de que já nada faz sentido, de que falta uma finalidade, de que tudo fica à deriva, corresponde à experiência do niilismo. Extinguindo-se a Luz e o Sentido, todos os valores tradicionais perderam a validade, a vida humana fica à deriva sem qualquer bússola que a oriente, sem qualquer Luz que a ilumine. O niilismo significa, portanto, a desvalorização de todos os valores “superiores”, de todas as respostas que a metafísica ocidental deu ao problema do sentido do mundo. A …

NIETZSCHE E O PERSPECTIVISMO: FORÇA E FRAQUEZA NA INTERPRETAÇÃO DO REAL

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Para Nietzsche o perspectivismo é uma concepção segundo a qual não conhecemos a realidade em si: não há verdades absolutas, mas avaliamos sempre de um determinado ponto de vista. As nossas concepções podem resultar de uma grande variedade de motivações, a cada tipo de homem a sua verdade.
A verdade não é fixa, eterna ou absoluta, mas está ligada à realidade psicofisiológica do homem que avalia, isto é, que produz valores ou ideias. Assim, como na base dos nossos juízos e valores está um determinado tipo de vida e não um sujeito abstrato, uma visão global e única da realidade é uma ficção: quando julgamos, quando emitimos juízos, fazemo-lo sempre do nosso ponto de vista e por isso os nossos juízos são avaliações e não verdades absolutas.
A tradicional oposição entre verdade e erro reduz-se para o filósofo alemão a diferença de interpretação. Tudo é interpretação: “Não há fatos, somente há interpretações”. Estas são obra da vontade de poder, negativa ou positiva, daquele que interpreta. H…

E tudo mudou...

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O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do &…

NIETZSCHE E A DECADÊNCIA DA CULTURA OCIDENTAL EM SÓCRATES

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Para Nietzsche, Sócrates (e Platão) é um momento decisivo no percurso cultural do Ocidente. Com ele acaba a grande época da tragédia grega — glorificação da vida mesmo nas suas dimensões dolorosas e sombrias — e começa uma época em que a tendência é a de procurar fugir às contradições, aos sofrimentos, a tudo o que a vida tem de sensível e de físico. Sócrates, no entender de Nietzsche, inventou a metafísica, transformou a filosofia na procura do inteligível e do eterno (supra-sensível) pregando a renúncia ao mundo sensível, ao mundo do devir e ao corpo, considerado como “o carcereiro da alma”. Inaugura-se com Sócrates uma atitude que caracterizará, em geral, a cultura ocidental: a “calúnia do sensível”, a desconfiança em relação ao corpo e aos sentidos, o desprezo e a condenação de tudo o que é natural. Com Sócrates faz-se da vida aquilo que deve ser julgado em nome da razão, em nome de valores considerados “superiores”, tais como a Verdade e o Bem, identificados com o divino, o supra…