Nietzsche e a Moral Cristã – A Interpretação Dominante do Mundo Ocidental


A moral cristã é produto de um determinado tipo de homem, um homem: fraco, incapaz de assumir a vida na sua complexa união de sofrimento e prazer, criação e destruição, nascimento e morte, horror e alegria. O que Nietzsche, em geral, critica nessa moral é o fato de ela corromper e atrofiar a vida humana. Eis os pontos essenciais da sua crítica:
  • A moral cristã é decadente porque dignifica os falhados da vida.
  • É imoral porque transforma em dever a vontade do nada, a negação da vontade de viver plenamente “esta vida”.
  • É criminosa porque declara que é preciso matar as paixões, os instintos. Esta moral é antinatural, declara guerra à natureza.
  • É doentia porque exige como condição da santidade, a mortificação e a crucificação da vida, do corpo.
  • É dualista porque é baseada na proliferação das antinomias: alma-corpo, aquém--além, céu-terra, profano-sagrado, etc. Este dualismo é empobrecedor porque transforma um dos termos, que é ilusório e fictício, em realidade, para tentar reduzir a nada o outro termo, que é real e efetivo.
  • É profana, não sagrada, porque declara como baixo aquilo que é supremo: o sim à vida na sua totalidade. Profana “esta vida” e proclama sagrado o que deriva desta profanação.
  • É niilista porque visa negar esta vida e este mundo. Nietzsche diz que o mundo que se inventou para dar um sentido a “este mundo” é um contra-senso porque não se dá sentido a este mundo negando-o e caluniando-o.
A Moral Cristã pretende ser uma moral de salvação, mas a “salvação” é a suprema perdição porque implica a mortificação, a castração dos instintos superiores de vitalidade. “Salvai-vos!” significa “Afundai-vos!”, “Perdei-vos para esta vida porque ela não merece ser vivida por si”. Há algo de fúnebre nesta receita “salvadora”.
Como é que esta visão moralista da realidade se tornou dominante? Como é que a moral que nega a vida, a moral dos fracos e vingativos, a moral cristã, se tornou a moral do homem ocidental? Como pode o fraco dominar o forte? Fazendo com que este prefira o que lhe é desfavorável, ou seja, conduzindo-o à depreciação dos instintos que o definem como forte. Numa só palavra, intoxicando-o, fazendo-o sentir a sua exuberância, a sua esplêndida harmonia com o caos da vida, como pecado, como privilégio indevido.

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