NIETZSCHE E O PERSPECTIVISMO: FORÇA E FRAQUEZA NA INTERPRETAÇÃO DO REAL



Para Nietzsche o perspectivismo é uma concepção segundo a qual não conhecemos a realidade em si: não há verdades absolutas, mas avaliamos sempre de um determinado ponto de vista. As nossas concepções podem resultar de uma grande variedade de motivações, a cada tipo de homem a sua verdade.

A verdade não é fixa, eterna ou absoluta, mas está ligada à realidade psicofisiológica do homem que avalia, isto é, que produz valores ou ideias. Assim, como na base dos nossos juízos e valores está um determinado tipo de vida e não um sujeito abstrato, uma visão global e única da realidade é uma ficção: quando julgamos, quando emitimos juízos, fazemo-lo sempre do nosso ponto de vista e por isso os nossos juízos são avaliações e não verdades absolutas.

A tradicional oposição entre verdade e erro reduz-se para o filósofo alemão a diferença de interpretação. Tudo é interpretação: “Não há fatos, somente há interpretações”. Estas são obra da vontade de poder, negativa ou positiva, daquele que interpreta. Há a interpretação do forte e a do decadente, a do senhor e a do escravo, a do criador e a do homem reativo, a do são e a do doente.

Se tudo é interpretação, nem todas as interpretações se equivalem. Certas interpretações são baixas, reativas, niilistas; outras são nobres, ativas, criadoras. Assim, a crença de raiz platônica num “mundo-verdade” é perversa porque provém não do instinto vital, mas do cansaço de viver; assim a ciência é plebéia e falsificadora porque provém da necessidade banal de manipular e de comunicar. Toda a interpretação provém dos instintos. Mas há bons e maus instintos: Todo o conhecimento é uma ilusão vital, verdadeiro porque útil a determinadas formas de vida. Contudo, há erros vis e servis e erros ou ilusões nobres que exprimem a exuberância da saúde e do “sim” a esta vida.

O valor de um conhecimento depende da nobreza do instinto e do tipo de vida que prefere aquele que interpreta e não do seu objeto. O conhecimento é um processo de interpretação que se funda nas necessidades vitais daquele que interpreta, melhor dizendo, na sua forma de encarar a vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Propostas de Exercícios do livro "O Cortiço".

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. pp. 14-76. (Fichamento e Resenha)

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. IN: Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico. Campinas, SP: Papirus, 1995. (Fichamento e Resenha)