Postagens

Mostrando postagens de 2015

Cartas Chilenas - Carta 8ª

Lamentando o triste fato de que “Fanfarão” distorce as Leis que foram criadas para a proteção dos fracos, para impedir que gananciosos e avarentos se aproveitem dos de menos posses, Critilo, na sua 8ª carta, faz um desabafo a seu amigo Doroteu: Gostaria que Minésio, o Fanfarão, tivesse recebido instrução, instrução escolar, enquanto criança, pois assim, quem sabe, este poderia ter desenvolvido um pouco de justiça em sua pessoa.

Que não busque cobri-los com tal capa, Que inda se persuadaque os mais homens
Lhos ficam respeitando como acertos?

“Que não busque cobri-los com tal capa, ” – que não os esconda com uma falsa aparência. Com essas palavras, Critilo, relata que no governo de Minésio, tudo se faz uma farsa. Os atos de corrupção de Minésio e dos seus lacaios, são como que cobertos por uma capa de justiça e retidão.
Maldito, Doroteu, maldito seja O pai de Fanfarrão, que deu ao mundo,
Ao mundo literário tanta perda,
Criando ao hábil filho numa corte,
Qual morgado, que habita em pobre aldeia…

Cartas Chilenas - Carta 7ª

Critilo inicia a 7ª carta comparando a riqueza e a boa vida que os nobres desfrutam em Portugal, aqui chamada de Espanha. Os nobres são possuidores de fazendas com palácios e muitos servos. Porém, longe do reino de nossa majestade, aproveitadores, como Minésio, desfrutam de regalias destinadas aos nobres, contudo, ele e seus lacaios, se possuem riquezas são as extorquidas das pessoas de bem e em geral dos mais pobres.

Assim os generais da nossa Chile Têm diversas fazendas: numas passam
As horas de descanso; as outras geram
Os milhos, os feijões e os úteis frutos
Que podem sustentar as grandes casas. (p.112)

“Que podem sustentar grandes casas”. – Em Vila Rica há grandes proprietários que possuem pelo menos duas terras. Uma para divertimento e outra que gera lucros tão altos que podem sustentar várias famílias ou casas luxuosas.
Indigno, indigno chefe! Tu não buscas O público interesse. Tu só queres
Mostrar ao sábio Augusto um falso zelo;
Poupando ao mesmo tempo os devedores,
Os grossos dev…

Cartas Chilenas - Carta 6ª

Na 6ª carta, Critilo, conta sobre os andamentos da festa, em que os membros antigos e de prestígio da cidade são deixados de lado, para que Minésio possa receber toda a atenção. Em meio a todo aqueles acontecimentos que estão envoltos de corrupção e obscenidades, Critilo avista no camarote de Minésio, sua doce amada Nise. Neste momento seu coração para, ele não quer acreditar no que seus olhos lhe revelam. Como se não fosse suficiente, ver sua amada entre aqueles abusadores do poder, Critilo, ainda vê sua amada ser cortejada por um dos lacaios de Fanfarão. Neste instante, sua ira é tanta que ele pega sua espada disposto a traspassa-la ao meio, por tamanho afronte. Quão aliviado fica ao perceber que aquela cena fora apenas um sonho ou melhor um pesadelo!

Soberbo e louco chefe, que proveito Tiraste de gastar em frias festas
Imenso cabedal, que o bom Senado
Devia consumir em coisas santas?
Suspiram pobres amas e padecem
Crianças inocentes, e tu podes
Com rosto enxuto[517] ver tamanhos males?
E…

Cartas Chilenas - Carta 5ª

Na 5ª carta, Critilo, conta as desordens feitas nas festas, caras festas, que são um claro desperdício de dinheiro público. Em tais festas, todos os lacaios de Fanfarrão e pessoas ligadas ao poder público têm participação. O desperdício de recursos com festas que além de onerosas, só servem para satisfazer os desejos de Minésio, faz com que Critilo teça uma interessante comparação entre o infame governante e o imperador Romano do passado:
Quem pode, Doroteu, zombar, contente
Do César dos Romanos, que gastava
As horas, em caçar imundas moscas?
Apenas isto lemos, o discurso
Se aflige, na certeza de que um César,
De espíritos tão baixos, não podia
Obrar um fato bom, no seu governo.
(Cartas Chilenas, p. 38) Um César de espírito baixo, que gasta seu tempo a caçar moscas! Com essas palavras Critilo deixa bem claro seu total desacordo com o estilo ostentoso de vida que o governante leva. Além de tudo, existe o total desrespeito às tradições da igreja. Minésio não respeita nem a autoridade do idoso bi…

Cartas Chilenas - Carta 4ª (reeditado)

Cartas Chilenas - Carta 3ª (reeditado)

Cartas Chilenas - Carta 2ª (reeditado)

Cartas Chilenas - Carta 1ª (reeditado)

Cartas Chilenas - Introdução (reeditado)

Imagem
A obra “Cartas Chilenas” é um texto satírico da literatura brasileira. Trata da corrupção de Luís da Cunha Meneses, governador da capitania de Minas Gerais entre 1783 e 1788. Nestas Cartas, “chilenas” querem dizer “mineiras”. Chile é Minas Gerais; Santiago, Vila Rica. Os personagens também despistam a inspiração: O governador ficou ilustrado por Fanfarrão Minésio; o autor se autodenomina Critilo; o destinatário das cartas chama-se Doroteu. Escrito sobre anonimato, para se evitar represálias, sendo atribuída de consenso a Gonzaga, por volta de 1845. O autor expõe os costumes da cidade de Vila Rica de modo caricato e impiedoso, não perdoando, sobretudo os atos grosseiros e desmandos da aristocracia. Cada carta segue um enunciado onde se estabelece a temática da carta: a entrada de Fanfarrão no Chile; a fingida piedade deste a fim de conseguir negócios; suas violências e injustiças; o casamento do futuro rei D. João 60 e Carlota Joaquina; as desordens e brejeirices de Fanfarrão.

A influênc…

Escrever com Atitude: 15 coisas que deve evitar para melhorar sua escrita.

Imagem
Muitos livros, blogs, artigos e revistas na atualidade, tem sido escritos com a intencionalidade de autoajuda.Confesso que não sou muito adepto desse tipo de leitura, porém, me chamou a atenção um artigo de um blog com título em espanhol: Actitud escritora: 15 cosas que hay de dejar de lado para escribir mejor. Tratava-se da tradução de um artigo em Inglês que tem o título: 15 Things You Should Give Up To Be Happy. O artigo em Inglês traz dicas sobre como ser feliz no casamento e o tradutor para o espanhol adaptou, o texto, com dicas de como escrever melhor e ser feliz fazendo isso. Achei o artigo de muito bom gosto e com sugestões interessantes. Decidi traduzi-lo para o português, pensando nas pessoas que, como eu, se dedicam a escrever, seja como passatempo ou profissionalmente. Para quem desejar ler a versão espanhola ou o original Inglês, podem fazê-lo clicando nos links abaixo: Tradução em Espanhol Original em Inglês 15 coisas que você deve deixar de lado para escrever melhor, e quem …

II OUVINDO VOZES E PROMOVENDO DIÁLOGO - MESTRADO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO PARA CIÊNCIAS E MATEMÁTICA DO IFG - CÂMPUS JATAÍ

Imagem

A Educação Cientifica e a Formação para a Cidadania

A Educação a partir do século XX tem como objetivo a formação do cidadão. Espera-se que este cidadão esteja preparado para enfrentar os desafios do mundo moderno. Com os avanços científicos e tecnológicos alcançados, na atualidade, a educação cientifica se converteu numa exigência urgente, num fator do desenvolvimento das pessoas e dos povos. Uma alfabetização cientifica “surge dos anseios da sociedade por uma participação mais eficiente e atuante nos debates de ordem sócio científico e tecnológico do espaço em que convivem e se relacionam” (LUZ: 2013 p. 1).           A educação cientifica tem sido ressaltada e pensada nos encontros de educadores, nos trabalhos de investigação, em publicações e congressos. A investigação em didática das ciências destaca que ocorre reiteradamente um elevado insucesso escolar, caracterizado pela falta de interesse e em alguns casos até mesmo de repulsa, que as matérias científicas têm gerado. Alfabetização cientifica é segundo Bybee, citado por CACHAPUZ …

A Alienação do Homem em Função do Trabalho

O homem: um ser alienado em função do trabalho. Esta frase pode muito bem resumir o que Marx (2004) pensava do homem em sua relação com o trabalho. A crítica de Marx (2004) é dirigida a uma economia e a uma sociedade que transformam o homem numa mercadoria das mais deploráveis e sem valor. Esta sociedade tem dividido os seus membros em senhores e servos, ou melhor, entre possuidores de propriedadese trabalhadores sem propriedades. Sociedade que explora o indivíduo, que enriquece cada vez mais com o trabalho que explora, enquanto o trabalhador se torna mais miserável à medida que produz mais riquezas. Marx (2004) comenta: A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e parciais que um objeto só é nosso quando o temos, quando existe para nós como capital ou quando por nós é diretamente possuído, comido, bebido, transportado no corpo, habitado, etc., ou melhor, quando é utilizado. [...] Portanto, todos os sentidos físicos e intelectuais foram substituídos pela simples alienação de todos

O mundo do trabalho e a coisificação do trabalhador

O mundo do trabalho não é em momento algum harmonioso, mas em algumas situações chega-se a limites inaceitáveis. Como exemplo, podemos citar a exploração da mão de obra em regime de escravidão. Este tipo de exploração é mais comum do que se imagina e por diversas vezes somos informados de trabalhadores que são vítimas de pessoas ou grupos inescrupulosos. Recentemente, no dia 28 de agosto de 2014, a notícia que me chamou atenção foi veiculada pela televisão e na internet. O artigo da internet tinha o título: “Com suor de escravos, produtos da Sadia e Perdigão rendem multa”, a notícia falava sobre a utilização de mão de obra escrava na produção de alimentos na empresa BRF, dona das marcas Sadia, Perdigão e Batavo. O grupo BRF fora condenado a pagar indenização por dano moral coletivo no valor de 1 milhão de reais por manter trabalhadores em condições análogas às de escravos. O fato ocorreu em uma fazenda no município paranaense de Iporã. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional do …