A Ciência e a sua utilização pelo Capitalismo


A Republica de Cingapura é uma cidade-estado, localizada na Península Malásia, constituída por 63 ilhas e com aproximadamente cinco milhões de habitantes. Embora com território pequeno, Cingapura é um dos quatro Tigres Asiáticos, junto com Hong Kong, Coréia do sul e Taiwan. Tem também o quarto principal centro financeiro do mundo, o Marina Bay Sands, sendo considerada a melhor cidade para se fazer negócios, segundo o Banco Mundial. Possui ainda um dos mais modernos aeroportos, o segundo maior mercado de jogos de cassino e o porto mais movimentado do mundo. Cingapura é o lar do maior número de milionários per capita do planeta.

Cingapura é o maior distribuidor de mercadorias do mundo, devido a sua posição estratégica, localizada entre os oceanos Índico e pacífico. Durante o período em que o país cresceu economicamente, muitas praias foram transformadas em portos gigantescos. Agora Cingapura tenta recuperar o que perdeu criando praias artificiais que são verdadeiros paraísos. As casas e propriedades foram vendidas e construíram-se prédios modernos e luxuosos no lugar. Mas em meio a toda essa riqueza e arquitetura moderna, situada a 15 quilômetros do movimentado centro urbano, existe um lugar que não está à venda. Este lugar é a última área antiga de Cingapura. Ali vivem cerca de 30 famílias. A proprietária do lugar, Sun Mi Hong, em entrevista a repórter Glória Maria, no programa Globo Repórter, exibido em 09/05/2012, disse que diariamente, recebe propostas para vender a área, porém, ela garante que não lhe interessa o dinheiro, ela quer é preservar o modo antigo de vida.

A resistência de Sun Mi Hong, à chamada “modernização”, ilustra muito bem o que temos que enfrentar diariamente. Quanto tempo esta senhora resistirá, não sabemos, mas com certeza, mais dia ou menos dia, o capitalismo vigorará. Embora em um grau menor, somos também pressionados a “modernizar-nos”, a atualizar-nos tecnologicamente. Falando francamente, temos perdido a luta, temos nos rendido aos avanços científicos.
Na análise que Gérard Fourez (1995) faz sobre a relação “ciência e ideologia”, ele observa que a ciência pode ser uma ferramenta útil para criticar os discursos ideológicos, que objetivam a legitimação das posições políticas dominantes. No entanto, devemos nos lembrar de que a ciência é financiada pela própria burguesia e como tal, não poderia deixar de atender aos seus apoiadores. Assim, muitas vezes, a ciência moderna surge como produtora cultural particular, de uma civilização própria. Como diz Fourez (1995):
Quando a ciência se apresenta como eterna, quando pretende poder dar respostas “objetivas e neutras” aos problemas que nós nos colocamos, considero-a como ideológica de segundo grau. Pelo contrário, quando se apresenta como uma tecnologia intelectual relativa e historicamente determinada, é ideológica de primeiro grau, ou seja, não oculta o seu caráter histórico (FOUREZ, 1995, p. 188)
 
 Fourez (1995) fala sobre o abuso de saber da tecnocracia, pois o “conhecimento cientifico não é neutro” (FOUREZ: 1995, p. 212). A tecnologia tem se apresentado como elemento ideológico, porém, o grau desta ideologia é que será determinado, mediante suas pretensões, quer como contribuinte para o bem estar da humanidade, quer como o único meio de alcançar o bem estar. Particularmente sou a favor dos avanços tecnológicos e os utilizo com constância. Mas, compreendo a necessidade de sermos criteriosos quanto a como utilizamos as tecnologias e os avanços científicos atuais. É preciso que reflitamos sobre esse assunto, afim de não perdermos de vista os valores humanos que devem prevalecer, ou melhor, não esquecer que todo avanço cientifico, se não levar em contas, o bem estar do ser humano, não tem razão de ser. A Ciência tem de ser uma aliada do ser humano, tem de contribuir para a melhoria do homem e não ser sua ruína.
 
Referências:
 
FOUREZ, Gérard. A Construção das Ciências: introdução à filosofia e a ética das ciências. São Paulo: Editora UNESP. 1995.
Globo Repórter. Cingapura. Programa apresentado em 09/05/2012. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=vTTnsAdw5yc> Acesso em: 18 ago. 2014
 

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