Cartas Chilenas - Carta 6ª

Na 6ª carta, Critilo, conta sobre os andamentos da festa, em que os membros antigos e de prestígio da cidade são deixados de lado, para que Minésio possa receber toda a atenção. Em meio a todo aqueles acontecimentos que estão envoltos de corrupção e obscenidades, Critilo avista no camarote de Minésio, sua doce amada Nise. Neste momento seu coração para, ele não quer acreditar no que seus olhos lhe revelam. Como se não fosse suficiente, ver sua amada entre aqueles abusadores do poder, Critilo, ainda vê sua amada ser cortejada por um dos lacaios de Fanfarão. Neste instante, sua ira é tanta que ele pega sua espada disposto a traspassa-la ao meio, por tamanho afronte. Quão aliviado fica ao perceber que aquela cena fora apenas um sonho ou melhor um pesadelo!

Soberbo e louco chefe, que proveito
Tiraste de gastar em frias festas
Imenso cabedal, que o bom Senado
Devia consumir em coisas santas?
Suspiram pobres amas e padecem
Crianças inocentes, e tu podes
Com rosto enxuto[517] ver tamanhos males?
Embora! Sacrifica ao próprio gosto
As fortunas dos povos que governas;
Virá dia em que mão robusta e santa,
Depois de castigar-nos, se condoa[518],
E lance na fogueira as varas torpes.
Então rirão aqueles que choraram;
Então talvez que chores, mas debalde:
Que suspiros e prantos nada lucram
A quem os guarda para muito tarde.
(Versos 516b-518)

Assim como Minésio age, se divertindo e provocando o mal, ele há de ser tratado. Deus em sua misericórdia há de suscitar um salvador que ponha fim a todos os abusos de Fanfarão e seus lacaios.

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