Cartas Chilenas - Carta 8ª

Lamentando o triste fato de que “Fanfarão” distorce as Leis que foram criadas para a proteção dos fracos, para impedir que gananciosos e avarentos se aproveitem dos de menos posses, Critilo, na sua 8ª carta, faz um desabafo a seu amigo Doroteu: Gostaria que Minésio, o Fanfarão, tivesse recebido instrução, instrução escolar, enquanto criança, pois assim, quem sabe, este poderia ter desenvolvido um pouco de justiça em sua pessoa.

Que não busque cobri-los com tal capa,
Que inda se persuada que os mais homens
Lhos ficam respeitando como acertos?

“Que não busque cobri-los com tal capa, ” – que não os esconda com uma falsa aparência. Com essas palavras, Critilo, relata que no governo de Minésio, tudo se faz uma farsa. Os atos de corrupção de Minésio e dos seus lacaios, são como que cobertos por uma capa de justiça e retidão.

Maldito, Doroteu, maldito seja
O pai de Fanfarrão, que deu ao mundo,
Ao mundo literário tanta perda,
Criando ao hábil filho numa corte,
Qual morgado, que habita em pobre aldeia!

Critilo acredita que se Minésio tivesse o conhecimento das palavras, poderia recorrer aos altos das leis, em que vários pobres, foram beneficiados. Esses relatos, em que se fez justiça aos de condição humilde, poderia mover Minésio a praticar, pelo menos um pouco de justiça. Porém, Fanfarão, não recebera instrução literária, mas fora criado nos meios políticos, em que se tem uma noção totalmente desvirtuada do poder de um governante, atuando antes como um poderoso imperador que busca seu próprio deleite e satisfação.

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