As Origens do Pensamento Grego


Jean-Pierre Vernant, ao escrever o livro “As Origens do Pensamento Grego”, procura resgatar um aspecto social que muita falta tem feito no mundo atual: “O Humanismo”. É digno de nota que entre o pensamento grego havia valores que determinavam o que é cultura. Hoje, a ausência desses valores e do humanismo tem gerado uma “sociedade tecnocrata”. Neste procurarei através do pensamento de Vernant, entender o pensamento grego, suas origens e como esse pensamento pôde influenciar de modo positivo uma sociedade.


Entre os séculos VII e VIII surge a polis grega, ou as cidades-estado. Essa foi uma invenção que teve um aspecto social inteiramente novo entre os gregos.

Um primeiro aspecto de influência da polis se dava ao fato de haver uma superioridade da palavra sobre outros instrumentos do poder. Os gregos transformaram o uso da palavra em uma verdadeira divindade. Raciocinam que esse poder das palavras já é sentido nos rituais religiosos e nos decretos reais. Agora desejam levar essa importância da palavra ao povo em comum, que poderá através da exposição de discursos, atuarem como juízes assegurando a um dos lados a vitória.

Em segundo lugar a polis apresenta a oportunidade de um domínio público, em oposição a processos secretos. Isso se faz por haver discussões em pleno dia, onde todos podem avaliar o conjunto das condutas, dos processos, dos conhecimentos. Os gregos adotaram um sistema totalmente democrático, dando acesso a todos ao plano intelectual. Portanto, quem se impunha pela força, agora deverá fazer uso da dialética para que seja aprovado.

Entre os gregos a vida política era marcada pela palavra falada e agora a palavra escrita passa a marcar a vida intelectual. Através da palavra escrita se faz a redação das leis. O que é garantia de permanência e acessibilidade de todos. De modo que “dizer” o direito se torna o bem comum, a regra geral. É claro que em certos aspectos o caráter divino das leis ainda permanece, mas agora um divino modificável e mais perto das pessoas.

Até mesmo no aspecto religioso o pensamento grego, conforme gerido pela polis, tem a ampla influência. Anteriormente os sacerdotes tinham como propriedade particular a proteção divina, tinham como que um “parentesco especial com esse poder divino”. A polis confisca esse relacionamento particular, pessoal, com o poder divino, e o transforma em acesso público em benefício da população comum. Objetos que eram sacros e eram mantidos em secreto se tornaram imagens que servem para serem vistos e para darem um espetáculo de “ensinamento sobre os deuses”.

Com o surgimento da polis e a mudança do pensamento grego, a sociedade se vê sempre confrontada com dois caminhos a seguir sempre. Havendo assim uma divisão de opiniões e esta não será recusada devido ao fato de ser uma promoção dos gregos. Por exemplo, com o surgimento da filosofia a duas posições a adotar, ou se aceita os mistérios ou se aceita que o mundo seja aberto em todos os aspectos. Os filósofos vivem em conflitos, em uma hora se imaginam iluminados, como todas as respostas e em outra ocasião se retiram do mundo, fechando em si.

Então o pensamento grego trouxe o “prestígio para a palavra”, bem como o desenvolvimento das práticas públicas, e em outro aspecto trouxe também a “semelhança” do povo grego. Embora cada um tenha sua origem, sua função, sua classe, parece que de certa maneira há uma “semelhança” de uns e outros. Esta semelhança produz a unidade da polis.

Com o desenvolvimento democrático da polis grega, há uma rejeição da aristocracia, pois esta reforça o individualismo e assim causa desigualdades sociais, o que seria prejudicial à unidade. Desta forma, este pensamento grego dá o devido valor ao humanismo o que garante no mínimo uma boa convivência entre semelhantes.

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