Saudades da Infância

Quem dera poder voltar ao tempo de infância.
Quem dera poder estar na casinha simples
E acolhedora da fazenda.
Quem dera subir no meu pé-de-manga coração-de-boi,
Que se erguia imponente entre as outras arvores até
Tocar em um pedacinho do céu.

Quem dera correr pelo chiqueiro entre os porcos,
Que não se preocupavam com nada,
Que viviam sua vidinha perene e medíocre.

_ Vamos pegar goiaba!?
_ Oba! Oba! Eu quero da vermelha!
_ Ah, eu vou querer da branca, é bem mais docinha!

Quem dera colocar meus pés nas águas do córrego
Que passava no fundo do quintal. As suas águas
Corriam sempre tão suaves, e paravam por um instante
Debaixo da figueira, para se refrescarem.

_ Vamos brincar de Tarzan!?
_ Vamos, vamos, vou cortar um cipó, pra atravessarmos
voando pro outro lado.
_ Cuidado! Não pegue cipó seco, viu?
_ Pode deixar, achei um bom!

_ mãeee, tem formigas aqui! Me proteja mãe!
São muitas formigas, mãe! Não deixa elas me picarem!

Elas passam, correição, como uma enxurrada
Que corre depois de uma chuva de verão. Pronto!
Se foram! Já passou. Agora tá tudo bem!

_ Hoje eu quero ir ao grupo, estudar!
_ Hoje tem merenda! É galinhada, huuuummm que delícia!
_ Vamos logo! Os meninos já estão esperando pra gente
Brincar de pique-pega.

O tempo passou tão depressa!
Já é hora de ir embora?
Posso voltar amanhã?
Será que já é muito tarde?
Onde estão os meninos
Pra brincarmos de pique-pega?
Cadê meu pé-de-manga Coração-de-boi?

O córrego continua lá, suas águas são as mesmas,
Suaves, serenas, tranqüilas. Mas cadê a figueira?
Assim como as águas, eu procuro e não encontro a
Graciosa figueira. E agora? Onde o córrego refrescará
Suas águas?

Lentamente, como que com um nó na garganta,
O córrego segue tristemente seu caminho.
Igualmente, minha alma segue seu caminho
Sem dizer uma palavra. Apenas abaixo a cabeça
E sinto uma mornidão por dentro, por não ter onde
Refrescar meu espírito.
Uma mornidão, provocada pela saudade causticante
De um tempo que não volta mais.

_ Mãe, me coloca pra dormir!? Mas não apague a lamparina,
Por favor! Tenho medo do escuro!

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com.br/ 

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