O Preço do “Progresso”: O Dilema da Água

...”Apostando no total White, a Cantão começou o desfile, na Fashion Rio, com looks inteiros brancos e mix de texturas. Apresentou também tricôs de linho e de seda rústica, shapes arredondados com pegada ecofriendly, com cores da natureza, como o verde floresta, o off White e o caramelo e por último mostrou sua Vibe grunge, com vestidos chemise, macacões no clássico tartan, aliados às botas e meias de lã”......

Eventos de moda como a citado acima são uma constante nos grandes centros. Não é incomum nestes desfiles de moda o uso de temas, palavras, expressões, chavões, que remetam a natureza e a preocupação com a sustentabilidade, palavra que esta muito na moda em nossos dias. “ecofriendly” dá a ideia de “amigo da natureza”. As cores nos lembram as cores da natureza. Quer dizer, eu uso esta marca sem culpa, eu sou defensor do meio ambiente! Será que é assim mesmo?

A indústria têxtil é uma das maiores consumidoras de água do setor produtivo. Para processar 1 kg de tecido, são necessários aproximadamente 80 l de água. Dependendo do processo, esse valor pode subir para até 300 l, dos quais cerca de 80% é descartado como efluente e pouco mais de 10% do total compõe as perdas por evaporação.

Além do grande volume, os efluentes da indústria têxtil são de difícil tratamento em função da carga orgânica, presença de corantes e variada composição química, incluindo amaciantes, agentes finalizadores, biocidas, pesticidas, benzenos halogenados, surfactantes, fenóis, tintas, metais pesados e sólidos dissolvidos. Nos processos úmidos como lavagens, branqueamento, tingimento, acabamento dos tecidos e lavagens de pisos e equipamentos, outros aditivos são utilizados. As substâncias químicas conferem não apenas cor ao corpo d’água, mas afetam significativamente a atividade de fotossíntese.

Do ponto de vista ambiental, a indústria têxtil sofre grandes pressões do poder público, da comunidade e de clientes. Como resposta, é preciso ter um posicionamento seguro com relação à carga poluidora gerada. Como não é possível eliminar a água da cadeia produtiva, uma solução cada vez mais adotada é o reuso.

A situação tende a se agravar com a expansão econômica do país. Segundo uma pesquisa da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, o setor cresceu em média 16,5% ao ano entre 2006 e 2010. O Brasil está na lista dos 10 principais mercados mundiais da indústria têxtil. É o segundo principal fornecedor de índigo e o terceiro de malha; está entre os cinco principais países produtores de confecção e é hoje um dos oito grandes mercados de fios, filamentos e tecidos.

As lavanderias não ficam atrás. O último levantamento da Anel – Associação Nacional das Empresas de Lavanderia, de 2009, mostrou faturamento anual de mais de R$ 2,5 bilhões e previsão de 25% de crescimento para os cinco anos seguintes. Somente melhorias no processo produtivo e redução de desperdícios poderão promover formas sustentáveis de impulsionar esse crescimento.

É claro que a solução não é parar de fabricar roupas, acabar com a indústria da moda, tornar adeptos do nudismo, ou algo assim. Uma parte da solução reside na palavra “responsabilidade”. É preciso que cada Mega Indústria da moda arque com sua produção de poluição. Assim, pra cada milhão ganho, e são muitos, a indústria deveria investir o equivalente na recuperação do meio ambiente. Radical? Muito pesado para as indústrias? Mas e para o meio ambiente, será que a contínua exploração, sem descanso, sem um mínimo de alívio, também não é pesado? Pra quê servirá todos milhões ganhos se não houver mais natureza, e consequentemente, nem mais seres humanos? Pra quem a Mega Indústria da Moda irá vender seus modelos?





O dilema existe, uma solução é possível. Mas para qualquer melhoria é preciso ação positiva. Responsabilidade é a resposta para o dilema da Água.

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