segunda-feira, 26 de julho de 2010

Friedrich Nietzsche e a Grande Política da Linguagem.- Por: Viviane Mosé


Neste artigo apresento uma visão simplificada da filosofia de Friedrich Nietzsche, conforme apresentado por Viviane Mosé no seu livro mostrado ao lado. Friedrich Nietzsche viveu de 1844 a 1900. Embora tenha vivido no século XIX, antecipou algumas questões que marcaram as mentes de pessoas dos séculos XX e XXI. Filósofo extremamente erudito de uma época diferente da nossa, segue uma linha dura. Foi um forte critico da filosofia. viveu no século da Ciência onde havia um grande euforismo entre as pessoas. Foi neste presente que nasceu a idéia de futuro, as pessoas falavam mais sobre o que esperavam, falavam sobre o futuro dos seus filhos, queriam traçar uma linha que conduzisse a felicidade. Neste clima, Nietzsche estuda os Gregos pré-Socráticos, que seguiam a arte como uma maneira de explicar as coisas a volta. Para Nietzsche, esses são os verdadeiros filósofos. Nietzsche adota a idéia do "Devir". E se apega a três linhas de raciocínio para explicar sua filosofia: A arte, O pensamento e o Saber. Ele Tem uma visão critica e ácida do Cristianismo e da modernidade. Falando sobre si mesmo, Nietzsche disse: "Não Sou um Homem, Sou Uma Dinamite". Veja a seguir o que essa Dinamite pensava, na visão simples da filósofa Viviane Mosé.
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Viviane Mosé
A Grande Política da Linguagem
(Friendrich Nietzsche – 1844-1900)

Na sua proposta, Viviane Mosé, pretende usar o pensamento de Nietzsche, do final do século XIX, para pensar o presente. É preciso que se entenda que o que foi apresentado por Nietzsche, pode ter uma ampla aplicação em nossos dias, pois ele aborda a temática do pensamento e como somos influenciados por esses pensamentos que imaginamos ser a realidade, mas que não se concretizam no dia-a-dia. Nietzsche, aos olhos da filosofia, esclarece como na maioria das vezes usamos as palavras com o falso intuito de fugirmos de nossos conflitos internos.

Para avançarmos no nosso futuro, ou estabelecermos uma seqüência, um caminho que seja condutor a felicidade é preciso que repensemos a história da humanidade. Olhar como os homens com a sua história, ou tiveram êxito em alguns aspectos, e como podemos copiá-los; ou perceber suas desventuras e minimamente tentar entende-las, para que possamos evitar, ou nos preparar para lidar com a problemática da vida atual e da por vir.

Falando sobre a postura filosófica de Nietzsche, Viviane, mostra que acima de tudo ele foi um profundo critico da filosofia Platônica e Socrática. Nietzsche estudou o Grego Arcaico e com o conhecimento da língua se empenha em estudar os pré-socráticos, pois no seu modo de analise, o mundo foi influenciado por esse modelo filosófico criado por Platão e Sócrates, que lógico, como não era acessível a maioria das pessoas, fora assimilado pela religião cristã e popularizado. Hoje, então, temos o Cristianismo como expansor da filosofia Platônico-Socrática.

Mas, a idéia de Nietzsche é justamente, se desfazer desta filosofia, e por entender o pensamento dos pré-socráticos, e estabelecer como seria o mundo se tivéssemos seguido outro modelo filosófico.

Viviane escreveu no seu livro, “Friedrich Nietzsche e a Grande Política da linguagem”, uma analise de como os pensamentos de Nietzsche tem influência na vida das pessoas, mesmo no século atual. Nietzsche foi um pensador do final do século XIX. Ele tinha uma paixão pelo futuro. Com certeza, ele fora influenciado pelo seu século, o XIX. Que é conhecido como o século da Ciência, por justamente abandonar a religião como meio de salvação do homem e apontar para a Ciência como sendo o que promoverá o desenvolvimento humano. No final deste século, nasce também a psicanálise, que era apontada como o canal que ajudara a Ciência na resolução dos conflitos humanos. A filosofia defendida por Nietzsche, com base no modelo pré-socrático, é a transformação através da força do pensamento.

A crença no “Devir” é resgatada. Ela aponta para a mudança constante, o tempo todo. Segundo esse pensamento não se pode fazer planos para o futuro, para se atingir certos objetivos, pois o mundo está em constante mudança, portanto não se tem controle sobre os acontecimentos futuros.

Nietzsche é filho de pastor protestante. O modo de vida que ele levou sua formação, e os acontecimentos que acompanhou como a guerra da modernidade, o desenvolvimento do Cristianismo, os seus estudos do Grego arcaico, tudo isso exerceu uma influência muito grande sobre os seus pensamentos e sua maneira de ver o mundo.

Nietzsche percebe que os pensamentos que permearam a Grécia arcaica, ainda estão presentes no pensamento moderno, bastando que simplesmente possa ser orientado para que tal caminho se torne popular.

Antes de Platão, o relacionamento com a vida era baseado no desconhecimento. As pessoas não faziam planos para o futuro, não se pensava sobre os resultados que certo proceder poderia ter sobre as perspectivas futuras na vida do ser humano, porque se vivia no presente, era como se o futuro não existisse. A partir do século V, começa a haver uma mudança de pensamento, a filosofia de Platão começa a criar raízes, infiltrada no Cristianismo.

Nietzsche passa a criticar a Platão e sua filosofia pensante, que supervaloriza o ser humano. No modelo de filosofia Socrático-Platônico o pensamento é superior ao corpo. Portanto, por se exercitar os pensamentos a pessoa pode encontrar o caminho do equilíbrio e da felicidade.

Nietzsche, na sua filosofia, tira o antropocentrismo e coloca o homem como um ser totalmente fraco. Na visão de Viviane Mosé, o ser humano se constitui como ser pelos moldes da sociedade. Portanto, independente de sua origem, o lugar onde nasceu, as pessoas com que convive, a cultura que foi submetido, tudo isso irá agir diretamente sobre o individuo, o moldando a ser como os a sua volta. A caminhada do ser humano na sua busca frenética de construir os valores morais é que determinara a sua sobrevivência.

O ser humano diferente dos animais é um ser pensante. O que lhe traz certa distinção, mas ao mesmo tempo lhe é negativo, no sentido de que, com o pensar vem a angústia. Os animais nascem, tem uma existência pré-definida, guiada pelo instinto, livres da angústia de se pensar o futuro. Para o ser humano ficar livre das angustias que o cercam e dos conflitos a que é submetido, precisaria também de uma supressão do pensar, que de certo modo tiraria as perspectivas de sentir a felicidade. Os pensamentos irão, portanto, moldar nossa existência, nossa personalidade e nossos valores.

Nietzsche olha o século XIX, o hoje, e compara com o passado, fazendo esta comparação, ele chega à conclusão que não é preciso ser um super-homem. Aliás, o super-homem é um mito que não encontra sustentação no exame mais detido feito por Nietzsche. Então tal conceito cai por terra. O super-homem, na verdade, não é o ser poderoso das historias em quadrinhos, mas o homem que se supera.

Nietzsche diz que todos nós somos vitimas da interpretação Platônico-Socrâtico. O mundo através do Cristianismo seguiu esse modelo filosófico. É como em um leito cortado no solo que conduz a um caminho, e se o inicio deste leito fosse inundado, as águas iriam seguir o caminho já pré-estabelecido pelo leito, chegando a certo destino já imaginado. Que caminhos a humanidade poderia ter seguido se não caísse no leito do modelo Platônico-Socrático? Como seria a sociedade do atual século?

O homem da atualidade procura a razão, que é uma característica inata do ser humano. Portanto, é preciso desconstruir o conceito da razão, a idéia de verdade tem de ser vista de outra forma. Essa idéia de verdade insiste que por trás de tudo há a essência, que é a base estrutural de tudo. Este é um conceito que tem caído por terra. Hoje, não se procura mais a nossa essência.

Tendo a verdade como principio de tudo, vemos as pessoas absortas em seus empreendimentos, sempre na tentativa de encontrar tal verdade, que dará sentido a vida, que conduzirá ao caminho da felicidade. O modelo de Nietzsche é o caminho que encontra ou que nos guia a verdade. Mas, Nietzsche pergunta: Quem disse que existe verdade?

Na sua analise, Nietzsche, cita o exemplo de um poeta. O poeta sabe coisas que ninguém mais sabe. Pela sua maneira de ver o mundo, pela sua forma de analise dos conceitos. O poeta, forma perspectivas diferentes, vê o mundo de uma forma única. O que de certa maneira o torna impar, sabedor de uma coisa que ninguém sabe. De certa forma, isto explica o pensamento que muitos têm de que a arte é o caminho para a obtenção da verdade.

Mas novamente voltamos a pergunta de Nietzsche: “Quem disse que existe verdade?” Se a verdade existe, o que não é verdade deixa de existir. Com a criação da verdade, se criou também uma régua que separa o mundo em duas partes, o rico ficou assim separado do pobre, o preto do branco, o feio do bonito, o alto do baixo, o gordo do magro, a noite do dia, etc. Porque, se existe a verdade, ela é contundente, tão contundente que extingue o que não se encaixa no conceito sobre o que é verdade, tornando-os obsoleto e inexistente.

A necessidade de pensar é reforçada pela filosofia de Nietzsche. Porém, não se pode simplesmente pensar só por pensar, pois assim o objetivo de tal faculdade não se finalizaria. É preciso entender o sentido do pensamento. Pensar com um propósito é que aponta o caminho para o ser humano atingir o seu propósito, encontrar a verdade.

Heráclito, filósofo do primeiro século, racionaliza que a morte é um mal necessário. A morte torna a vida inédita. O fato de que todos irão morrer, os faz buscar o mais rápido possível a obtenção da felicidade, é preciso compreender o sentido da vida, saber o papel que cada um precisa desempenhar, para estar ajustado ao mundo, pois a vida é breve e a morte é certa. Heráclito diz que todos nós devemos realmente nos empenhar pela busca da felicidade, mesmo com a vida tão breve. Seria como as crianças que se dedicam a construir castelos de areia numa praia, mesmo sabendo que esses castelos serão destruídos por uma onda na maré cheia. E se por um acaso a maré não os atinge, eles mesmos, as crianças, vão lá e os destroem. Mas, nada tira deles a satisfação de fazer tais castelos. Portanto, mesmo que o resultado final de nossos empenhos sejam por fim anulados pela morte, os nossos empenhos devem ser os melhores, devemos aproveitar o momento que estamos vivos.

Parmene, filósofo do primeiro século, pensa que a vida só pode ser castigo de um deus cruel, pois não se pode encontrar um caminho que seja verdadeiramente satisfatório. Com a idéia do “Devir”, há uma desestruturação na estabilidade do ser humano. Tudo muda na matéria, mas segundo Parmene, se encontra na eternidade. Então por mais confusa que seja a existência humana, tudo se organizara na eternidade.

Platão diz que nós nos tornamos seres do Agun, em que o foco é no interior e não no exterior. O ser é o pensamento e sua essência. É como se existisse esse outro mundo, o do pensamento, e ele se sobreponha ao mundo exterior. Somente por se desenvolver este mundo do pensamento, é que o ser humano poderá encontrar o seu caminho na vida, em busca da felicidade.

A história da filosofia é a história da coragem. Pensadores que ousaram questionar o mundo a sua volta, que pensam conceitos diferentes dos tradicionais, que são tidos como os ideais para os homens, realmente são dignos de serem admirados como corajosos. Os filósofos estão questionando o porquê, eles querem ter certeza de que certos conceitos possam passar pelo teste da purificação no fogo do porvir. È comum, portanto, a divergência até mesmo entre os próprios filósofos. Por exemplo: Heráclito e Parmene têm conceitos diferentes sobre o “Devir”. Para Heráclito é maravilhoso que tudo esteja mudando, estas mudanças são o que provocaram a evolução da espécie humana. Parmene, simplesmente odeia a idéia do “Devir”. Para ele é um conceito retrógrado e contraproducente, pois leva o individuo a uma condição de acomodação, pois se tudo está mudando e não tenho controle sobre o meu futuro, então não há porque me esforçar numa busca da essência ou de um caminho que leve ao equilíbrio. Este caminho, se existir, virá ou não, sem o meu esforço pessoal. No entanto, é preciso dizer que esses filósofos, não querem estabelecer verdades absolutas. O objetivo deles é o questionamento, é o pensar para se chegar à essência. Eles querem, na verdade, que alguém os conteste que alguém tenha conceitos diferentes para que assim se possa ir o mais longe possível.

Viviane passa a citar sobre como a busca do ser humano em certa altura se torna um pouco afunilada. Por exemplo, alguns se perguntam sobre qual o sentido da vida. Ora, não se pode ter um só sentido na vida. Com tantas possibilidades, com tantos caminhos a seguir, buscar um só sentido, estaria tendo um efeito devastador sobre o homem. Imagine por exemplo uma pessoa que escolha defender o meio ambiente. É lógico que essa ação por si só é uma ação louvável. A pessoa que esta defendendo o meio ambiente, está a procura de uma qualidade de vida melhor para si e para a geração futura. Mas a grande questão é: Se o único sentido da pessoa for defender o meio ambiente, que efeito isso terá sobre a própria pessoa, sobre sua personalidade, suas perspectivas, a sua essência? Todo seu assunto irá se centralizar na questão ambiental.

Por exemplo, na época da copa do mundo, enquanto todos falam sobre os jogos, os lances, os craques, os que não jogaram bem, e assim por diante, o que tem seu objetivo em defender o meio ambiente estará frisando em como o grande ajuntamento de pessoas estará influenciando na produção de resíduos orgânicos e sintéticos que será responsável pela poluição e propagação de doenças em todo o planeta e como no futuro bem próximo uma queda de qualidade de vida das pessoas que residem em tal região se tornara enorme.

Em outras palavras, podemos dizer que essa pessoa com o objetivo de defender o meio ambiente se tornará um ser humano simplesmente insuportável. É preciso então, se ter vários objetivos na vida, para que assim a pessoa possa, como que preencher o seu interior, se tornando alguém de conteúdo. É importante até para que se tenha uma real noção da dimensão das coisas a sua volta, e assim, seguir um caminho que seja abalizado. Portanto, as pessoas escolhem sentido para sua vida, como flechas que são atiradas. Nem todas as flechas atingiram seus alvos, nem todos os sentidos que buscamos serão cobertos de êxito, por isso é importante que se busque mais de um sentido, para que se possa atingir pelo menos alguns.

Foucault segue Nietzsche nas suas idéias. Para ambos o conhecimento é o verdadeiro poder, é o que pode ajudar o ser humano a encontrar o caminho que traga a felicidade.

Mas será que se atingiu, hoje, o conhecimento que pode trazer a satisfação para o homem? A 30 ou 40 anos atrás as crianças estudavam até a 4ª série, e precisava fazer um vestibular para ingressarem na 5ª série. Hoje, não é assim, o jovem prossegue seus estudos até o terceiro ano, e depois é que tem de fazer vestibular para ingressar no chamado, ensino superior.

Significa isso que o conhecimento, hoje, está amplamente difundido? De modo algum! Esta idéia de que o conhecimento hoje é mais acessível, através das instituições de ensino e da internet, é completamente falsa. O conhecimento foi sucateado, reduzido, diluído em meio a informações que não acrescentam nada ao ser humano. Por esses meios, pode-se dizer que o conhecimento se tornou mais difícil de ser obtido hoje, pois se tornou confuso. Nesta profusão de desinformação, identificar o que é verdadeiro conhecimento que traz a essência humana é tarefa árdua.

O conhecimento é a relação do poder. Quem tem o verdadeiro conhecimento tem consigo o controle sobre o mundo, sobre as pessoas. É capaz de modificar o meio em que vive.

Porque surgiu a necessidade de se buscar a verdade? Que verdade é esta que os homens tanto procuram? Para Nietzsche, a verdade é produto do medo da morte. É uma tentativa de para no tempo, de manter a duração. O conceito de verdade, surgiu porque não somos capazes de viver a vida como ela é. Parece muito cruel, viver uma vida em conflitos, lutando para buscar o caminho da felicidade, e de repente quando se avista uma luz no final do túnel, pronto acabou-se a vida. Então a história do conhecimento, da verdade é a história para se manter, é a tentativa de para no tempo, para que se possa perpetuar o ser humano no seu espaço.

Apesar de todos os esforços para se encontrar a verdade, no final do século XIX, Nietzsche, previu que as verdades, o conceito de conhecimento, viria por terra. E de fato no século XX, esse conceito sobre a existência de uma verdade veio por terra.

No século da Ciência, alguns conceitos novos foram surgindo e tentando estabelecer novos caminhos. Como foi o caso do Niilismo. Neste conceito todos os valores perdem seu sentido. Não importa o que eu siga ou faça, no futuro tudo se encaminha para o lado certo. É como uma evolução constante que independe dos paradigmas que se siga na vida.

Nietzsche, diz que o cristianismo é um Platonismo para povo. Prega a um deus que no futuro trará a punição e a recompensa para todos. Se encontrarmos a nossa essência, se encontrarmos a verdade, seremos recompensados por isso.

No século XX, com a efervescência cientifica a uma reação ao cristianismo com seus conceitos platônicos. A morte de Deus, marca a existência da modernidade. Floresce o Niilismo reativo, que reage a Deus, que coloca a Ciência no lugar de Deus. A Ciência combate a idéia de futuro idealizado. Para a Ciência, a idéia de futuro tira o homem dos conflitos e do “Devir”, o que em parte é como se fosse uma fuga da realidade, é preciso encara os conflitos, pois estes é que dão sentido ao viver.

Em síntese, o Niilismo segue duas linhas de Raciocínio: em uma linha, há a vida idealizada, em que se imagina sempre o lado bom, sem problemas. E há a linha que segue o ideal sem transformações do tempo, em que o pensamento é a força motriz.

Para Nietzsche, o Niilismo, é uma cabeça obesa de pensamentos, mas um com um corpo raquítico de sensações. No Niilismo Se pensa muito, mas se evita a pratica. O sentir não tem lugar.

O primeiro momento do Niilismo foi quando se inventou a linguagem. A partir daí se cria uma relação especial com as palavras e para os Niilistas, as palavras determinam o resultado, independente dos sentimentos envolvidos.

Borges ilustra esta situação da seguinte forma: havia um povo que era mestre na Cartografia, eles se especializaram em mapas de toda espécie. Tiveram por fim, uma idéia inovadora de construir um mapa da província do tamanho dela. Não satisfeitos, resolveram fazer um mapa do estado que fosse do tamanho dele. Então, por fim culminaram na idéia de fazerem um mapa do mundo, que fosse do tamanho do mundo. Mas neste ponto se perguntaram: Se o mapa do mundo é do tamanho dele, pra que se precisa de mapa? Então jogaram o mapa no deserto e só os animais residem nele.

Da mesma forma, de que vale tantos pensamentos, tantas filosofias na vida, se não se coloca em pratica nada do que se pensa? A palavra não pode ser o final de tudo. Não é porque alguém disse que era assim ou assado, que está resolvido. No Niilismo, esta fase do sentimento fica anulada. È como se o homem até tivesse a capacidade de sentir, porém, não possui a capacidade de processar os sentimentos. O que em partes anula essa capacidade.

É por isso que foram criadas as palavras, para que o homem não precisasse processar os sentimentos, tudo se explica com as palavras. Nós temos com as palavras uma relação de vida. As palavras são a redução da vida que é muito intensa. E por não podermos lidar com essa intensidade dos sentimentos, usamos as palavras que explicam tudo, que colocam todo sentimento e ação num só patamar, num só plano.

Nós fizemos da seguinte forma: construímos um grande edifício de palavras e passamos a morar dentro dele. Então, tudo que nos perturba, tudo que não conseguimos explicar esta solucionado dentro deste edifício de palavras. Na verdade a construção deste edifício foi justamente pela nossa falta de capacidade de nos relacionarmos com a vida. É tão mais cômodo usarmos palavras retiradas de uma bolsa, colhidas com todo cuidado e usarmos como solução de tudo, do que de repente, termos que lidar com os sentimentos, com as sensações que muitas vezes não conseguimos explicar. Por exemplo, as vezes passamos por momentos de euforismo combinados com momentos de muita angustia. Como explicar esses dilemas do ser humano? Nós não conseguimos suportar a idéia de que os sentimentos sejam sempre tão intensos, tão sem explicação, e então usamos as palavras que nos serão de salvação, serão um subterfúgio da realidade, para que não precisemos explicar os nossos sentimentos.

Platão passou a criar o homem metafísico. Essa criação se deu justamente pela existência das palavras. O homem sempre foi metafísico. Mas com a existência das palavras podia-se definir este conceito e trazer a existência algo que sempre existiu. Platão criou então, o conceito do que é moral e imoral. Ele se tornou o pai da moralidade. Estabeleceu um conceito sobre o que é verdade. Fez uma separação com a sua régua da verdade. O que é certo fica então separado do que é errado.

Mas, o que esta por trás dos códigos de moral? Uma tentativa de eliminar o sofrimento humano. Os homens querem a todo custo terem a sensação de que tudo esta bem. E por se seguir um código escrito, uma série de regras que são chamadas de códigos de moral, estará assim nos livrando do sofrimento. Então, tudo se baliza na necessidade do ser humano de encontrar a felicidade, evitando o sofrimento.

Mas será que o sofrimento é tão ruim assim? Quem disse que no sofrimento não há felicidade? Na tragédia Grega, o sofrimento era o essencial. Porque com o sofrimento se buscava a causa. Então, os esforços eram concentrados não em se evitar o sofrimento, mas em achar a causa do sofrimento. Achar a ferida aberta para então poder curá-la.

Falando de experiência própria, Viviane, conta que em certa época ela percebeu que precisava de um pouco de sofrimento para poder até mesmo curtir uma música romântica. Ela se lembrou da época em que dirigia o seu carro, chorando por um amor. Ficava pro cantos, tristonha, e aquela sensação, agora ela percebia que era gostosa, que a ajudava a ver a beleza de outras partes da vida. O sofrimento é característica do ser humano, faz parte da vida, ajuda a estabelecer valores, a formar a personalidade.

A situação do homem começou a mudar a partir do momento em que ele começou a enterrar os seus mortos. Quando isso aconteceu ele começou a pensar que um dia também morreria. E se isso aconteceria, o que podia ele esperar para o futuro? Que perspectiva poderia ele ter? Neste momento, cria-se a idéia de intervalo. Este período da morte, na verdade, nada mais é do que um intervalo para se chegar a uma condição melhor. Tinha que ser assim, pois a idéia de não ter mais nada para frente era insuportável ao ser humano.

A mortalidade agora se tornou a motivação para o pensamento. O homem tenta explicar a morte, o porquê de existir a mortalidade. Usam-se então três linhas de raciocínio para se chegar a uma conclusão: A religião, a Ciência e a Arte. A religião passa a idéia de continuidade. O homem não morre apenas se transfere para outro plano de vida, que no geral é superior ao terrestre. A Ciência, tenta explicar tudo pela recriação. Na natureza nada se perde tudo se transforma. A arte por fim, não dá nenhuma explicação sobre esse assunto. A arte tenta dar um conforto, mostrando ou retratando o cotidiano através das obras artísticas. Tudo é belo e deve ser vivido sem questionamento, sem explicação.

O homem é um animal pensante e por isso ele sofre mais. Ao lidar com os conflitos humanos e tentar resolve-los, vem sobre ele toda uma carga de pressão em cima, o que acaba acarretando um grande estresse no homem. Por isso, existe a procura extenuante da verdade, que poderá de certo modo livra o homem do sofrimento e conduzi-lo a felicidade, ao equilíbrio. Por outro lado se a verdade não existe então o que nos resta a fazer é jogar tudo fora, e viver como se pode.

Com tantos pensamentos é inevitável que haja uma crise de valores. Mas, essa crise de valores é essencial, porque motiva uma troca, uma renovação desses valores. Nietzsche diz que recriar os mesmos valores é um erro. É preciso renovar, abandonar os velhos valores e colocar outros no lugar. Em síntese, o pensamento é uma sucessão de idéias, para um lado, para o outro, para o outro, e assim se chega a estabelecer a mudança necessária para o progresso da sociedade.

O conceito do super-homem tem de ser revisto. O super-homem é uma pessoa que lida com os conflitos e convive com eles. Saber dos seus limites, lidar com esses limites é a invenção de si. É se aceitar como ser pequeno, que não é capaz de ir ao limite das coisas.

O poder que se estabeleceu no mundo é o poder da fraqueza. É como numa guerra em que o general fica atrás das tropas. Com as palavras, há uma descrição das fraquezas dos homens e os torna totalmente desabilitados para lidarem com os seus conflitos internos.

É preciso que se mostre a sociedade humana, que se precisa estabelecer uma mobilidade dos valores, senão há o grande risco de se estar seguindo conceitos que estão ultrapassados. Por isso, Nietzsche começa uma guerra contra o Platonismo, contra o Cristianismo. Nós jamais mataremos a Deus enquanto acreditarmos na gramática, que se sustenta em sujeito e predicado.

A lógica gramatical exclui o mundo. Temos um lugar onde é espaço de exclusão. Foucault fala sobre a criação das favelas, das clinicas psiquiatras, das escolas, de creches, etc. que são na verdade lugares de exclusão. As escolas, por exemplo, são lugares para tirar, excluir crianças das ruas. É preciso que aprendamos a nos relacionar com as palavras de uma maneira diferente ou então apenas refaremos as coisas, sem trazer uma mudança real para o nosso meio. Ou mudamos a gramática ou continuaremos excluindo.

A verdade é uma arte que se envergonha de ser uma arte. O conhecimento é uma arte que tem vergonha de ser criação. A educação é um princípio da incerteza. Tudo pode mudar. Não se deve ser rígido no sentido de querer ter a verdade. Quando se coloca tudo na exclusão, sobram somente palavras. É preciso que tenhamos a coragem de inventar uma nova forma de falar, com uma nova perspectiva, para que consigamos lidar com os conflitos humanos, e encontremos por fim um caminho que seja a nossa verdade, que nos conduza a felicidade.

sábado, 24 de julho de 2010

A Reforma Gregoriana e os Cismas

Este Artigo é uma pequena analise dos acontecimentos na era medieval que é denominado pelos Históriadores como a Reforma Gregoriana. Este período é assim denominado por ter no Papa Gregório VII, seu principal defensor. É claro que, o que moveu esses eclesiásticos a empreenderem uma reforma tão grande, foi com certeza o desejo de ver uma moralização da igreja. Moralização essa que nunca aconteceu, pois nem sempre esses mesmos eclesiásticos reagiram como deveriam, e em muitos casos eles foram o problema para que efetuasse essa pretendida moralização. No final, o resultado foi um grande estremecimento da igreja católica, não por causa da reforma em si, mas sim por pequenas e até mesmo mesquinhas causas.
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A Reforma Gregoriana e Os Cismas

Na reforma Gregoriana, tentou-se estabelecer a Hiérocracia, que era o estabelecimento da Supremacia Papal, acima do poder temporal. A igreja acreditava que pelo fato de serem representantes de Deus, estavam mais habilitados para exercerem um governo justo e que levasse as pessoas aos caminhos de Deus. Assim nos explica José Antônio Camargo Rodrigues Souza.

Os principais reformistas foram: Gregório VII, de 1021 a 1085; Clemente III, de 1161 a 1216; e Bonifácio VIII, de 1234 a 1303. A reforma era baseada, primeiro na revelação bíblica. Acreditava-se que certas passagens bíblicas como Mateus capitulo 16 e João capitulo 21, onde Jesus dava a Pedro as chaves simbólicas do reino e o incumbia de pastorear as ovelhas, dava direitos, ao papa, por ser sucessor de São Pedro, a exercer um governo sobre os homens. Segundo, havia o direito Romano de governar. Terceiro, o Neoplatonismo que era a filosofia de que a igreja era O TODO, era o instrumento necessário para estabelecer a união dentre os fiéis.

A monarquia Papal buscava assim, suplantar os governos dos homens comuns pelo governo eclesiástico, por acreditar que estes não estavam habilitados para dominarem o seu semelhante.

A reforma Gregoriana iria combater sintomas como a “Simonia”, que era a compra de cargos eclesiásticos. Também teria que enfrentar a “Investidura”, que era a designação feita pelo rei, a cargos eclesiásticos, como favor, ou recompensa a feitos a favor do reino, mesmo a alguém que não possuía o dom eclesiástico. E por último combateriam o “Nicolaísmo”, que era praticado por eclesiásticos que mantinham abertamente um relacionamento conjugal.

Dentre os ideais da reforma estava a libertação da igreja da tutela governamental e também a busca da espiritualização dos povos. Neste ponto, havia o desejo (Cluny) que era, primeiro espiritualizar a classe eclesiástica, mantendo no cargo apenas os que possuíam vocação para tal serviço. Posteriormente, pretendiam espiritualizar os povos.

Dentre os principais acontecimentos reformistas, podemos citar o que aconteceu em 1073, quando Gregório VII se torna Papa e tem como objetivo combater a investidura. Outro acontecimento importante foi a criação dos “Dictatus Papae”, em 1075, que eram ditados do papa, que visavam a normalização da Fé Católica. Em 1076, o rei Henrique V, que fazia uso da investidura como meio de buscar apoio político, é censurado pelo papa Gregório VII, e como não acatou a censura foi Excomungado.
No ano de 1077, Henrique V, pede perdão e é assim livrado da excomunhão. Mas, tudo mostra que seu arrependimento não era sincero, era apenas uma manobra política, pois o seu apoio por parte dos católicos ficara reduzido e assim ele ficou em grande perigo diante de seus inimigos. Agora que sua excomunhão fora retirada, ele continua com a pratica da Investidura. Essa atitude leva-o a ser pela segunda vez excomungado. Essa situação continuou até 1085, ano em que morreu o papa Gregório VII, e assim com outros sucessores no papado a questão da investidura deixou de ser combatida de forma tão veemente.

Anteriormente, no ano de 1054, houve uma rachadura nas bases da igreja, provocadas por causa da discussão sobre o uso de pães fermentados nas hóstias. Com isso, a um rompimento entre católicos do Ocidente e do Oriente. Passa-se a se denominarem de Igreja Católica do Ocidente e Igreja Ortodoxa Oriental.

Outro estremecimento causado na igreja católica do Ocidente se deu em 1378, com o empossamento de dois papas, um em Roma, e outro na França em Avignom. Isto se deu pelo fato de que na ocasião do seu papado, Clemente V, muda-se para Avignom, no sul da França. Após a morte de Gregório, os eclesiásticos elegem Urbano VI para que o papado volte e fique em definitivo em Roma. Porém, Urbano VI, não se dá com a maioria dos eclesiásticos, que por causa deste desacordo elegem Clemente VII, que se transfere novamente para Avignom, enquanto que Urbano continuou como papa em Roma.

Embora Gregório VII, que foi o principal interessado em resgatar essa espiritualização dos povos, não tenha visto o seu objetivo cumprido, séculos mais tarde, em alguns aspectos se conseguiu combater pontos frizados na reforma Gregoriana como a investidura e a Simonia. Embora não se tenha conseguido a espiritualização, nem dos eclesiásticos e muito menos dos povos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O Início da Idade Média: Do Fim do Império Romano à Consolidação do Mundo Carolíngio."


Este artigo descreve o Final de um dos maiores impérios que já existiu, o Império Romano. Também descreve, como os Germanos (Bárbaros), embora não fosse organizados em uma forma governamental, conseguiram subjugar e por termo ao maior império existente. Mas como todo reino que se preze, os Germanos tiveram muitas dificuldade na sua adaptação ao "mundo civilizado". Passearemos também pelo Império Merovíngio, chegando finalmente ao Mundo Carolíngio.
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“Teor de Violência”, é assim que o historiador Holandês Johan Huizing, descreve o mundo que termina e o que começa com o fim do império Romano e a perpetuação dos povos Germanos (Bárbaros).  Para George Dubbi, também aquela sociedade fora marcada por extrema violência da parte dos povos invasores.
Neste contexto, se descreve os povos, que do ponto de vista dos Romanos, são tidos como Bárbaros. Essa descrição refere-se à natureza dos empenhos militares desenvolvidos pelos povos Germanos. José Rivair Macedo, nos fala sobre serem povos que viviam em tribos, e sua sobrevivência dependia essencialmente da guerra e do saque que esta lhes proporcionava.

A descrição de povos Germanos refere-se aos: Escandinavos (Anglos, saxões, jutos, etc.); Germanos Ocidentais (Francos, Burundios, etc.); Germanos Orientais (Vândalos, Alanos, Alamanos). Mais tarde se juntou a esses povos os Hunos, que eram povos vindos das estepes Asiáticas.

Todos estes povos Germânicos e os Hunos tinham natureza nômade, não estavam organizados socialmente, nem possuíam uma administração política. Eram povos que não dominavam uma forma escrita. Para Tácito, estes povos aceitavam um rei na época de guerras apenas. Geralmente eram grupos de jovens liderados por uma pessoa mais experiente. Tal grupo fazia então incursões contra os inimigos. Terminadas as batalhas, eles se juntavam a outros povos que por ventura estivessem em guerra. Como recebimentos dividiam entre si os saques que ali fizessem. Eram povos que provocavam a guerra, por ser o seu meio de vida. Não trabalhavam jamais a terra. Ora, porque iriam trabalhar a terra, se podiam conseguir muito mais matando pessoas? Este era o espírito que permeava entre os povos Germânicos.
Com esta descrição Germânica em mente temos uma idéia do que os Romanos enfrentaram.

O império Romano começa seu declínio a partir do final do século III. Com um império muito grande, havia a necessidade de uma mudança militar. Assim, os Romanos passaram de uma postura de ataque para uma defensiva, formando duas linhas militares. Uma que ficava nas fronteiras em defesa do limes, e outra linha militar era para defesa do interior.

Com a reforma militar veio à dificuldade para manter o exército. Como solução, fazia-se a divisão de lotes para manter os soldados. Este e outros fatores governamentais fizeram com que o império tivesse um declínio. Em 357, houve a batalha na região da atual Alemanha, sendo esta a última grande vitória Romana, comandada por Juliano, o pagão. Em 378, ocorreu a batalha em Adrianópolis, entre o general Valente e os povos Ostrogodos e Visigodos. A seguir em 451, aconteceu a batalha de Gália, onde Aecius se uniu com os Visigodos e conseguiram vencer os Hunos, expulsando-os definitivamente. Por fim, no século V, os Romanos tiveram que aceitar que haviam sido subjugados terminantemente pelos povos Germânicos.

As invasões Germânicas podem se dividir em três etapas: a primeira, bem traumática, marcada pela violência da dominação. A segunda e a terceira etapa foram bem menos traumática, pois já encontrava o império Romano fragmentado e no seu fim.
Após as três etapas, houve a dificuldade de sobrevivência e estabilização por parte dos povos Germânicos. Apenas os Francos e Visigodos conseguiram sobreviver ao choque cultural e estatal. Também, havia a dificuldade de adaptação a vida social, a cultura e a religião Romana. Os povos Germânicos, pelo fato de comporem apenas 5% da população conquistada necessitavam fazer grandes ajustes, o que José Rivair, chama de “Romanização”. Entre as adaptações feitas estava a adaptação a política Romana, com seu sistema que já funcionava. Também eles, adotaram o latim como língua oficial. Seguiram o modelo administrativo Romano e por fim adotaram o código de leis que já vigoravam entre os Romanos.

Neste ponto começa a se destacar os Francos, formando o império Merovíngio. Clovis estabelece a união de duas tribos e começam a ganhar importantes batalhas. Em 486 a.D., vence Siago e Galo. No ano 500 a.D., consegue importante vitória sobre os Visigodos. O reino Merovíngio é então dividido entre seus três filhos: Thierry, Childeberto, Clotário I. Estes buscam apoio para si doando terras, o que provoca um enfraquecimento do reino. Por fim o império Merovíngio chega ao seu fim.
Carlos Magno assume o reino. Em 742 se casa com a filha de Astolfo Desidério, rei dos Lombardos. Com a morte de seu irmão Carlosmano, ele repudia sua esposa e a devolve a seu pai. Mais tarde ele se envolve em uma guerra contra Astolfo Desidério, seu ex-sogro. Ao vencer a Astolfo, Carlos Magno se proclama rei dos Lombardos. No ano 800, ao ir a Roma, o papa Leão III o corou como o imperador Romano Cristão do Ocidente.


Com a morte de Carlos Magno, em 814 a.D. Luis, o piedoso assume o trono. Com supeita de ter uma doença terminal, ele cria uma lei colocando seu filho Lotário II como imperador e dividi as terras com seus outros filhos. Quando não se confirma a suspeita de sua morte, Luis, quis assumir novamente o trono, porém, seus filhos resistiram e houve o inicio da guerra civil, que contribuiu ainda mais para a fragmentação do reino Carolíngio. Com a morte de Luís, seus filhos criaram o tratado de Verdun, que visava resolver as questões de terra entre eles. Cada um dos filhos de Luis continuou com a prática de doar terra em busca de apoio, o que contribuiu para um rápido declínio do império e o fortalecimento do Feudalismo. Com isso chega ao final um reino que fora conturbado durante toda sua existência.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Expansão Ultramarina Portuguesa dos Séculos XV e XVI

Este artigo Resume brevemente o sucesso náutico dos portugueses entre os séculos XV e XVI nas navegações. Eles se tornaram um dos principais expansionistas de territórios e com certeza foram responsáveis pelo redesenho da Geografia mundial. Houve a determinação de alguns homens, que embora nunca tenham conseguido finalizar seus esforços, foram destemidos, pioneiros, e muitas vezes até visionários. Tais Homens intrépidos foram marco nas descobertas e expansões territoriais.


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A Expansão Ultramarína Portuguesa dos Séculos XV e XVI

Durante o século XV, Portugal atingiu sua supremacia ultramarina, com suas expedições bem sucedidas, o que além de reconhecimento lhe deu muito lucro.

Desde os primórdios do século XV, o grande desafio era atingir às Índias em busca de especiarias e ouro. Pedro de Covilhã, navegando pelo mar mediterrâneo realizou este feito. Portugal viu a necessidade de conquista do Ceuta, para estabelecer ali sua base marítima. Com o domínio do norte africano pelos Muçulmanos, tal navegação se tornou inviável.

Portugal como grande explorador marítimo da atualidade, lança como objetivo atingir as Índias, através de contornar a costa africana pelo cabo das tormentas. Tal feito daria aos portugueses o monopólio de especiarias. D. João II estava determinado a encontrar tal passagem e usufruir dos benefícios que este proporcionaria a dinastia dos Ávis.

Nas descobertas portuguesas, o Infante D. Henrique, tem papel de destaque. Argonauta destemido colocou todo seu empenho em prol dos objetivos reais. De posse de bulas papais, que concedia ao reino português o direito de explorar, subjugar e escravizar os infiéis (não-cristãos), o Infante Dom Henrique percorre e subjuga importantes regiões na costa africana. Contudo, somente com Bartolomeu Dias é que se consegue finalmente o contorno do cabo das Tormentas.

 Nesse ínterim, a esquadra espanhola consegue grandes feitos, se colocando em franca disputa com o reino de Ávis.

Em 1492, no seu retorno expedicionário, Colombo anuncia ter visto terras no que viria a ser o continente Norte-americano. D. João II reivindica para Portugal o direito a exploração destas terras, tendo por base o Tratado de 1480, que dava a Portugal o direito a exploração de novas terras descobertas.

Castelha busca apoio papal. Assim, em 1943, o papa Alexandre VI, escreve uma bula papal que concede a Espanha o direito a explorar as novas terras avistadas.

O imperialismo europeu viu a necessidade de intermediar a disputa entre seus principais representantes. Assim, em 1494, criou-se o Tratado de Tordesilhas, que foi um marco na partilha econômica colonial. No princípio, os limites foram fixados a 350 léguas das ilhas Canárias, mas com as reivindicações portuguesas, estes ficaram estabelecidos a 370 léguas das ilhas Canárias. O Oeste seria de exploração espanhola, a Leste tal exploração ficaria para os portugueses.
É claro, que nem Castelha, nem Portugal tinha a real intenção no cumprimento de tal tratado, tanto que uns vinte e oito anos depois, ainda se discutia sobre a fixação de seus limites, sem, contudo chegarem a um acordo.

Porém, Portugal via neste tratado, a oportunidade de proteger a passagem para as Índias através do contorno ao cabo da boa esperança.

Em 1496, os espanhóis anunciaram oficialmente a descoberta das terras Norte-americanas. Portugal viu então a necessidade de um empreendimento de maior porte. Em 1500, logo no seu começo, Pedro Álvares Cabral, recebeu o titulo de comandante supremo da marinha portuguesa. Ele organizou uma expedição e partiu com uma frota de 13 navios, na sua maioria naus. Com uma mudança drástica de direção para o Oeste, chegam finalmente, em 21 de abril de 1500, a um monte que o chamam de monte Pascal. No dia seguinte, aportam em terras que são chamadas de terra de Vera Cruz.

Pedro Álvares Cabral, parte então com sua esquadra rumo às Índias e contornam o cabo da boa esperança, estabelecendo assim o seu objetivo inicial.

Com as conquistas portuguesas, o reinado dos Ávis, se projeta definitivamente como soberano dos mares.

A expansão Européia, só Foi possível, justamente pelos esforços de portugueses e espanhóis. Eles possibilitaram assim o antigo sonho de universalização Europeia. Especialmente com Portugal, pode-se ter uma noção real do mundo na época. Houve uma drástica mudança na geografia do mundo de então. A descoberta do Brasil consta como ponta pé, para um novo mundo, até então desconhecido e inexplorado. Esgotado o interesse pelas especiarias indianas, o mundo Europeu voltou seus olhos para as Américas e especialmente o Brasil.

É lógico que, o objetivo dos portugueses bem como dos que aqui tiveram era retirar da terra de Vera-cruz todo seu potencial de lucro, seja como Ouro, Madeiras, ou alimentos. Mas a influência que o Brasil passou a ter na Europa fora muito grande. Por exemplo, durante muito tempo os costumes alimentares tiveram alguma influência na Europa. Então podemos dizer a Expansão Marítima dos Portugueses foi benéfica para todo o mundo, especialmente para os brasileiros.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Formação da Monarquia Entre os Hebreus.

Este Artigo é um breve resumo, do também breve período monárquico entre os Hebreus. Por sua tradição, eles seguiam a Aristocracia e ao tentar implantar a monarquia, se vêem confrontados com os desafios que os seus vizinhos já os experimentavam. Assim, se pode atribuir a procura de um sistema governamental diferente, como sendo fator determinante para a queda e término do governo independente de Israel.

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A Formação Da Monarquia Entre os Hebreus

Jacó teve 12 filhos, que viviam sob o sistema patriarcal. Cada um destes filhos desenvolveram suas famílias que se tornaram tribos que viviam próximas umas das outras, mas se mantinham independentes. Segundo Herbert, tais tribos só se uniam quando enfrentavam a hostilidade dos povos vizinhos.

Israel não existia como monarquia, era governada teocraticamente. Havia Juízes designados para julgarem e resolverem as questões judiciais que surgiriam. Também, não se tornaram organizados militarmente, pois confiavam a Javé a sua salvação, diante dos inimigos.

A primeira tentativa de estabelecer uma monarquia em Israel, fora com Abimeleque, que era Manassita da cidade de Ofra, mas também Cananeu da cidade de Siquém. Ele convenceu os habitantes de Siquém a abandonarem a aristocracia e adotarem a monarquia, centralizando o poder em uma pessoa, no caso ele. Formou um exército e dominou a força, a sua cidade natal, Ofra.

Essa tentativa de estabelecimento da monarquia em Israel, estava desde o início fadada ao fracasso. Devido justamente, a forma como tentou ser imposta. Embora já houvesse, entre os Israelitas, aqueles que almejassem a monarquia, esse processo teria que ser implantado por outros meios.

Com o passar dos anos, e até por observarem os povos vizinhos, os Israelitas se tornaram unânimes em quererem o estabelecimento de uma monarquia. Portanto, no ano de 1020, fora escolhido como rei de Israel, Saul. Este, era homem de guerra e realizou muitas campanhas contra os Filisteus, inimigos lendários dos Israelitas.

Saul, não precisou reorganizar as fronteiras das 12 tribos pois estas já estavam estabelecidas. Porém, a sua falha fora em relação a manter as tradições religiosas de Israel.

Por permitir a entrada de outros ritos religiosos, que não adoravam a Javé, Saul perdeu o apoio popular. Passou por momentos difíceis, sendo até mesmo acometido de certa demência. Após a sua morte, seu filho Isbaal, foi ungido, ou escolhido para se rei. A sua promoção fora feita por Abner, marechal do exercito Israelita. A única realização de Isbaal foi mandar um regimento inteiro de exercito, atrás de Davi. Que era ao mesmo tempo aclamado por alguns, como o substituto de Saul, no reinado de Israel.

Saul reinou durante o período de 1020 a 1000 a.C., sendo seguido por Davi que reinou de 1000 a 961 a.C.

Davi havia se tornado popular pelos seus feitos militares e também pelo seu talento em tocar harpa. Davi se casou com Mical, filha de Saul e se tornou grande companheiro de Jônatas, também filho de Saul.

A partir de certo período, Saul e Davi se tornam inimigos e Davi tem de fugir para salvar a sua vida. Ele arregimentou cerca de 400 homens e passou a viver entre os Amalequitas prestando serviços para o Rei.

Numa batalha contra os Amalequitas, Saul e Jônatas são mortos. Davi se muda para a cidade Israelita de Hebron, ali ele é aclamado rei, mas apenas por duas tribos do sul, Judá e Efraim.

Davi, porém, é hábil em convencer o povo a aceitarem-no como rei. Ele mantém as tradições religiosas, e demonstra grande carisma. Ordenou a morte de um Amalequita que acompanhava a Saul por ocasião de sua morte. Mais tarde, quando Isbaal é morto, ele, Davi, manda matar os dois homens que trouxeram sua cabeça, e também providência a remoção dos ossos de Saul para sua cidade natal. Após isso, Davi é também ungido pelas demais tribos, como rei.

Por causa da dualidade entre as tribos do norte e do sul, Davi, estrategicamente, arma um ataque contra Jerusalém. Captura esta cidade e manda transportar para lá a arca do pacto. Assim a cidade de Jerusalém passa a ter um aspecto de santidade e com isso também a um fortalecimento da união entre as 12 tribos de Israel.

Durante todo seu reinado, Davi teve que enfrentar muitas guerras, especialmente contra os Filisteus. Ele deu início também à construção do templo de Jerusalém. Enfrentou a rebelião de seu filho Absalão, que tentou tomar o poder, mas não fora bem sucedido.

Após a morte de Davi, Salomão se torna rei. Um dos grandes feitos fora a inauguração do templo, praticamente construído pelo seu pai, Davi.

No final do reinado de Salomão, houve uma divisão de Israel, entre o norte, dez tribos, com sua capital em Samaria. Esta durou até 721 a.C., sendo por essa ocasião dominada pelos Assírios. E por outro lado, as duas tribos do sul, com capital em Jerusalém. Estes são conhecidos como Judeus e perduraram até 567 a.C., quando então sucumbiram diante dos Babilônios e foram levados ao cativeiro.

Como isso se chegou ao final da curta monarquia de Israel.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Sociedade e o Estado Durante o Novo Império Egipcio.




Este artigo é uma dissertação sobre o novo império que surgiu no Egito antigo. Esta sociedade egipcia passou por altos e baixos e mesmo assim soube dar a volta por cima, aproveitando o de bom que seus inimigos possuíam.

Tema: "A sociedade e o estado durante o Novo Império Egipcio".

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O período compreendido como novo império egípcio, é retratado como o apogeu deste império. É claro que como todo império, este também enfrentou crises, sofreu ataques, foi derrotado. Mas, o que chama a atenção para o império Egípcio é o seu poder de reação, o seu ressurgimento com uma completa absorção das tecnologias a sua volta.

Os historiadores divergem quanto a época e duração deste período. Para Ciro Flamarion, este compreende entre 2550 a 1070 a.c., já Pierre Leveque situa o novo império entre 2580 a 1160 a.c. Porém, ambos concordam que a civilização egipcia deixou um legado de desenvolvimento importantíssimo.

Segundo Ciro Flamarion, o egito foi o primeiro governo realmente organizado que existiu. Mas, isto não impediu que tribos desenvolvessem sua própria política administrativa e até que tivessem uma certa autonomia de poder.

Embora estejamos analisando o período compreendido como novo império, a história egipcia pode ser dividida em cinco períodos: Época Thinitta, Antigo, Médio, Novo Império e Baixa época.

Durante o Antigo Império, 2575 a 2134, havia um sistema de governo forte, centrado. O que ajudou o império a se firmar.

Com o passar dos anos, foi havendo uma descentralização do poder, com o surgimento dos "Monos", que eram pessoas que se tornaram proprietários de terras e exerciam certo poder sobre os povos de sua região, que estavam sobre seus domínios. Levéque, diz que esta descentralização do poder fora crucial para o colapso da sociedade Egipcia.

A partir dai, entramos no que os historiadores chamam de primeiro período intermediário, onde várias tribos tentavam a seu modo sobreviverem e reunificarem o império. Essa reunificação ocorreu por volta de 2065 a.c. Mas, claro, há muitas divergências sobre. se este evento do fortalecimento do império tenha ocorrido realmente nesta data. porém, se trata de pelo menos, a data mais aproximada.

Um ponto de destaque deste período, compreendido como médio império, é a vinculação do herdeiro ao trono. Ou seja, o primogênito seria o próximo Faraó e era durante a sua infância e adolescência preparado para assumir o trono. Esta mudança fora vantajosa, pois evitava as disputas pelo trono que ocorreram em outros períodos.

Neste ponto, novamente o império sofre um declínio, e entramos no período compreendido como segundo período intermediário.

Desta vez o império fora invadido e dominado pelos Hicsos. Povo guerreiro, que estava equipado militarmente com carros de guerra puxados a cavalo. O que possibilitou uma vitória sobre os egpicios, que apesar do numerário, realizava seus combate de pé.

Durante este período, Flamarion, chama a atenção para o intercâmbio que houve com os povos Asiaticos, que em certos aspectos estavam mais avançados. A partir deste intercâmbio, pode-se ter uma noção sobre propriedade privada, organização militar e aumento no numero de escravos,
que eram os prisioneiros de guerra.

Em 1532, há um fortalecimento do poder dos egípcios sob o reinado de Ramsés II. Este périodo é chamado de novo império. Foi com certeza o mais glorioso. Com o intercâmbio dos povos Asiáticos, os Egípcios assimilaram tecnologias que possibilitaram o progresso e fortalecimento do império. Foi estabelecida uma sociedade que agora tinha uma noção sobre propriedade privada. com os prisioneiros de guerra sendo escravizados, vários egípcios começam a ter que administrar esses escravos. Abriu-se também a possibilidade de ascensão social a militares que eram bem sucedidos nas guerras. Isto possibilitou uma maior mobilidade social.

Com o aproveitamento das tecnologias militares assimiladas dos Hicsos, os Egípcios empreenderam uma expansão dos seus territórios. Houve incursões militares contra os Núbios, os Sírios e os Lídios. Com o domínio desses territórios os Egípcios compreenderam uma nova idéia de império, abrangendo regiões bem distantes do seu império inicial.

Durante este novo Império, vários faraós tiveram destaque tais como: Hashepsut, que usurpou o trono, usando roupas masculinas. Amenofis IV, que tentou implantar o monoteísmo, obrigando a adoração do deus Sol, Athon. Tutancâmon, que apesar de não ter realizado grandes feitos, se tornou importante para a história, quando Howard Carter, em 1922, descobriu o seu túmulo intacto. Ramsés II, foi com certeza, o mais importante dos faraós. Ele foi responsável pela ascensão e solidificação do novo Império Egípcio.

O Império Egípcio também causou grande impacto sobre as civilizações posteriores com suas construções. Como as grandes Pirâmides, que até hoje são objetos de admiração de um Império que realmente foi repleto de glórias.

sábado, 10 de julho de 2010

As Formas de Vigilância e o Controle do Corpo.

Nesta primeira publicação irei postar três textos em forma de redação, estas são do tempo do ensino médio. Fazia parte do treinamento para o vestibular, foi super importante ter escrito estes textos e outros que serão publicados posteriormente, pois adquiri uma base super legal para os textos que pretendo escrever de agora pra frente. Espero que gostem!
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1º Texto

Gênero: Ficção Cientifica

Tema: "As Formas de Vigilância e o Controle do Corpo."
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_ O senhor está com medo?

Assim me perguntou, com um simpático sorriso, a enfermeira da Criogênia Futurex. Trata-se de uma clínica que se especializou em congelamento humano.

Você talvez esteja se perguntando o que eu estou fazendo em uma clínica de congelamento humano, não é? Pois bem, minha história não é tão diferente de centenas de outras pessoas, a busca pela longevidade.

Por volta de 2010, a ciência intensificou seus estudos sobre os genes da longevidade. Foi descoberto que o genes da Sirtuína pode agir como inibidor calórico, o que aumenta a expectativa de vida. Experimentos em mamíferos, com o gene SIRT1, foram bem sucedidos. No entanto, ainda se precisa de pelo menos uns 50 anos para que tais experimentos sejam eficazes nos seres humanos.

A Criogênia Futurex, realiza o congelamento até o ano de 2100. Após este período acredita-se que já terão pleno controle sobre a Sirtuína, e se os homens não puderem ser como metusalém, pelo menos, se aproximarão da idade dele.

Agora, estou dentro de uma cápsula com uma roupa especial. É preciso também, colocar uma espécie de máscara, dizem que é para a proteção do rosto e dos olhos. A enfermeira, se prepara para me aplicar uma injeção que fará com que meus sentidos se paralizem, então serei congelado e descongelado só no ano de 2100.

_ Ai!! Como doí essa injeção!!! Exclamei com ênfase.

Agora falta pouco, em 30 segundos a injeção começara o seu efeito. Hoje, é dia 05 de janeiro de 2040, já tenho 70 anos, e estou apreensivo se vai dar certo ou não este experimento. Acho que só daqui a 60 anos pra saber...

_ Senhor, por favor, abra os olhos! Me ordenou uma voz masculina.

_ O quê? O que aconteceu? Onde estou? Não deu certo o congelamento? Perguntei, como um louco.

_ Claro que sim! Respondeu com um sorriso o moço que me ordenara abrir os olhos. _ Nós estamos no ano 2100. O seu congelamento e descongelamento foi um sucesso. Seja bem-vindo ao futuro!

Se meu coração não tivesse ficado congelado 60 anos, acho que teria parado, diante da minha grande emoção. Imagine, estar vivo no ano 2100! Quer dizer que tenho 130 anos de idade!! Poxa!!!

_ Como estão as pessoas? Você me parece tão natural! Não tem aparência robotizada!

_ Na verdade, ninguém tem aparência robotizada. Durante alguns anos, realmente as pessoas estavam se tornando iguais na aparência. Mas, felizmente, houve uma grande conscientização dos governos mundiais, que deixaram de apoiar o desenvolvimento bélico e passaram a fazer altos investimentos no controle da longevidade e saúde da população. Com o aumento da expectativa de vida, se viu necessário um aprimoramento das cirurgias plásticas. Hoje, as cirurgias plásticas são feitas por computador, que também está programado para evitar a igualdade.

_ E o que dizer da temperatura, das plantas, dos rios, ainda existem?

_ Os rios são limpos e cheios de vida. As plantas estão em todo lugar, como aqui nesta sala. E a temperatura é normal, com suas estações bem equilibradas. Com o fim do apoio bélico, houve tanto investimento na natureza, que todos os lugares que estavam seríamente afetados pela poluição foram recuperados definitivamente.
_ Mas, não se preocupe, todas as perguntas que o senhor tiver, irão ser respondidas na sua residência, pelos seus familiares.

_ Minha residência? Meus familiares?

_ Sim! O senhor irá residir com seu tataraneto. Ele tem esposa e dois filhos, um casal. Morar com eles irá ajudá-lo na sua adaptação. Lembro ao senhor que todos os dias terá de comparecer à clínica, para darmos prosseguimento com o tratamento de longevidade, a base de Sirtuína.
_Vamos, tem um táxi esperando pelo senhor lá fora.

Ao sair, fiquei admirado como tudo parecia normal, natural. Só que, claro, sem poluição e com uma temperatura agradável.

_ Onde estão os carros voadores e os planadores? Perguntei.

Ele sorriu, e me disse que eu havia assistido a muito filme de ficção científica.

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2º Texto

Gênero: Carta Pessoal

Tema:"As formas de Vigilância e o controle do corpo".
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Ao
Sr. Presidente do
Comitê Olimpico Internacional (COI)
Sr. Edward Reyers


Sr. Presidente,

Escrevo-lhe esta, na condição de atleta. Durante 20 anos compus o quadro de atletas da comissão Nacional Esportiva Chinesa. Durante estes anos tive o privilégio de participar de três olimpíadas, onde consegui o feito heróico de conquistar 3 medalhas, sendo 1 de prata e 2 de ouro.

Acredito que para conseguir esse sucesso, foi fundamental o apoio que tive, tanto da comissão nacional esportiva Chinesa, como também de seus membros individuais, que não mediram esforços para dar bom condicionamento físico e boa capacitação profissional para os atletas.

No entanto, quero aqui apresentar alguns acontecimentos que, como o ganho das medalhas, também tiveram um grande efeito sobre minha vida. Comecei meu treinamento muito cedo, com apenas 5 anos de idade. Esta idade, porém, é comum para a iniciação esportiva em meu país. Os métodos, contudo, é que quero questionar.

Durante meu treinamento fui submetido a uma carga muito pesada, de 6 horas/treino darias intensivo. Além dos estudos que envolvem outras 6 horas por dia. Mas, por mais angustiante que o esforço físico seja, este não foi o trauma pior. Durante toda a minha infância tive que ficar isolado de minha familia. Fui privado durante longos períodos, de até 6 meses, do convívio familiar.

Hoje, após encerrar a carreira esportiva, enfrento alguns traumas em minha vida, que acredito, seja resultado dos difíceis anos da infância/adolescência. Tenho muita dificuldades para manter um relacionamento familiar. Como conseqüência sou divorciado, moro sozinho, e estou com um problema grave de depressão.

Vários de meus colegas, também se encontram na mesma situação. Alguns até em situação pior. Por exemplo, um de meus colegas, não aguentando a pressão e a frustração que lhe sobreveio, após o enceramento de sua carreira, cometeu suicídio.

É claro que o apoio ao esportes, a disciplina e o esforço, são fortemente aplaudidos por mim. Mas, como podemos tornar essas crianças fisicamente preparadas, em adultos emocionalmente equilibrados? O que se pode mudar, para que tais crianças não sofram do mal da infância perdida?

Deixo aqui meu apelo profundo, meu desabafo interior, meu grito de socorro.
Não pensando em mim somente, mas nas milhares de crianças que ainda poderão ser ajudadas. Tenho esperança, que com os esforços de todos nós e especialmente de vocês isso poderá mudar.

Atenciosamente,


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3º Texto

Gênero: Editorial

Tema: "As formas de Vigilância e o Controle do Corpo".
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"Cada um Vale o que tem!" Assim se resumia o conceito popular, sobre o que é ter sucesso, a alguns anos atrás. Mas no mundo globalizado que vivemos, com certeza tem havido uma mudança de pensamento. Podemos resumir o conceito de hoje da seguinte forma: "Cada um vale as intervenções cirúrgicas que fez".

A medicina tem alcançado progressos surpreendentes, especialmente no tange a estética e a longevidade. O resultado é que as pessoas vivem mais, e vivem com uma qualidade de vida superior à vida que nossos pais e nossos avós tinham. Isto por si só é um fator positivo, porém, tem ocorrido muita discussão quanto a validade das intervenções cirúrgicas, com a finalidade de uma melhora na estética.

Hoje, com a melhoria da medicina tem havido uma "vazão à obsessão doentia pela manutenção da beleza e juventude". Assim comentou o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional de São Paulo, João de Moraes Prado Neto. Também, segundo João de Moraes, "o resultado dessa obsessão são bizarrices"...

Procurar melhorias de estética e buscar a juventude , segundo nosso conceito, não pode ser classificado como "obsessão doentia", nem tampouco, seria justo apontar para os resultados, como "bizarrices". Pois os resultados comprovam que tem havido uma melhoria significativa na qualidade de vida, resultando em pessoas com auto-estima elevada.

Segundo a revista Veja, de 9 de julho de 2008, no artigo com título: "Velhice? Fica Pra Mais Tarde", numa pesquisa de como se sentem as mulheres acima de 50 anos, referente a aplicação da medicina moderna para controle do corpo e melhoria da estética, curiosamente, as mulheres se sentem melhores, com a auto-estima em cima. Rejeitam o rótulo de "mais Velhas", gostam de sexo e tem uma vida social ativa.

Então, o que o sr. João de Moraes Prado Neto, chama de obsessão, preferimos chama-la de busca obstinada para melhorar a qualidade de vida, pretensão a uma vida significativa, viver sem estar preso a rótulos ou estigmas.

As "Bizarrices", conforme citadas, nós classificamos como um nivelamento para cima. Sim! Nivelamento para cima! E perguntamos, Por que não há tanta cobrança, nem critica, quando as pessoas se tornam iguais num nível inferior? Pois, se as intervenções cirúrgicas tem gerado pessoas "assustadoramente iguais uns aos outros", podemos dizer também que sempre houve pessoas "assustadoramente tristes, sem amor próprio".

É melhor que as pessoas se tornem felizes usando a mesma máscara, a da plástica, do que vivam tristes, sem esperança, aguardando o inevitável, esperando que lhe sobrevenha a morte, para poderem descansar eternamente.

Cada um vale as intervenções cirúrgicas que fez, cada um vale o quanto está disposto a melhorar sua vida. E ninguém pode julgá-lo por querer ser feliz.
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VIGIAR E PUNIR. MICHEL FOUCAULT. RESENHA

Michel Foucault Vigiar e punir – Nascimento da prisão FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir : nascimento da prisão; tradução Raquel Ramalh...