A Dois Passos do Paraíso


Meus pés tocaram as águas frias
Que corriam por entre as pedras
Revestidas de verde, de um verde lodo.
Senti aquele frescor,
Respirei o aroma único
Produzido pelo ecosistema
Que ainda preserva as características
De um lugar paradisíaco.

Meus pensamentos fizeram um rápido regresso
Aos tempos passados,
Quando eu ainda era um garoto.
Ali, naquele mesmo lugar,
Debaixo daquelas mesmas árvores,
Sentado na mesma pedra,
Quantas tardes passaram!




Emociono-me ao ver meu filho
Se encantando com aquele lugar
Tão simples e ao mesmo tempo tão significativo.
Fico a olhar sua curiosidade,
Sua empolgação com as descobertas
De um lugar tão conhecido meu.

Ali naquele lugar, ensurdecido pelo
Barulhento silêncio me ponho a refletir
Sobre como o tempo passa num piscar de olhos.
Ontem eu era um garotinho que descobria o paraíso,
Hoje ainda me encanto por esse pequenino pedaço de mim
Que continua preservado, intacto.




Não sendo mais um garoto meu maior problema
É a interpretação dos sinais e dilemas do EU X EU.
Bem que eu poderia deixar passar em silêncio,
Ou em barulho, as alegorias constantes deste lugar exótico,
Mas eu fico sempre ensurdecido pela autenticidade do lugar,
Como se fica encantado pela beleza do poema,
Pela graça de um conto ou pelo delírio de um romance.

Não consigo me conformar com idéia de que só viemos
Dar uma pequena volta ao mundo.
É outono, mas sinto falta do azul e do cinzento.
Como vulcão aparentemente adormecido,
Sinto que algo irá emergir deste meu peito
Que foi traspassado pela doçura das águas
Límpidas e frias.
Ali não ouço plic-plic-plic, Vrruummmsss, craft-craft.
Como uma criança eu bailo em poemas multicoloridos.

Meus pés balançam nas águas frias
E retorno a realidade.
Mas, por um instante,
Por um breve instante senti a eternidade
Que habita em meu ser
Se aflorando e dizendo que viverei para sempre,
Enquanto puder pisar em suas águas frias e claras.




Por: Silvon Alves Guimarães


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