Páginas

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cartas Chilenas - Carta 9ª


Na 9ª carta, Critilo, passa a contar as desordens que Minésio, "o Fanfarrão", apronta em relação as tropas militares. Essas tropas deveriam servir para resguardar a lei e a ordem, assegurando aos cidadãos de bem, sossego e tranquilidade. Porém, o mau uso do poder militar, tem gerado o terror entre as pessoas que são humildes e cumpridoras das leis.

Meu caro Doroteu, o nosso chefe
É muito compassivo sim: bem pode
Oprimir os paisanos inocentes,
Com pesadas cadeias, pode ainda
Ver o sangue esguichar das rotas costas
À força dos zorragues; mas não pode
Consentir que se dê nos seus soldados
Por maiores insultos, que cometam,
A pena inda mais leve: assim praticam
Os famosos guerreiros, que nasceram
Para obrarem no mundo empresas grandes. (p.133)

As tropas garantiam o reinado de corrupção do mau governador. Qualquer um que ousasse sequer questionar as ações de Minésio era lançado na prisão e dali só sairia se pagasse alta fiança. Quem eram estes militares que se curvavam a tais ações brutais impostas por Fanfarrão?

Morreu um capitão, e subiu logo
Ao posto devoluto um bom tenente.
Porque foi, Doroteu? Seria acaso
Por ser tenente antigo? Ou porque tinha
Com honra militado? Não, amigo,
Foi só porque largou três mil cruzados! (p.134)

Os militares que alcançavam o posto de autoridade: capitão, coronel, tenente eram os que pagavam por este posto militar. Por terem comprado sua patente, esses militares, estavam integrados ao grupo de lacaios de fanfarrão, que podia requisitar seus serviços para manter as suas falcatruas e consequentemente punir aqueles que não pagassem a pesada carga tributária. Critilo escreve que o contingente militar era composto “De tropa auxiliar uns treze corpos” (p.136), ou seja, tinham mais tropas do que o necessário. Isto se dava para que mais pessoas pudessem alcançar o cargo de autoridade, o que representaria um ganho a mais para Fanfarrão, na venda de patentes.

Os zelosos juízes punir querem
A injúria da Justiça; formam autos,
Procedem às devassas, pronunciam,
E mandam que esses nomes se descrevam
Nos róis dos mais culpados. Mas, amigo,
De que serve fazer-se o que as leis mandam
Na terra, que governa um bruto chefe,
Que não tem outra lei mais que a vontade? (p.142)

De nada servia todas as leis, que eram lidas em praças públicas, pois Minésio não considerava nenhuma, mas agia sempre de acordo com sua vontade.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cartas Chilenas - Carta 8ª

Lamentando o triste fato de que “Fanfarão” distorce as Leis que foram criadas para a proteção dos fracos, para impedir que gananciosos e avarentos se aproveitem dos de menos posses, Critilo, na sua 8ª carta, faz um desabafo a seu amigo Doroteu: Gostaria que Minésio, o Fanfarão, tivesse recebido instrução, instrução escolar, enquanto criança, pois assim, quem sabe, este poderia ter desenvolvido um pouco de justiça em sua pessoa.

Que não busque cobri-los com tal capa,
Que inda se persuada que os mais homens
Lhos ficam respeitando como acertos?

“Que não busque cobri-los com tal capa, ” – que não os esconda com uma falsa aparência. Com essas palavras, Critilo, relata que no governo de Minésio, tudo se faz uma farsa. Os atos de corrupção de Minésio e dos seus lacaios, são como que cobertos por uma capa de justiça e retidão.

Maldito, Doroteu, maldito seja
O pai de Fanfarrão, que deu ao mundo,
Ao mundo literário tanta perda,
Criando ao hábil filho numa corte,
Qual morgado, que habita em pobre aldeia!

Critilo acredita que se Minésio tivesse o conhecimento das palavras, poderia recorrer aos altos das leis, em que vários pobres, foram beneficiados. Esses relatos, em que se fez justiça aos de condição humilde, poderia mover Minésio a praticar, pelo menos um pouco de justiça. Porém, Fanfarão, não recebera instrução literária, mas fora criado nos meios políticos, em que se tem uma noção totalmente desvirtuada do poder de um governante, atuando antes como um poderoso imperador que busca seu próprio deleite e satisfação.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Cartas Chilenas - Carta 7ª

Critilo inicia a 7ª carta comparando a riqueza e a boa vida que os nobres desfrutam em Portugal, aqui chamada de Espanha. Os nobres são possuidores de fazendas com palácios e muitos servos. Porém, longe do reino de nossa majestade, aproveitadores, como Minésio, desfrutam de regalias destinadas aos nobres, contudo, ele e seus lacaios, se possuem riquezas são as extorquidas das pessoas de bem e em geral dos mais pobres.

Assim os generais da nossa Chile
Têm diversas fazendas: numas passam
As horas de descanso; as outras geram
Os milhos, os feijões e os úteis frutos
Que podem sustentar as grandes casas. (p.112)

“Que podem sustentar grandes casas”. – Em Vila Rica há grandes proprietários que possuem pelo menos duas terras. Uma para divertimento e outra que gera lucros tão altos que podem sustentar várias famílias ou casas luxuosas.

Indigno, indigno chefe! Tu não buscas
O público interesse. Tu só queres
Mostrar ao sábio Augusto um falso zelo;
Poupando ao mesmo tempo os devedores,
Os grossos devedores, que repartem
Contigo os cabedais, que são do Reino. (p. 120)

A política de Minésio é de pura exploração dos pobres e favorecimento dos ricos, com interesses em propina, é claro. Desta forma, os de poucos meios tem sido duramente penalizados e os cofres de nossa majestade, o Rei de Portugal, tem sido esvaziados.

Amigo Doroteu, o nosso chefe
Patrocina aos velhacos, que lhe mandam,
Para que mais lhe mandem. Prende e vexa[549]
Aos justos, que entesouram[550] suas barras,
Para ver, se oprimidos se resolvem
A seguir os caminhos dos que largam. (p. 122)

Cartas Chilenas - Carta 6ª

Na 6ª carta, Critilo, conta sobre os andamentos da festa, em que os membros antigos e de prestígio da cidade são deixados de lado, para que Minésio possa receber toda a atenção. Em meio a todo aqueles acontecimentos que estão envoltos de corrupção e obscenidades, Critilo avista no camarote de Minésio, sua doce amada Nise. Neste momento seu coração para, ele não quer acreditar no que seus olhos lhe revelam. Como se não fosse suficiente, ver sua amada entre aqueles abusadores do poder, Critilo, ainda vê sua amada ser cortejada por um dos lacaios de Fanfarão. Neste instante, sua ira é tanta que ele pega sua espada disposto a traspassa-la ao meio, por tamanho afronte. Quão aliviado fica ao perceber que aquela cena fora apenas um sonho ou melhor um pesadelo!

Soberbo e louco chefe, que proveito
Tiraste de gastar em frias festas
Imenso cabedal, que o bom Senado
Devia consumir em coisas santas?
Suspiram pobres amas e padecem
Crianças inocentes, e tu podes
Com rosto enxuto[517] ver tamanhos males?
Embora! Sacrifica ao próprio gosto
As fortunas dos povos que governas;
Virá dia em que mão robusta e santa,
Depois de castigar-nos, se condoa[518],
E lance na fogueira as varas torpes.
Então rirão aqueles que choraram;
Então talvez que chores, mas debalde:
Que suspiros e prantos nada lucram
A quem os guarda para muito tarde.
(Versos 516b-518)

Assim como Minésio age, se divertindo e provocando o mal, ele há de ser tratado. Deus em sua misericórdia há de suscitar um salvador que ponha fim a todos os abusos de Fanfarão e seus lacaios.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Cartas Chilenas - Carta 5ª


Na 5ª carta, Critilo, conta as desordens feitas nas festas, caras festas, que são um claro desperdício de dinheiro público. Em tais festas, todos os lacaios de Fanfarrão e pessoas ligadas ao poder público têm participação. O desperdício de recursos com festas que além de onerosas, só servem para satisfazer os desejos de Minésio, faz com que Critilo teça uma interessante comparação entre o infame governante e o imperador Romano do passado:

Quem pode, Doroteu, zombar, contente

Do César dos Romanos, que gastava

As horas, em caçar imundas moscas?

Apenas isto lemos, o discurso

Se aflige, na certeza de que um César,

De espíritos tão baixos, não podia

Obrar um fato bom, no seu governo.

(Cartas Chilenas, p. 38)
Um César de espírito baixo, que gasta seu tempo a caçar moscas! Com essas palavras Critilo deixa bem claro seu total desacordo com o estilo ostentoso de vida que o governante leva. Além de tudo, existe o total desrespeito às tradições da igreja. Minésio não respeita nem a autoridade do idoso bispo da cidade. Que tempos são esses?! Esse clamor ecoa entre as vozes dos oprimidos.

Cartas Chilenas - Carta 4ª (reeditado)





Critilo maldiz o seu coração de poeta, que não o deixa aproveitar a vida, que exige dele que complete logo a sua história. Para escrever outra carta para Doroteu, Critilo dispensa banquete na casa de Alceu. Na sua 4ª carta, Critilo continua discorrendo sobre a construção onerosa da cadeia pública, em que escravos e presos tem de trabalhar todos os dias sem nenhum descanso semanal.

Responde, louco chefe, se podes

Tais violências fazer. Não era menos

Lançares sobre os povos um tributo?

Os homens que tem carros e os que vivem

De víveres venderem são, acaso,

Aos mais inferiores nos direitos?

Esta cadeia é sua, porque deva

Sobre eles carregar tamanho peso?

(versos 230 a 237)
O grande chefe não cansa de suas peraltices. Manda confiscar o carro usado na construção de um templo religioso, mantido por esmolas dos devotos e dos que pelas bênçãos do Cristo foram atendidos. Como justificativa, Fanfarrão, diz que quando Cristo esteve na terra mandou que Pedro pagasse o imposto por ele, portanto, não devia a imagem do Cristo, também continuar no mesmo proceder do seu real?

 



Cartas Chilenas - Carta 3ª (reeditado)

As injustiças e violências de Fanfarrão são por motivos de somenos importância. Critilo diz que Minésio tem tudo para ser um bom “chefe”, mas ele não tem nenhum “sistema”. Fanfarrão toma por empreitada a construção de uma suntuosa cadeia. Critilo chega até mesmo a comparar, a obra da cadeia com as grandes obras faraônicas. Tal obra custosa serve para prender os negros que devem e que não devem e na falta de negros outros quaisquer que se enquadrem nos termos de vadios, são logo lançados na prisão.
Prepara o branco lenço, pois não podes
Ouvir o resto, sem banhar o rosto
Com grossos rios de salgado pranto.
Nas levas, Doroteu, não vêm somente
Os culpados vadios; vem aquele
Que a dívida pediu o comandante;
Vem aquele, que pôs impuros olhos
Na sua mocetona e vem o pobre,
Que não quis lhe emprestar algum negrinho,
Para lhe ir trabalhar na roça e lavra.
Estes tristes, mal chegam, são julgados
Pelo benigno chefe a cem açoites.
(versos 229 a 240)
As injustiças que Fanfarrão comete, são prontamente copiadas pelos seguidores e lacaios, que querem se parecer com o chefe que a tudo pode. Assim a corrupção, a injustiça, os desmandos vão se tornando a ordem do dia. Esta situação corta o coração dos que habitam Santiago (Vila Rica), alguns como Critilo, não dormem a noite, desejando encontrar uma solução para tanta opressão.
 
 
 

Cartas Chilenas - Carta 2ª (reeditado)




 

Mal se põe nas igrejas, de joelhos,
Abre os braços em cruz, a terra beija,
Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,
Faz que chora, suspira, fere o peito,
E executa muitas outras macaquices
Estando em partes onde o mundo as veja.
(versos 85 a 90)
Quem ousa falar contra Minésio, rapidamente é acusado de um crime qualquer e se vê fechado na cadeia. Também nesta situação, Fanfarrão se faz de vitima, um justo sendo caluniado, mas diante seu acusador, mostra ter compaixão estando disposto a esquecer toda “calúnia” feita contra ele e perdoa o acusado desde que este se comprometa a não mais lhe insultar. Não é por nada que o autor destas cartas fizesse questão do anonimato, pois corria perigo sua vida.
Fanfarrão faz papel de juiz, o povo aflui a sua casa em busca de obtenção de vantagens. Fanfarrão, se faz de deus, concedendo a vontade de todos sem se importar se estes têm ao seu lado a justiça ou não. Assim a criminosos é concedido o perdão, aos malfeitores a razão, aos que cometem os mais diversos atos desonestos, é lhes concedido a virtude. Javé, o Deus soberano, tem de seguir regras para o bom andamento do universo, mas Peralta, não conhece restrições.
 

Cartas Chilenas - Carta 1ª (reeditado)



Critilo descreve a entrada de Fanfarrão, Minésio, no Chile, aparentando uma piedade da qual não é possuidor. Ele pede que Doroteu abandone o que estiver fazendo e dê atenção ao que ele irá lhe contar. Diante a conhecer as façanhas do D. Quixote às avessas, qualquer atividade que Doroteu esteja a realizar, são comparadas com sonhos desconecto da realidade, daqueles que se tem durante os sonos profundos.

Ah! Tu, Catão severo, tu que estranhas

O rir-se um cônsul moço, que fizeras

Se em Chile agora entrasses e visses

Ser o rei dos peraltas quem governa?

Já lá vai, Doroteu, aquela idade

Em que os próprios mancebos, que subiam

À honra do governo, aos outros davam

Exemplos de modéstia, até nos trajes.

(Versos 93 a 100)

Minésio, o governador dos peraltas, está rodeado de lacaios que estão a lhe aplaudir os atos e estes mesmos se empenham em engrossar a corrupção se comportando como verdadeiros senhores soberanos que a nada temem e a ninguém respeitam. Dentre estes se destacam Robério e Matúsio.

O comportamento de Fanfarrão é tão absolutista, que Gonzaga diz que os céus têm outra configuração, não se vê mais o Sol e a Lua, no lugar sobe um cometa que cobre toda a terra com sua cauda. Pobre Chile! Melhor seria se tivesse sido acometido pelas pragas do Egito. Depois que toma posse, Minésio, trata a todos com um desprezo que os faz sentirem saudades do governante anterior.

Cartas Chilenas - Introdução (reeditado)



A obra “Cartas Chilenas” é um texto satírico da literatura brasileira. Trata da corrupção de Luís da Cunha Meneses, governador da capitania de Minas Gerais entre 1783 e 1788. Nestas Cartas, “chilenas” querem dizer “mineiras”. Chile é Minas Gerais; Santiago, Vila Rica. Os personagens também despistam a inspiração: O governador ficou ilustrado por Fanfarrão Minésio; o autor se autodenomina Critilo; o destinatário das cartas chama-se Doroteu.
Escrito sobre anonimato, para se evitar represálias, sendo atribuída de consenso a Gonzaga, por volta de 1845. O autor expõe os costumes da cidade de Vila Rica de modo caricato e impiedoso, não perdoando, sobretudo os atos grosseiros e desmandos da aristocracia. Cada carta segue um enunciado onde se estabelece a temática da carta: a entrada de Fanfarrão no Chile; a fingida piedade deste a fim de conseguir negócios; suas violências e injustiças; o casamento do futuro rei D. João 60 e Carlota Joaquina; as desordens e brejeirices de Fanfarrão.

A influência dos iluministas franceses é bem evidente. Gonzaga teria se inspirado no estilo satírico de Voltaire e nas Cartas Persas (1721), do barão de Montesquieu (1689-1755), para intitular seu poema. A obra de Montesquieu se pauta na comparação entre culturas e costumes diferentes e usa a ironia como forma de denúncia. Nesta obra que se tornou um dos manuais do iluminismo, um persa visita a França e tenta entender os hábitos e as instituições do país.


A Inconfidência Mineira lutava, entre outras coisas, contra a cobrança abusiva sobre a exploração do ouro. Tomás Antônio Gonzaga teve participação ativa neste movimento, fazendo suas denúncias através dos seus escritos. Além de Cartas Chilenas, Gonzaga escreveu também as liras “Marília de Dirceu” que se enquadra no mesmo estilo e completam a alta produção do poeta.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Escrever com Atitude: 15 coisas que deve evitar para melhorar sua escrita.


Muitos livros, blogs, artigos e revistas na atualidade, tem sido escritos com a intencionalidade de autoajuda.  Confesso que não sou muito adepto desse tipo de leitura, porém, me chamou a atenção um artigo de um blog com título em espanhol: Actitud escritora: 15 cosas que hay de dejar de lado para escribir mejor. Tratava-se da tradução de um artigo em Inglês que tem o título: 15 Things You Should Give Up To Be Happy. O artigo em Inglês traz dicas sobre como ser feliz no casamento e o tradutor para o espanhol adaptou, o texto, com dicas de como escrever melhor e ser feliz fazendo isso.
 
Achei o artigo de muito bom gosto e com sugestões interessantes. Decidi traduzi-lo para o português, pensando nas pessoas que, como eu, se dedicam a escrever, seja como passatempo ou profissionalmente.
 
Para quem desejar ler a versão espanhola ou o original Inglês, podem fazê-lo clicando nos links abaixo:
 
 
 
15 coisas que você deve deixar de lado para escrever melhor, e quem sabe ser mais feliz escrevendo.

1.    Renuncie a necessidade de ser o melhor do seu grupo. Escrever é uma questão de criatividade e a criatividade se alimenta, em partes, do ego. Os escritores amam seus textos, seu estilo, seu gênero, e não raro, tendem a menosprezar os outros se colocando num lugar superior. Em todo grupo de pessoas é irrefutável o desejo, do escritor, de estar acima, de ser a referência. Ainda que nesse momento não o seja, o escritor pensa com ele mesmo, que é injusto o lugar em que se encontra, que deveria ser o primeiro e que tem qualidades melhores do que o outro. Mas, esta atitude não tem nada a ver com a melhoria da escrita, é simplesmente uma questão de posição. Que diferença fará, para seus escritos, se você é o primeiro ou o sexto? Será que seu ego é tão grande assim?
2.    Renuncie a sua necessidade de controlar tudo. Temos a necessidade de controlar tudo que colocamos sobre o papel (estrutura, eventos, linguagem, sintaxes). Deixe que sua escrita flua sem críticas, sem controle, sem censura prévia. Haverá, depois, um tempo para que sejam feitas as revisões e as correções necessárias, mas no momento da criação deixe-se levar. (Deixando as coisas irem, permites que tudo se faça. Ganham o Mundo aqueles que relaxam. Mas é preciso tentar, tentar e tentar novamente. Lao Tse)
3.    Deixe de culpar outros. Renuncie a necessidade de culpar aos outros pelo que você escreve ou deixa de escrever, pelo que produz, pelo que abandona. Não dê poder aos outros sobre suas produções e comece a aceitar a responsabilidade sobre seu tempo de escrever, sua dedicação, suas preferências e seus textos.
4.    Deixe de ter atitude autodestrutiva e de falar mal de seus textos. Quantas pessoas menosprezam a si mesmas por causa do pensamento negativo, baixa estima e mentalidade autodestrutiva? Não acredite em tudo que sua mente diz sobre você (em especial se for negativo e contraproducente). Você é melhor do que isso e o fato de sentar-se regularmente para escrever já mostra isso. (A mente, se usada corretamente e espetacular. Porém, com um uso impróprio se torna muito destrutiva. Eckhart Tolle)
5.    Não tenha Limites de criatividade. Pensar que há coisas que você não pode escrever limita seus textos. A partir de agora não permita que suas crenças, seus pudores, seus medos capturem sua criatividade. Tudo se pode alcançar por meio de esforço e dedicação. O difícil pode ser alcançado. O que parece impossível, leva mais tempo, mas também pode ser alcançado.
6.    Pare de se queixar. Deixe de ficar se queixando das coisas, das pessoas, das situações e dos acontecimentos que te impedem de desfrutar de sua paixão por escrever. Ninguém pode fazê-lo infeliz, nenhuma situação pode impedi-lo de fazer o quer e desfrutar disso, a menos que você o permita. Não são os acontecimentos que provocam esses sentimentos em você, mas sim a forma como você escolhe sentir-se diante desses acontecimentos. As queixas incrementam a negatividade. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.
7.    Esqueça as criticas mal-intencionadas. Pare de criticar agressivamente os livros, gêneros, histórias ou escritores que são diferentes dos seus e dos que você gosta. Todos somos diferentes, mas no final todos somos os mesmos. Todos queremos ser felizes escrevendo, no final se trata exatamente disso. Todos queremos ser compreendidos, queremos comunicar-nos, queremos transmitir nossas ideias e queremos fazê-los do nosso jeito.
8.    Renuncie sua necessidade de impressionar. Deixe de tentar tão intensamente escrever algo que simplesmente você não sente, somente para se parecer com outro escritor. Não funciona assim. No momento em que você deixa de tentar ser como outro, que deixa cair as máscaras, que aceita e abraça o seu verdadeiro eu, encontrará a sua voz e com ela os seus leitores, e isso, sem muito esforço.
9.    Renuncie a inércia e a sua resistência a mudanças. Ninguém é o mesmo que era ontem, com os textos acontece o mesmo. A mudança é boa, nos faz incorporar novas ideias e pontos de vista, nos faz evoluir. A mudança te ajudará a alcançar melhoras em sua forma de escrever, levando em conta aspectos que antes lhe escapavam. Se realmente prestamos atenção e vamos assimilando os conhecimentos novos, a mudança será uma evolução. (Siga buscando a felicidade e o universo abrirá portas onde só havia muros – Joseph Campebell)
10. Esqueça os rótulos. Deixe de rotular todas as coisas que escreve, as histórias que lê, os escritores novos ou aquilo que a principio não compreende, como algo estranho, louco ou simplesmente errado. Procure abrir sua mente pouco a pouco às diferentes formas de expressão, às diferentes formas de transmitir ideias e sentimentos. Sua mente só funcionará a 100% quando estiver totalmente aberta. (A forma mais elevada da ignorância é quando alguém rejeita algo do qual não sabe nada – Wayne Dyer).
11. Renuncie ao medo de se expor. O medo é só uma ilusão, não existe, você é quem o cria. Tudo está em sua mente, criando limites e te censurando. Se der o seu melhor e se esforçar em escrever do seu jeito, o resultado será satisfatório e terá motivos para se orgulhar. (A única coisa que temos a temer é nosso próprio medo – Franklin D. Roosevelt).
12. Pare de inventar desculpas. Identifique-as e elimine-as de sua rotina. Não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos, nos damos pouco tempo para escrever ou evitamos a história que realmente queremos contar, por causa das muitas desculpas que temos a nossa mão, prontas para serem usadas. Em vezes de crescermos e trabalharmos para melhorar nossa escrita, nossa história, nossos textos, ficamos presos e mentimos para nós mesmos usando todo tipo de desculpas possíveis, que em 99,9% das vezes, nem sequer são reais.
13. Abandone o passado. Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando parece que no passado escrevíamos com mais fluidez, com mais ímpeto, tínhamos milhões de ideias na cabeça e parece que agora formou-se um bloqueio em nossa mente. Mas, você deve levar em conta que o momento presente é tudo que temos e é o que sempre teremos. Deixe de enganar a você mesmo: O melhor momento para escrever é agora mesmo. Tenha uma visão correta do futuro, prepare-se para ele, mas sempre comece a escrever agora.
14. Abandone o seu apego a sua antiga forma de escrever. No momento em que você se soltar de sua escrita de anos atrás, de suas condições, suas manhas e vícios, seus textos se tornarão fluidos, constantes e criativos, ao ponto de te surpreender. Você pode chegar ao ponto de compreender as coisas que fazia mal e corrigi-las, melhora-las, sem estresse, sem mal-estar. Seu melhor e mais implacável crítico construtivo deve ser você mesmo e quando for capaz de identificar os defeitos em sua escrita será também capaz de supera-los.
15. Pare de escrever segundo as expectativas dos outros. Muitos escritores tentam criar uma obra que não é sua. Procuram escrever de acordo com o que outros pensam; tentando agradar seus parentes; seus amigos; seus inimigos; seus professores; seus governantes e os meios de comunicação, ignorando assim sua voz interior. Estão tão ocupados escrevendo sem alma, para agradar ao mundo a sua volta, tentando estar à altura das expectativas das outras pessoas, que perdem o controle sobre suas histórias. Deixam de desfrutar o prazer de escrever o que gostam, o que necessitam, o que querem. Esquecem de si mesmos. Você quer comunicar-se, escrever essa fantástica história que tem em sua cabeça, do seu jeito? Então, não deixe que as opiniões dos outros te desviem do seu caminho. Em nossos textos, como em nossa vida, vamos acumulando coisas, umas úteis e outras pesadas e sem utilidade. Saber distingui-las e ir liberando o lastro é o que nos torna sábios.

domingo, 14 de junho de 2015

II OUVINDO VOZES E PROMOVENDO DIÁLOGO - MESTRADO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO PARA CIÊNCIAS E MATEMÁTICA DO IFG - CÂMPUS JATAÍ




A Educação Cientifica e a Formação para a Cidadania

A Educação a partir do século XX tem como objetivo a formação do cidadão. Espera-se que este cidadão esteja preparado para enfrentar os desafios do mundo moderno. Com os avanços científicos e tecnológicos alcançados, na atualidade, a educação cientifica se converteu numa exigência urgente, num fator do desenvolvimento das pessoas e dos povos. Uma alfabetização cientifica “surge dos anseios da sociedade por uma participação mais eficiente e atuante nos debates de ordem sócio científico e tecnológico do espaço em que convivem e se relacionam” (LUZ: 2013 p. 1).
          A educação cientifica tem sido ressaltada e pensada nos encontros de educadores, nos trabalhos de investigação, em publicações e congressos. A investigação em didática das ciências destaca que ocorre reiteradamente um elevado insucesso escolar, caracterizado pela falta de interesse e em alguns casos até mesmo de repulsa, que as matérias científicas têm gerado. Alfabetização cientifica é segundo Bybee, citado por CACHAPUZ et al (2005), “a expressão de um amplo movimento educativo que se reconhece e mobiliza atrás do símbolo da ‘alfabetização cientifica’”, justamente por este motivo, o movimento da educação cientifica pode gerar “o perigo de uma ambigüidade que permite a cada pessoa atribuir-lhes significados distintos”, dificultando que haja “um consenso sobre como e onde direcionar a sua aplicação (CACHAPUZ et al, 2005:19).
          Os educadores apontam a necessidade de uma formação cientifica que permita aos cidadãos participarem na tomada de decisões, em assuntos que se relacionam com a ciência e tecnologia. Este argumento, o acesso a democracia, é o mais amplamente utilizado por quem reclama a alfabetização científica e quer vê-la implantada como um componente básico da educação para a cidadania.
          A educação cientifica tem sido apontada como grande contribuinte para a formação de um cidadão ativo, porém, Cachapuz et al (2005) menciona que “uma tese” que tem sido confirmada por professores e planejadores dos currículos “é que a educação cientifica tem estado orientada para preparar os estudantes como se todos pretendessem chegar a ser especialistas em biologia, Física ou Química” (CACHAPUZ et al: 2005, pag. 29). Essa orientação tem gerado um mal estar entre os alunos, que na sua maioria, não decidiram que caminho educacional pretende seguir. Tal orientação, contida nos currículos, deve ser modificada, pois a educação cientifica se apresenta como parte de uma educação geral para todos os futuros cidadãos.
Enseñar, infelizmente, aún es, en muchos de los casos, simplemente adiestrar a los alumnos para que se tornen hábiles reproductores de los saberes ya reconocidos y tenidos como verdades irrefutables. Los manuales de enseñanza, en su mayoría, organizan anacrónicamente los contenidos, contribuyendo a construir en los estudiantes visiones deformadas del hacer científico y de sus relaciones con La tecnología. (GOMES: 2011, p. 74)
          A melhoria da educação cientifica tem como requisito fundamental, modificar a imagem da natureza da ciência que transmitimos. Para tanto é necessário modificar a epistemologia dos professores. Uma investigação sobre como se podem transmitir os conhecimentos científicos de uma maneira que gere um cidadão mais consciente de si e do seu papel junto à sociedade, pode contribuir para que haja uma superação das visões deformadas da ciência e da tecnologia, ajudando na renovação da educação cientifica.

Referências:
CACHAPUZ, Antonio. et al. A renovação necessária do ensino das ciências. São Paulo: Cortez, 2005.
CACHAPUZ, Antonio. et al. A renovação necessária do ensino das ciências. São Paulo: Cortez, 2005. Resenha de GOMES, José Leandro de Albuquerque Macedo Costa. Revista de Filosofía y Ciencias, Prometeica. Año II, n. 5, sptiembre-deciembre, 2011.
LUZ, Cláudia Sampaio Guimarães; PIRES, Luciene Lima de Assis. Algumas implicações da educação ambiental com a ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (CTSA). I Seminário de Pós-graduação em educação para Ciências e Matemática, Jataí – GO, 2013. www.jatai.ifg.edu.br/semlic/seer/index.php/anais/article/.../294/104 acesso em: 28 ago. 2014.

A Alienação do Homem em Função do Trabalho

O homem: um ser alienado em função do trabalho. Esta frase pode muito bem resumir o que Marx (2004) pensava do homem em sua relação com o trabalho. A crítica de Marx (2004) é dirigida a uma economia e a uma sociedade que transformam o homem numa mercadoria das mais deploráveis e sem valor. Esta sociedade tem dividido os seus membros em senhores e servos, ou melhor, entre possuidores de propriedadese trabalhadores sem propriedades. Sociedade que explora o indivíduo, que enriquece cada vez mais com o trabalho que explora, enquanto o trabalhador se torna mais miserável à medida que produz mais riquezas. Marx (2004) comenta:
A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e parciais que um objeto só é nosso quando o temos, quando existe para nós como capital ou quando por nós é diretamente possuído, comido, bebido, transportado no corpo, habitado, etc., ou melhor, quando é utilizado. [...] Portanto, todos os sentidos físicos e intelectuais foram substituídos pela simples alienação de todos os sentidos, pelo sentido do ter. (MARX, 2004, p. 142).
          O homem se aliena, sobretudo graças ao trabalho que assume, renunciando a sua condição de ser genérico. Mas o que é o homem para Marx? O homem é um ser natural, porque traz em sua essência a própria natureza. Desta forma, o homem é naturalmente livre, o que o torna diferente dos animais. Pois possui a capacidade de utilizar a natureza a seu favor e em favor da satisfação de suas necessidades mais imediatas, de forma que ela é condição de possibilidade da existência humana. De acordo com o professor Sobral (2005), “o homem faz da atividade de produzir a sua vida, da atividade vital, um objeto da vontade e da consciência [...] uma vida que [...] não pode ser reduzida à manutenção da capacidade de trabalho, à subsistência.” (SOBRAL, 2005, p.102).
          Desta forma, definir o homem, para Marx, é falar de sua natureza enquanto “consciência genérica”, na qual ele “ratifica sua vida social real e reproduz no pensamento apenas a sua existência real”; sendo assim “o ser genérico se confirma na consciência genérica e existe para si, na sua universalidade, como ser pensante” (MARX, 2004, p. 141). Assim Marx (2004) define o que acredita por natureza humana sem, contudo, abandonar a defesa de uma liberdade do homem, demostrando sua crença numa natureza humana fixa, previsível, mas que pode se auto-realizar por meio do trabalho e do processo produtivo, que diferencia o homem de todos os animais. Dessa forma, não podemos pensar o homem de forma isolada do processo produtivo, ou das relações com outros homens, que terão como consequência atitudes alienantes, à medida que o homem confere a um estranho o seu trabalho e/ou a sua vida genérica.
          O trabalho atinge seu objetivo, ao passo que, é fator de estranhamento que gera uma oposição entre o trabalhador e o produto de seu trabalho, assim o sujeito se aliena a seu trabalho na medida em que se realiza unicamente por ele, tendo já abandonado a sua própria realidade como sujeito histórico. Dessa forma, o trabalhador é tanto mais desvalorizado quanto mais mercadorias e bens produz. Neste mundo, ocorre que há uma valorização extrema do mundo das coisas em prejuízo para o mundo dos homens.
          A alienação é, em resumo, a objetivação do homem frente ao produto de seu trabalho, que age nele como uma natureza que lhe é exterior e que ganha um poder autônomo tornando-se capaz de lhe dominar. Mas é claro que toda objetivação e alienação do homem não se dão sem a natureza, sem o mundo que lhe é exterior e que lhe dá a capacidade de produzir os bens que produz. Assim a solução para o problema da alienação do homem e do trabalho “só pode ser colocada em termos políticos, numa época em que a sociedade considerada como uma superação real da sociedade criticada ainda não nasceu.” (MÉSZÁROS, 1981, p. 115) Ou seja, a solução, como nos aponta Marx (2004) ao longo de suas pesquisas referentes à temática da economia política, é puramente política, mas a realização de tais estudos é fundamental na medida em que só por meio de tais estudos se poderiam conquistar a luta política contra o sistema capitalista, que explora o ser humano como uma mera mercadoria, assim como ao seu trabalho.

Referências:
MARX, K. Manuscritos econômicos e filosóficos – terceiro manuscrito.Trad. de Alex Marins. São Paulo: Martin Claret,2004. (Coleção obra prima de cada autor)
MÉSZAROS, I. Marx: A Teoria da alienação. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
SOBRAL, F. A Concepção circular de homem em Marx:Um Estudo a partir dos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844. São Paulo: Nojosa Edições, 2005.

O mundo do trabalho e a coisificação do trabalhador

O mundo do trabalho não é em momento algum harmonioso, mas em algumas situações chega-se a limites inaceitáveis. Como exemplo, podemos citar a exploração da mão de obra em regime de escravidão. Este tipo de exploração é mais comum do que se imagina e por diversas vezes somos informados de trabalhadores que são vítimas de pessoas ou grupos inescrupulosos. Recentemente, no dia 28 de agosto de 2014, a notícia que me chamou atenção foi veiculada pela televisão e na internet. O artigo da internet tinha o título: “Com suor de escravos, produtos da Sadia e Perdigão rendem multa”, a notícia falava sobre a utilização de mão de obra escrava na produção de alimentos na empresa BRF, dona das marcas Sadia, Perdigão e Batavo.
O grupo BRF fora condenado a pagar indenização por dano moral coletivo no valor de 1 milhão de reais por manter trabalhadores em condições análogas às de escravos. O fato ocorreu em uma fazenda no município paranaense de Iporã. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª região (TRT-9). Contudo, o caso já se arrastava na justiça desde o começo de 2012, quando o Ministério Público do Trabalho de Umuarama (PR) constatou graves irregularidades trabalhistas nas atividades de reflorestamento realizadas na fazenda arrendada pela BRF. As irregularidades apontadas iam desde jornadas excessivas e condições precárias dos alojamentos até a contaminação da água fornecida aos trabalhadores.
Além do pagamento da indenização, a empresa também foi sentenciada a cumprir diversas obrigações quanto à higiene, saúde, segurança e medicina do trabalho, em relação a todos os trabalhadores que, de forma direta ou indireta, prestem-lhe serviços na atividade de reflorestamento.
No caso da BRF não é a primeira vez que o grupo recebe multas por descumprir a legislação trabalhista. Em 29 de junho de 2012, a unidade de Capinzal (SC), foi multada em 5,8 milhões de reais por não conceder pausas para trabalhadores das câmaras frigorificas. Mesmo depois de repetidas multas, o grupo BRF não concedeu as pausas aos funcionários o que levou o Ministério Público do Trabalho a aplicar a multa no valor acima citado, bem como outros ajustes que tiveram que ser efetuados nas unidades envolvidas.
Em notícia veicula pelo site Mídia News, em 07 de novembro de 2012, comentava a multa lavrada à BRF em quatro unidades no Estado de Mato Grosso. A multa de R$ 6 milhões foi aplicada por danos morais e coletivos, pela não concessão de pausas ergonômicas e de pausas regulares para descanso térmico aos trabalhadores das filiais da empresa em Mirassol D’Oeste, Várzea Grande, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. A indenização é a somatória de três ações civis públicas que estavam em andamento na justiça trabalhista. A empresa descumpriu a três liminares concedidas no Estado do Mato Grosso e a quantia de R$ 6 milhões tinha também um caráter compensatório.
Marx (2004) já falava sobre a alienação que o trabalho produziria. Quanto mais o trabalhador produz menos ele tem para consumir; quanto mais valor ele cria menos valor ele tem. Os bens produzidos são apropriados pelos ricos e restam ao trabalhador a privação e a miséria. O trabalhador passa por uma reificação ou coisificação, sendo transformado, de um ser humano com sentimentos a um objeto que completa a engrenagem de serviço.
A ação do mundo capitalista tem sido muito eficaz, conseguindo gerar uma naturalização sobre as ações destas empresas. Assim, não é incomum ouvirmos comentários favoráveis a tais grupos que, mesmo desconsiderando as leis trabalhistas, ainda são vistos por alguns como os benfeitores, aqueles que livram a sociedade de um mal maior, tirando de circulação os sujeitos que de outra forma, poderiam estar no mundo do crime.
A desfiguração do trabalhador é tanta, que mesmo sob forte exploração, na maioria dos casos o trabalhador não reage para se libertar do jugo que lhes sobrecae, necessitando da intervenção de terceiros, para punirem os exploradores. O trabalho não pertence mais a si mais a outrem e perde sua espontaneidade. Às vezes ocorre até mesmo uma reação negativa do trabalhador em relação ao terceiro que tenta quebrar o jugo que esses tem que carregar, pois estes não conseguem visualizar uma perspectiva melhor e nem estão conscientes de seus direitos como trabalhadores.

Referências:
Com suor de escravos, produtos da Sadia e Perdigão rendem multa.Internet.Disponívelemhttp://www.notibras.com/site/com-suor-de-escravos-produtos-da-sadia-e-perdigao-rendem-multa/acesso em: 28 ago. 2014.
MARX, K. Manuscritos econômicos e filosóficos – terceiro manuscrito.Trad. de Alex Marins. São Paulo: Martin Claret,2004. (Coleção obra prima de cada autor)
PEREIRA, Katiana. Danos morais e coletivos. Mídia News. http://midianews.com.br/imprime.php?cid=139789&sid=24acesso em: 28 ago. 2014.