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Cartas Chilenas - Carta 13ª FINAL

Um mundo estranho e cheio de injustiças! Com este pensamento, Critilo chega ao final de seus relatos sobre as peripécias do famigerado Governador de Chile Fanfarrão Minésio. Esta décima terceira carta, que ficara incompleta, faz uma denúncia do uso da religião e da religiosidade do povo para meios corruptos.
[...] Ainda, caro amigo, ainda existem Os vestígios dos templos suntuosos Que a mão religiosa do bom Numa Ergueu a Marte e levantou a Jano. Ainda, ainda lemos que elegera, Para essas divindades sacerdotes, E que muitas donzelas consagrara, A fim de conservar-se aceso o fogo Em o templo de Vesta, sobre as aras. Também, também sabemos que esse sábio, Para ter mais conceito entre o seu povo, Fingiu que a ninfa Egéria, sendo noite, Vinha falar com ele, e que benigna A forma do governo lhe inspirava (p.185).
Critilo usa personagens da antiga Roma para ilustrar o que estava acontecendo em seus dias. Mais precisamente, o autor, faz uso da mitologia grega, usada pelos romanos, para denunciar os abusos …

Cartas Chilenas - Carta 12ª

Iniciando sua penúltima carta, Critilo, descreve os eventos desavergonhados que acontecem na casa do bruxo. Os rituais noturnos que se prologam madrugada afora, dão testemunho eloquente da devassidão de vida do libertino chefe e seus lacaios.
Assim, assim também o teu Critilo, Não cansa de escrever-te, enquanto encontra Do tolo Fanfarrão, do indigno chefe, Estranhas bandalhices, que te conte. Ah! Sofre, amigo, que te gaste o tempo, Pois conter-se não pode, bem que queria, Que a força da paixão assopra a chama, A chama ativa do picante gênio (p.174).
Além de todo o mal que Fanfarrão e sua corja tem causado, Critilo denúncia que os gastos têm sido às custas do povo. Minésio têm a capacidade de enviar seu secretário, Robério, para esmolar, pedindo em nome de algum santo. Porém, todo dinheiro arrecadado serve para bancar suas festas devastas e suas orgias desavergonhadas. Assim, eles gozam dessas bentas esmolas. Essa situação faz lembrar as palavras de Machado de Assis: “Todos os galos na testa a…

Cartas Chilenas - Carta 11ª

Uma pessoa que diz brejeirices pode ser alguém que tenha uma origem simples e um linguajar comum. Contudo, ao iniciar a décima primeira carta, Critilo, narra as brejeirices de Minésio, não no sentido de um indivíduo brincalhão, engraçado, simples. Mas, sim, no sentido de uma pessoa desonesta nas palavras e nas ações, um homem que não possui honradez; um sujeito biltre; um patife.
Aqui, aqui de tudo se murmura: Só se livra da língua venenosa, O que contrata em vendas de despachos, E quem se alegra ao ver que a sua moça Ajunta pela prenda um par de oitavas: Que os membros do Congresso são prudentes  Não querem que alguns dos companheiros Tomem essa conversa em ar de chasco. (p.159)
A corja desprezível de lacaios de Fanfarrão se junta para caçoar das pessoas de bem e para se gabarem de suas peraltices, que nada mais são do que maldades contra o povo simples e comum. Critilo denuncia que, a maioria dos servidores de Minésio pessoas sem caráter, sem nenhuma nobreza, apenas ostentam uma aparência. J…

Cartas Chilenas - Carta 10ª

“Para onde quer que me volte, só vejo a morte”. Estas palavras desesperançosas de Ovídio, célebre poeta latino (43 a.C. – 18 d.C.), ilustram muito bem os sentimentos de Critilo derramados na sua 10ª carta a Doroteu.
Critilo inicia sua nova lista das peripécias de Minésio, o Fanfarrão, fazendo alusão às elegias, que são poemas de cunho melancólicos, eróticos ou de exaltação de personagens ilustres.
Quis, amigo, compor sentidos versos A uma longa ausência e, para encher-me
De ternas expressões, de imagens tristes,
À banca fui sentar-me com projeto
De ler primeiramente algumas obras
No meu já roto, destroncado Ovídio.
Abri-o nas saudosas elegias; (p.146)

O temível governador de Chile, se vale de relatos, encomendados, que visam enaltecê-lo com uma glória que a ele não pertence. Pois, como pode um falastrão que não tem temor dos céus receber honrarias de homem abnegado e misericordioso?
Em vez de compará-lo aos personagens santos, citados nas Santas Escrituras, Critilo, compara, os feitos do podero…

Cartas Chilenas - Carta 9ª

Na 9ª carta, Critilo, passa a contar as desordens que Minésio, "o Fanfarrão", apronta em relação as tropas militares. Essas tropas deveriam servir para resguardar a lei e a ordem, assegurando aos cidadãos de bem, sossego e tranquilidade. Porém, o mau uso do poder militar, tem gerado o terror entre as pessoas que são humildes e cumpridoras das leis.
Meu caro Doroteu, o nosso chefe É muito compassivo sim: bem pode
Oprimir os paisanos inocentes,
Com pesadas cadeias, pode ainda
Ver o sangue esguichar das rotas costas
À força dos zorragues; mas não pode
Consentir que se dê nos seus soldados
Por maiores insultos, que cometam,
A pena inda mais leve: assim praticam
Os famosos guerreiros, que nasceram
Para obrarem no mundo empresas grandes. (p.133)

As tropas garantiam o reinado de corrupção do mau governador. Qualquer um que ousasse sequer questionar as ações de Minésio era lançado na prisão e dali só sairia se pagasse alta fiança. Quem eram estes militares que se curvavam a tais ações brutais …

Cartas Chilenas - Carta 8ª

Lamentando o triste fato de que “Fanfarão” distorce as Leis que foram criadas para a proteção dos fracos, para impedir que gananciosos e avarentos se aproveitem dos de menos posses, Critilo, na sua 8ª carta, faz um desabafo a seu amigo Doroteu: Gostaria que Minésio, o Fanfarão, tivesse recebido instrução, instrução escolar, enquanto criança, pois assim, quem sabe, este poderia ter desenvolvido um pouco de justiça em sua pessoa.

Que não busque cobri-los com tal capa, Que inda se persuadaque os mais homens
Lhos ficam respeitando como acertos?

“Que não busque cobri-los com tal capa, ” – que não os esconda com uma falsa aparência. Com essas palavras, Critilo, relata que no governo de Minésio, tudo se faz uma farsa. Os atos de corrupção de Minésio e dos seus lacaios, são como que cobertos por uma capa de justiça e retidão.
Maldito, Doroteu, maldito seja O pai de Fanfarrão, que deu ao mundo,
Ao mundo literário tanta perda,
Criando ao hábil filho numa corte,
Qual morgado, que habita em pobre aldeia…

Cartas Chilenas - Carta 7ª

Critilo inicia a 7ª carta comparando a riqueza e a boa vida que os nobres desfrutam em Portugal, aqui chamada de Espanha. Os nobres são possuidores de fazendas com palácios e muitos servos. Porém, longe do reino de nossa majestade, aproveitadores, como Minésio, desfrutam de regalias destinadas aos nobres, contudo, ele e seus lacaios, se possuem riquezas são as extorquidas das pessoas de bem e em geral dos mais pobres.

Assim os generais da nossa Chile Têm diversas fazendas: numas passam
As horas de descanso; as outras geram
Os milhos, os feijões e os úteis frutos
Que podem sustentar as grandes casas. (p.112)

“Que podem sustentar grandes casas”. – Em Vila Rica há grandes proprietários que possuem pelo menos duas terras. Uma para divertimento e outra que gera lucros tão altos que podem sustentar várias famílias ou casas luxuosas.
Indigno, indigno chefe! Tu não buscas O público interesse. Tu só queres
Mostrar ao sábio Augusto um falso zelo;
Poupando ao mesmo tempo os devedores,
Os grossos dev…