Cartas Chilenas - Introdução (reeditado)



A obra “Cartas Chilenas” é um texto satírico da literatura brasileira. Trata da corrupção de Luís da Cunha Meneses, governador da capitania de Minas Gerais entre 1783 e 1788. Nestas Cartas, “chilenas” querem dizer “mineiras”. Chile é Minas Gerais; Santiago, Vila Rica. Os personagens também despistam a inspiração: O governador ficou ilustrado por Fanfarrão Minésio; o autor se autodenomina Critilo; o destinatário das cartas chama-se Doroteu.
Escrito sobre anonimato, para se evitar represálias, sendo atribuída de consenso a Gonzaga, por volta de 1845. O autor expõe os costumes da cidade de Vila Rica de modo caricato e impiedoso, não perdoando, sobretudo os atos grosseiros e desmandos da aristocracia. Cada carta segue um enunciado onde se estabelece a temática da carta: a entrada de Fanfarrão no Chile; a fingida piedade deste a fim de conseguir negócios; suas violências e injustiças; o casamento do futuro rei D. João 60 e Carlota Joaquina; as desordens e brejeirices de Fanfarrão.

A influência dos iluministas franceses é bem evidente. Gonzaga teria se inspirado no estilo satírico de Voltaire e nas Cartas Persas (1721), do barão de Montesquieu (1689-1755), para intitular seu poema. A obra de Montesquieu se pauta na comparação entre culturas e costumes diferentes e usa a ironia como forma de denúncia. Nesta obra que se tornou um dos manuais do iluminismo, um persa visita a França e tenta entender os hábitos e as instituições do país.


A Inconfidência Mineira lutava, entre outras coisas, contra a cobrança abusiva sobre a exploração do ouro. Tomás Antônio Gonzaga teve participação ativa neste movimento, fazendo suas denúncias através dos seus escritos. Além de Cartas Chilenas, Gonzaga escreveu também as liras “Marília de Dirceu” que se enquadra no mesmo estilo e completam a alta produção do poeta.

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