terça-feira, 19 de abril de 2011

Amarga Insensatez

Contemplo os belos dias que viram
O abrir do Neruda e o apagar do Sol.
E meus olhos teimosos
Podem secar,
Mas meu coração
Não ouvirá a razão.

Dirijo-me pra rua onde o medo não atua,
Onde posso ser um escravo livre
Da insensatez azul
E do equilíbrio do amarelo.

Meu coração sangra uma dor
Que não consigo comunicar a ninguém.
E segue amargando minha alma
Igual a mistura de cachaça com Ferné,
Recuso todos os toques.

Preciso de suas mãos pra mexer a terra
E arranhar uns acordes de violão
Quando por fim eu empunhar a espada da justiça
Para sangrar os que te sangram,
E punir os que nunca sangraram
E não merecem perdão.

Até hoje choro a ilusão perdida.
Procuro acalmar a dor sofrida
Conjugando insensato não merecer
Com não mais amar.

Sem a poesia e uma garrafa de cachaça
Não teria o amanhã pra chorar os sete arcanos.
Minha vontade é insensata, ingrata e oferecida,
Não sede aos apelos da minha razão dramática
E só pensa que nasceu pra seguir os teus passos.

As cordas do meu violão estão caladas
A mi canta com voz de bordão
A Sol se arrebenta
Mas de que adianta essa mistura de poesia
Se ninguém merece tuas lágrimas
E quem as merece não te fará chorar.

Quero me perder no infinito
E puxar com mão forte essa tristeza
Que consome meu peito.
Mas quando por fim eu de perto
Olhar-te não sei se vou poder falar,
Então meus olhos teimosos
Podem voltar a chorar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Busco o Silêncio dos teus Beijos.

Quem me dera toda vez que fechar os olhos
Ganhar um beijo seu.
É que o seu beijo tocou não só os meus lábios,
Mas também o meu coração.
Quero o silêncio para esquecer sua voz,
Lembrando-me sempre do tempo em que um beijo
Calava a nossa voz,
E que o silêncio queria dizer
Eu Te Amo.

Vem de volta pro futuro,
Vem de novo deixar os meus lábios mudos
Sem nada dizer, querendo que o nosso
Silêncio acorde meio mundo.

En El silencio de mi habitácion
Yo no puedo olvidarte.
No silêncio do meu quarto
Ainda sinto o murmúrio de tua voz
Que me faz acumular dissabores.

Todo verso que componho vem na forma de lágrima
Que busca no silêncio a melhor resposta,
Que quer esquecer o tom da tua voz,
O seu jeito de falar,
O seu sorriso lindo,
Buscando forças nas poesias de Dalai Lama.

Uso meus ouvidos para escutar boa música,
Para estimular o silêncio mais completo,
Para ouvir o silêncio do último beijo
Que me roubou o fôlego.

É difícil sorrir quando se quer chorar,
É impossível esquecer quando se quer lembrar.
Agora te conheço como pessoa real
Dando voltas e mais voltas em meus sonhos.

Gostar de alguém é função do coração,
Mas esquecer não é função de nenhum órgão.
Todos juntos ansiosamente pensam no futuro
Para esquecer-se do presente
E vivem na esperança de que o sentimento
Que um dia uniu nossos lábios
Possa voltar ao começo.

Não quero te esquecer,
Não quero que me esqueça.
Seguro o seu rosto com as duas mãos
E tasco-lhe um beijo
Para que seus lábios emudeçam
E fique somente o silêncio
Dizendo em alto Tom: Eu te Amo!

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Meu Mundo que Você Criou

O primeiro beijo como iria ser,
Se acontecesse,
Antes de te encontrar?
Mas foi só um sonho!
Nós nos beijamos no espelho,
Sem um afresco.

Lembra das cores que você pintou?
Você fez a chuva chover,
Você fez nascerem estrelas aqui no chão.
Cole em mim a tua cor!

Sou assim complicado,
Mas eu sei que você me entende.
Em acordes de calmaria minha vida sai,
Sai de mim em uma alucinante melodia
Que pra mim, em mim,
Produz devaneios em jardins de corações.

Nada pode ser tão complexo
Quanto o meu nada,
Torno-me indecifrável.
Tanto assim, que será complicado
Encontrar a mim mesmo.

Te aceito assim complicada demais!
Subi em tantas colinas
E não vi nem a tua sombra.
Procurei nos Samovares,
E nas águas do Volga,
Encontrei afrescos inconfundíveis
Só não consegui te encontrar.

Já cansei de me perder,
Não quero mais ir pra lua,
Quero ir pra rua.
Quero ir para um satélite de Júpiter,
Com as coordenadas de uma coluna isolada.

Estou aqui pensando em você,
Falando absurdos diante de espelhos múltiplos,
Zoando a noite
Com retângulos fanáticos que não mentem,
Derretendo satélites e estrelas,
Complicado de aturar.

Há um tempo infinitamente simples
E infinitamente complicado.
Como as curvas dessas colinas
E a mão da tarde sobre meu coração
Vou deixando a água correr,
Formando um mar de orvalhos
Tão casto, tão pacifico,
Igual a rua dos teus sentidos.

Sou sol que brilha sozinho em qualquer lugar.
Hora estou no monociclo na corda bamba,
Hora estou na mira do atirador de facas.
Despe minha alma, vou até o fim!

Quando começar a fase dos trabalhos
Com tinta, é sério, fujamos para as colinas!
Lá iremos encontrar a pureza incontida do hoje,
Que quase sem voz, está gritando na esquina.

O tempo parou! Não envelheço
À espera do teu amor!
Vamos nos sentar à sombra fresca
Dos álamos brancos,
Partilhando da paz
E da serenidade dos campos de hortelã.

Mas foi só um sonho!
Nem nos beijamos no espelho,
E não havia afresco.
Lembra das cores que você pintou?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Contradições do Anverso Versus o Reverso no Verso e na Versão.

Os opostos se atraem!
Então diferente eu quero ser,
Sentir menos eu vou querer,
Mas não quero uma vida vazia.

Os contrários nos seduzem!
Ultimamente estou confuso,
Mas, afirmo: sou inocente!
Mas confesso que estou sem rumo.
E tenho sempre o aviso de urgente.

Diferença encontrada, igualdade procurada!
Consegui arrumar a casa
Mas onde está a porta?
Não vejo também um externo muro
Nem secreto centro.

Alguma coisa certa está errada,
Esses dias você está desorientada,
Mas, afirma: vivo sem pecado!
Mas confessa ser dissimulada,
E tem sempre um desejo desesperado.

Tudo que passou ainda virá!
Não vale guardar tantas mágoas,
Especialmente da febre que nos queimará.
Tenho febre e frio todo dia,
O baço ainda esta inchado,
Mas vou continuar vivendo.

A carta e a fotografia
Que me enviou valem um poema
Que ficou com sua efígie gravada
No bron de doze e dez sílabas
E rimou nos versos planos
Do anverso versus o reverso.

Valeu a Pena! Especialmente a febre.
Hoje me apego no acaso,
Tenho um futuro declarado.
Olhe pro meu rosto, pálido,
Escuro como um dia ensolarado.

Tenho viajado em outras dimensões,
Sou partícula de átomos dispersos.
No peito levo um universo
De infinda beleza e projeção.

Você acha que nós chegamos perto?
Hoje você tem um mundo desencontrado,
Toda sua perspectiva é cheia de muita febre,
Você me olha com o rosto desfigurado,
Mas, brilhante e claro.

Isto foi demais pra mim!
Toda esta efeméride variada
São emblemas da lua
De meia-calça de seu anverso.
Marcas de um trânsito inconseqüente.

Sou temperança que agita,
Tu és a explosão que acalma.
Era pra ser esse nosso final feliz!
Mas as pessoas tinham outra cara,
E no céu havia nove luas.

Sou um ser dotado de sentimentos
E emoções.
Perco-me tantas vezes de mim,
E me sustento somente por uma linha,
Uma débil linha que tem pressa
Na ponta pedaços de marfim,
Que exalam brancura por entre
O anverso dos ossos.

Os opostos se atraem!
Quero ser um beija flor na primavera
Que vê você, rosa vermelha aveludada,
Vou me encher do néctar do seu amor
E me apaixonar, pois sou beija flor!

Os contrários nos seduzem!
Sou igualmente diferente de você.

terça-feira, 29 de março de 2011

Da Cor do Seu Esmalte

Da Cor do Seu Esmalte

Como é que posso te dizer
Sem entre meios,
Sem rodeios,
Quero ser seu modelo,
Quero chamar sua atenção.

Quero estar da cor
Do esmalte que você escolher.
Quero estar no riacho
Que refletir o seu rosto.

Será que escutei
O que você não disse?
Eu não estava voando quando cai
Andando me distrai
Quero ficar debaixo de suas asas.

As cores do seu esmalte têm empatia,
Não há lugar no mundo
Que eu queira estar
Onde eu não veja o teu olhar
Onde eu não sinta o teu amor

Engano seu achar que fosse brincadeira
Andei fazendo planos pra você
Quero te adornar com as cores
Do esmalte usado por Maya,
Rosa Cetim e Rosa Chá.

Jogo-me pra te ganhar
Saio atrás do seu ouvido
Fico esperando o imprevisto.
Não me convença
A não fazer planos pra você.

O tempo é uma bobagem
Diante do amor de quem se ama,
Diante do esmalte de uma campina.
Esperei por tanto tempo,
Esse tempo agora acabou.

Qual a cor do seu esmalte?
Difícil me encontrar
Com seu carinho e atenção,
Difícil não te imaginar
Com celular branco e pingente estrela.

Quero estar da cor
Do esmalte que você escolher,
Quero ir sem medo de ganhar
O amor do seu amor,
Então me jogo pra te ganhar.

sábado, 26 de março de 2011

Tarde Violeta Violenta

Como e possível não saber?
Se eu vim aqui sem medo
Com o coração na mão
Dizer que mesmo estando longe
Eu estava com você.

Eu te encontro neste lugar sublime
Respiro o frescor do hálito azul da tarde
E te vejo tão introvertida
E sei que sua introspecção é profunda.

Não traga de volta o que sofri!
Olhe como sorriem os presidentes
Quando fazem promessas ao inocente.
Invente a lua e o mar
Pra nos refletir e podermos seguir.

Como o sol se encontra com o frio de beira mar
Produzindo uma fragrância de almíscar selvagem,
Vem você voando colorida borboleta,
Notou uma Jovem flor violeta
E com uma paixão violenta
Fica a esperar uma tarde antiga.

Agora que a tarde veio cheia de charme,
Tarde violeta e violenta
Meu coração busca sua presença perfumada.
Sua lembrança invade à tarde
E Gentilmente me violenta a alma.

Hoje não quero que me machuque!
Mas quero me perder
Nos seus lábios cor de violeta,
Quero me encontrar nos seus olhos de gata.

Sem compreender o que acontece
A musica e a poesia se fundem
Num grito desesperado e reivindicador
Movidas pela intervenção
Sempre violenta das forças repressivas
Que vem do sorriso do seu olhar.

Caia da tarde de um domingo,
Violeta algures,
Violeta sozinha,
Violeta sonhadora,
Que pra sempre há de durar.

Sou apenas um menino com aura violeta
Não nasci sabendo te sentir,
Aprendi vivendo,
Amando até doer,
Esperando que o tempo nos redima
E sigamos nesta tarde violeta, violenta.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Dourado dos Seus Olhos, Colorindo o Preto e Branco.

O Sonho Dourado


Pela lente dos teus olhos
vejo no alto cume da estremecida montanha
um grande clarear
dourado do sol.

Mas a luz dos teus olhos pousados
resiste a luz dos olhos meus
em uma ânsia louca de me provocar
e me atira para o lado como se faz com qualquer um.

Então o dourar do mundo
se torna obsessão para os pequenos olhos de criança
que olha com admiração o mundo se tornando seu.

E segue vaidosa, reconfigurando a anatomia dos mortais
como uma borboleta atirando às turbas
o pó dourado de suas asas.

Neste eterno irradiar de luz
faz a gente pensar...
Pensar na vida,
Pensar no sonho,
E desejar pra sempre estar em um sonho dourado..

O SIGNO LINGUÍSTICO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DE SIGNIFICAÇÃO DA IMAGEM DO POEMA – UMA ANÁLISE DA POESIA DE GUIMARÃES FILHO - Parte 4

 4 DA LUZ À ESCURIDÃO E DE NOVO À LUZ – OS CAMINHOS DO POEMA EM “A ROSA ABSOLUTA” DO POETA GUIMARÃES FILHO Um poema começa [...]           ...