quinta-feira, 7 de julho de 2011

Saudades da Infância

Quem dera poder voltar ao tempo de infância.
Quem dera poder estar na casinha simples
E acolhedora da fazenda.
Quem dera subir no meu pé-de-manga coração-de-boi,
Que se erguia imponente entre as outras arvores até
Tocar em um pedacinho do céu.

Quem dera correr pelo chiqueiro entre os porcos,
Que não se preocupavam com nada,
Que viviam sua vidinha perene e medíocre.

_ Vamos pegar goiaba!?
_ Oba! Oba! Eu quero da vermelha!
_ Ah, eu vou querer da branca, é bem mais docinha!

Quem dera colocar meus pés nas águas do córrego
Que passava no fundo do quintal. As suas águas
Corriam sempre tão suaves, e paravam por um instante
Debaixo da figueira, para se refrescarem.

_ Vamos brincar de Tarzan!?
_ Vamos, vamos, vou cortar um cipó, pra atravessarmos
voando pro outro lado.
_ Cuidado! Não pegue cipó seco, viu?
_ Pode deixar, achei um bom!

_ mãeee, tem formigas aqui! Me proteja mãe!
São muitas formigas, mãe! Não deixa elas me picarem!

Elas passam, correição, como uma enxurrada
Que corre depois de uma chuva de verão. Pronto!
Se foram! Já passou. Agora tá tudo bem!

_ Hoje eu quero ir ao grupo, estudar!
_ Hoje tem merenda! É galinhada, huuuummm que delícia!
_ Vamos logo! Os meninos já estão esperando pra gente
Brincar de pique-pega.

O tempo passou tão depressa!
Já é hora de ir embora?
Posso voltar amanhã?
Será que já é muito tarde?
Onde estão os meninos
Pra brincarmos de pique-pega?
Cadê meu pé-de-manga Coração-de-boi?

O córrego continua lá, suas águas são as mesmas,
Suaves, serenas, tranqüilas. Mas cadê a figueira?
Assim como as águas, eu procuro e não encontro a
Graciosa figueira. E agora? Onde o córrego refrescará
Suas águas?

Lentamente, como que com um nó na garganta,
O córrego segue tristemente seu caminho.
Igualmente, minha alma segue seu caminho
Sem dizer uma palavra. Apenas abaixo a cabeça
E sinto uma mornidão por dentro, por não ter onde
Refrescar meu espírito.
Uma mornidão, provocada pela saudade causticante
De um tempo que não volta mais.

_ Mãe, me coloca pra dormir!? Mas não apague a lamparina,
Por favor! Tenho medo do escuro!

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com.br/ 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vermelho Ardente

Você surgiu de repente,
Veio com ar autoritário,
Chegou quebrando todas as vidraças.
Não pediu licença,
Não perguntou se podia entrar,
Não se importou com a placa: Afaste-se.
Jogou-me na cama e fechou a porta
Atrás de nós com o pé.

Seu sangue Ibérico
Prevaleceu nessa hora insana.
Não precisou de castanhola
Para que o sapateado se completasse.
Tentei resistir, gritar, me livrar,
Mas já era tarde demais pra mim... Cedi!

Deixei que você se apossasse do meu peito,
Se apossasse de meu coração,
Se apossasse de minha alma.
Suas mãos grandes, suaves e quentes
Cortavam o meu corpo
Como uma lâmina chamejante que desliza
Sobre o objeto do desejo.

Movido pelo intenso desejo, eu arranco seu lençol
E rastejo a língua por suas costas,
E você torce para que a luz do dia nunca mais volte.
Puxo-te para mais perto, mais perto, perto,
Até que não exista mais divisão entre você e eu.
Nossos corpos se misturam
Formando uma perfeita união entre o
Côncavo e o convexo.

Você quis se libertar, quis gritar,
Quis fugir dos meus braços,
Mas só conseguiu soltar um gemido
Ao morder minha orelha,
E toda sem pudor dizia que queria mais,
Que precisava de mais.

Então você se entregou aos meus beijos,
Entregou-se ao meu desejo.
Você quis flutuar comigo nas nuvens
E quis fazer do meu peito o seu lugar
De descanso.

Ficamos nós, eu e você,
Perdidos na imensidão desse amor,
Que não conhece limites, que se
Alimenta das imaginações ardentes,
Vermelhas e perversas, imaginando
Doidas loucuras pra fazer um ao outro,
Porque a paixão nos diz com voz altiplana,
Que nos pertencemos,
E que eu te amo como se o mundo
Fosse acabar.

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Coração me desculpe!

Coração
Me desculpe esse meu jeito.
Perdoe-me por ser sempre
Tão racional.
Perdoe-me por não achar
Que o céu seja azul.
Perdoe-me por não conseguir
Ver as flores do jardim.
Me desculpe esse meu jeito
Coração.

Coração
Me desculpe esse meu jeito.
Perdoe-me por querer
Ficar sempre no chão.
Perdoe-me por não ter
Coragem de viver.
Perdoe-me por não ter
O mesmo querer que você.
Me desculpe esse meu jeito
Coração.

Coração
Me desculpe esse meu jeito.
Perdoe-me por ter tanto
Medo de sofrer.
Perdoe-me por não deixar
Você sangrar.
Perdoe-me por não ter
Quem você quer ter.
Me desculpe esse meu jeito
Coração.

Coração
Me desculpe esse meu jeito.
Perdoe-me por esse amor
Prevenido.
Perdoe-me por esse amor
Vacinado.
Perdoe-me por negar
A quem você disse sim.
Me desculpe esse meu jeito
Coração.

Coração
Me desculpe esse meu jeito.
Perdoe-me por eu não achar
Que o mundo seja perfeito.
Perdoe o meu jeito sério
E às vezes bobo.
Perdoe esse meu jeito desolado
Perdido nas lembranças.
Me desculpe esse meu jeito
Coração.

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Perdido no Espaço Sideral

       
Você quer ficar comigo?
Nem uma única palavra
Saiu da sua boca.
Você quer viver pra sempre comigo?
Não ouço e não vejo nem um único suspiro,
Nenhuma pontinha de esperança.
Você quer ser meu travesseiro?
O ar fica parado,
Não se ouve o som dos grilos,
Sempre tão falantes.

Descobri a formula aritmética
Que somada aos resultados do seno
E do coseno e subtraídos dos catetos,
Resultam no seu completo silêncio,
Um silêncio ensurdecedor.

Onde eu for você irá?
O nó na garganta,
Teima em retirar completamente
O pouco de disposição que havia
Em seu rosto pálido.
Na sua vida, tem lugar pra mais um?
Os movimentos se encerram abruptamente,
Como se um fio condutor fosse desconectado
Da tomada.

A sensação ao ser arremessado
Para o espaço é tão estranha.
A gente fica completamente grogue...
Sei lá, é estar ali, e ao mesmo tempo não estar.
É sentir que seus membros não te obedecem,
E ainda têm vontade própria.
É ter os movimentos completamente anulados.

Você quer amanhecer todos os dias ao meu lado?
Sinto o frio que vem de você, congelando
Meus pés e mãos.
De qual lado da cama eu vou dormir?
Como uma navalha, seu silêncio,
Corta minha alma,
Corta minha perspectiva de futuro,
Corta meu sorriso.

Fica a sensação de que o ar
Neste planeta moribundo,
Não será suficiente para nós dois.
Quem me dera ter nesta hora
Os recursos da Emília,
Pó mágico e o Pirlimpimpim.

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Cada Segundo...

Estar ao seu lado
É pra mim o auge de uma busca,
O termino da obstinada insatisfação.
Quando estou ao seu lado
Não quero que as horas passem,
Mas elas voam e me dizem
Que você vai embora.

Eu vi você parar a lagoa parada,
Você a atravessou na direção oposta.
Gritei! Mas você não me ouviu!
O meu desespero? Ficar longe de ti!
A minha vontade? Nunca sair do teu lado!

Mas você tem que ir.
Tem que sair do meu lado.
Você vai embora
E leva contigo um pedaço de mim,
Leva contigo o meu coração.

Eu sou máscara sem face,
E você face a procura de máscara.
O conteúdo que você procura
Só está disponível na nova versão do EU.
Mas você pode baixá-la na internet,
Só que tem que pegar a autenticação comigo.

Eu invento desculpas esfarrapadas
Pra te prender mais um pouco.
Digo coisas sem sentido,
Pergunto algo que não quero saber,
Respondo o que não quero dizer.
Pra que você fique um pouco mais.
Cada segundo que você fica ao meu lado,
É um segundo a menos longe de ti.

Eu te engoli e você é tão grande pra mim
Que eu dedico cada segundo do meu dia
Só pra te mostrar o que eu sinto.
Você arrancou os meus olhos
E os fez menos pesados.
Você arrancou minhas roupas,
E hoje estou totalmente nu de mim.
A cada segundo eu me convenço
Que preciso de você.

Diante de você eu sou menino,
Longe de ti sou mais ainda.
Ando de um lado para o outro dentro de mim,
Desejando que esse vento não nos leve
Em direções contrárias.
Estou bastante acostumado a estar só,
Mas ao teu lado não tenho que rir
Quando tenho vontade de chorar.

Não ficarei surpreso se aparecer três vocês,
Fui eu quem as criei. Pois assim,
Sempre terei uma de você por perto.
A formula guardarei junto com os sonhos,
Os planos pro futuro ficarão só pra mim.

Fique aqui! Não se vá! Demore mais um pouco!
Longe de ti tudo é uma eternidade de nada.
Estar com você já basta,
Ter você ao meu lado é o bastante.
Cada segundo que você fica ao meu lado,
É um segundo a menos longe de você.

Você é a mais bela,
A mais forte,
A mais poderosa poesia de amor!
Às vezes acho que a vida não tem graça,
Que tudo é requentado,
E só mudam os rostos.
Mas quando estou ao seu lado
Eu encontro um lugar de conforto,
Onde as tristezas não podem me alcançar.
Quero ficar com você a cada segundo!


sábado, 11 de junho de 2011

Liberdade Aprisionada

Se você era tudo pra mim,
Porque te pedi pra me soltar?
Se o ar se torna rarefeito longe de ti,
Porque teimo em respirar sem aparelhos?
Se eu te pedi pra não mais voar contigo,
Porque ainda sonho com pássaros e astronaves?

Meu coração rasga o meu peito
E não aceita estar longe da pessoa que ele ama.
Enlouquecido, protesta!
Descontrolado, explode!
Inconformado, faz greve!
Desconsolado, entristece!
Amargurado, Sangra!

Se não vejo o mundo sem ser pelo foco do seu olhar,
Porque insisto em recarregar as baterias dessas luminárias?
Se eu estou sem rumo na vida desde que você se foi,
Como posso sair e pegar a estrada?
Se fui eu quem te pediu a liberdade,
Porque rasguei a carta de alforria?

É difícil encarar o que o coração não quer contemplar.
É difícil estar no mundo,
E sentir que meu mundo não está mais aqui.
Tenho olhos rasos d’água,
Prontos pra se derramarem,
Na primeira pequena menção de ti
Feita pelo meu coração.
Tenho uma cabeça cheia de pensamentos,
Mas um só é que me importa.

Se não há nuvens no céu,
Porque não vejo estrelas?
Se não há nenhuma precipitação se formando no horizonte,
Porque ouço o som de trovões
E relâmpagos velozes a cortar os céus?
Se não tenho mais coração,
Porque ouço as batidas no peito e sinto o sangrar?

Hoje tenho uma infeliz liberdade conquistada.
Vivo na esperança de voltar a prisão,
De voltar a se seu,
De voltar a ter você,
Que me domina,
Que me dá uma estrutura,
Que me dá um rumo,
Que me faz feliz.

sábado, 4 de junho de 2011

Bruna, Princesinha Lilás.

Há pouco tempo,
Num reino bem próximo,
Nasceu uma princesinha
Com cabelos cheirosos e pés descalços.
Linda princesinha, dona do meu reino!

Bruna morena,
Bruna escura,
Bruna Calma,
Bruna Gentil,
Bruna Bondosa,
Bruna que consegue o que quer.

Linda a princesinha
E linda a forma de vê-la.
Ela sorri, e Deus do Céu,
Nunca se viu um sorriso tão lindo assim!

Meu pequeno amor surgiu!
Princesinha miudinha,
Uma menininha
Formosa como a lua,
Bela como a vida.

Onde é que estava a primavera?
Eu precisava tanto da primavera!
Enfim ela chegou!
Em seus olhos eu vejo todo o resto de mim
E seus olhos são cor de canela.

Um bebê cor de morango
Com seu narizinho arrebitado
Com suas bochechas rechonchudas
E sua boquinha de M.
Ah! Meu Deus! Será que é um sonho?
Que sonho lindo!

Você já está em meus braços.
Comigo está a alta princesa das terras de Kargad,
Dos morangos aos lábios a cor!
E os cabelos com cheiro pungente
De torrão de hortelã-pimenta.

O sonho de um bebê que canta.
Quero seguir no rumo deste sonho lindo,
Nesse deslumbrante sonho de cores tingidas.
Que lindo bebê!

Minha princesinha
Seu cheirinho é de uma manhã
De primavera
Onde vigora o frescor e o cheiro
Suave da hortelã.
Vejo-te aqui tão graciosa,
Coberta com essa manta lilás,
Na verdade, por toda a minha vida
Tenho tido paixão pela cor lilás,
O lilás que te cobre e te aquece.

Princesinha pequenina!
Princesinha graciosa!
Dorme meu bebê!
Dorme minha princesinha!
Sonhe os sonhos mais lindos,
Eu vou ficar sonhando com você, tão linda!

O SIGNO LINGUÍSTICO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DE SIGNIFICAÇÃO DA IMAGEM DO POEMA – UMA ANÁLISE DA POESIA DE GUIMARÃES FILHO - Parte 4

 4 DA LUZ À ESCURIDÃO E DE NOVO À LUZ – OS CAMINHOS DO POEMA EM “A ROSA ABSOLUTA” DO POETA GUIMARÃES FILHO Um poema começa [...]           ...