segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu Te Respiro

Descobri que é tão fácil ter felicidade!
Tenho felicidade com os poemas,
Com a natureza e suas lindas flores,
Com os Cupcakes
E com você meu cut-cut.

Descobri que nossas vidas
Sempre foram conectadas
Eu sempre respirei você
Para me sentir real.

Vê se me tira do castigo
E fique do meu lado
Cuidando de meu coração
Que é teimoso, e me diz
Que só você poderá dar sentido
Aos meus poemas desconectos.

Eu e você sempre estaremos conectados
Mesmo não estando fisicamente juntos.
Tudo que eu preciso é o ar que respiro,
Eu sempre respirei você
Para me sentir real.

Sou um artista da vida
É esse o meu oficio,
Mas abandono o livro ao meu lado
Somente para ler você
E desta leitura quero passar
Para um beijo que me faça sonhar
E ter a certeza de que nosso amor durará.

Descobri que é tão fácil ter felicidade!
A poesia dos seus olhos
Ensina-me a viver feliz,
E, no entanto, debruço-me na grade
Da banca e respiro penosamente
Lamentando sua ausência
Chorando sua saudade.

Descobri que nossas vidas
Sempre foram conectadas
Eu sempre respirei você
Para me sentir real.

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/




sábado, 3 de setembro de 2011

Lunático

Quando os Astronautas chegaram à lua
Que surpresa eles tiveram,
Eu já estava lá!

Corto os céus azuis todas as manhãs,
Vou em direção ao sempre-norte.
Quero alcançar a alvorada
Que viceja pela carência do azul.

O vento da madrugada se torna
Companhia agradável pra quem
Segue sem destino, feito eu,
Que me torno o ponto de começo
Para um final que não reconheço.

Passo a vida assim
Visitando uma galáxia após outra,
Viajando, ora na cauda de um cometa,
Ora deslizando por uma nebulosa
Envolvente com seu colorido uniforme.

Eu já estava na lua
Quando os astronautas chegaram,
Imagine a surpresa que tiveram!

A aurora boreal me fascina
Causa em mim sensações
Que não posso explicar.

Vou voltar pra lua!
Quero de lá admirar todo azul
Que eu puder ver.
Quando você estiver passando lá,
Pare pra me visitar,
Estarei te esperando.

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

domingo, 28 de agosto de 2011

Quero sua Sustância

Cola teu rosto no meu.
Esta me sentido?
Dos pés a cabeça?
Regosto do seu estilo não-estilo,
Mirando-me os traços,
Trêmulos de ardor.

Quero o prazer de puxar
Os cabelos de sua nuca.
Quero empapar-me de mel
Nos seus refolhos robustos,
Em que me refocilo
Gritando de êxtase.

Você me dá seu amor
Em doses homeopáticas.
Quero o seu amor envolvente,
Sem limite, sem preconceitos,
Que faça pulsar meu coração.

Você me dá chicletes,
Três moedas, um estilingue,
Um copo de leite com toddy,
Que não pode me dar sustância.
Preciso de vigor,
Quero ser contexto e não ficar avesso.

Quando me abraçar
Não fique a medir espaços.
Esfregue-se em mim
Como quem procura calor.
Pela malha de seda,
Realce todo juvenil vigor das suas formas.

Quero completar com você esta simbiose
Que contém a substância que me dá sustância.
Os alimentos leves e levianos
Que suavizam e traduzem o nada –
A não-substância,
Destes não quero saber.

Eu quero seu amor,
Quero seus beijos ardentes.
Quero ser diferente do Mouro
De Veneza e sua bela Desdêmona.
Quero em seus braços ser o
Côncavo e o convexo,
Deixando escapar o suor
Do calor do seu sexo.

Por: Silvon Alves Guimarães




sábado, 20 de agosto de 2011

Lá Fora Sol, Aqui Dentro Chuva

Lá fora chove
E aqui dentro tá tão vazio.
Me dá uma vontade de
Estar com você.

Lá fora a chuva cai
Aqui dentro o tempo esta fechado.
Vejo raios e trovoadas
A previsão é chuva nos olhos
E pancadas no coração.

Lá fora o vento forma tempestade
Aqui dentro a tormenta
Arrasa toda uma estrutura
Construída por anos.

Aqui tá tão vazio
Lá fora a chuva cai.
Você não quer voltar
Insiste em deixar essas nuvens
Que me sufocam.

Aqui dentro não haverá tempo bom
Lá fora a chuva já passou.

Aqui dentro tá tão frio
Lá fora o sol resplandece
Estende um convite
Pra curtirmos a vida.

Onde está a chave?
Preciso sair,
Aproveitar o sol lá de fora.
Mas onde está a chave?

Por Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Não Tenho Razão

Perdoe-me por ter te escolhido
Pra viver ao meu lado pro resto da vida.
Desculpe-me por ter te perdoado
Quando eu devia ter acabado com tudo.

Sei que não posso querer que você
Fique presa a mim,
Quando seu coração pede pra ser livre.
Eu te deixo livre, te solto, pode voar!

Sei que não tenho a razão!
Só tenho o amor, a desilusão
E um coração partido!

Como pude um dia,
Achar que eu seria suficiente pra ti?
Agora vejo que fui um tolo!
Muito prazer! Meu nome é Otário.

Quem sabe um dia no futuro,
Nós dois? Improvável!
Mas não fico com mágoas,
Mas não te quero mal.

Sei que não tenho a razão!
Só tenho o amor, a desilusão
E um coração partido!
Muito prazer!
Meu nome é Otário.

... O sonho chega ao seu fim, enfim!...

Por Silvon Alves Guimarães


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Anjo de Vidro

Quero fazer um poema pra você,
Falar sobre o significado do seu nome:
Pequenina, Delicada.
És pequenina e delicada, mas firme como Jó!
Uma joaninha enamorada.
Você inspira poesias de flor,
Inspira os sentimentos mais galantes e elegantes
Que possa existir no mundo.

Meu anjo de vidro
Sofro a delicadeza dos meus sentimentos
Com uma atenção desdenhosa.
Sua delicadeza revive em mim uma coisa morta
Que viverá enquanto você viver,
E os poemas que escrevo viverão
Em seus olhos pela eternidade.

O que posso escrever neste poema
Que já não seja teu?
Tudo te pertence, basta apenas que você
Tome posse.
Eu falei com você e pude ver o seu sorriso
Enquanto você brincava com a maçaneta
Do vidro da porta da entrada principal.

Quero fazer pra você um poema em noite de lua cheia.
Os sentimentos mais lindos estão escritos no seu olhar.
Seu olhar é macio. Seu sorriso me dá abrigo.
A pureza está em suas mãos.
A lindeza está em teu corpo, morena
Da cor de jambo, que ganha os meus olhos.
Fico a admirar esse teu bronzeado
Cor de cacau pisado, com jambo misturado.

Talvez eu revele ao mundo neste meu verso
O seu poder encantado de tudo transformar.
O que não tem valor passa a reluzir em ouro
Com apenas um toque do seu olhar.
Visto-me de azul e ponho perfume de jasmim
E peço: por favor, toque em mim!

Parei as águas do meu sonho
Para que teu rosto eu possa mirar.
Para que a história que se passa
No velho Oeste possa se completar.
E eu possa entender esse estranho poder
Que me roubou a atenção.

Eu conheço de cor o seu sorriso e seu olhar,
Eles vêem de uma pequenina, delicada, morena jambo.
Só me resta supor e esperar com os pés na água quente.

Você me fala também com o teu silêncio,
Claro como uma lâmpada,
Simples como um anel.
Fale também no meu ouvido
Com a voz mais macia e mais grossa do mundo.

Quero te escrever um poema
Mas talvez eu não diga nada
Talvez eu apenas deixe meu silêncio
Gritando na noite rubra do seu olhar.
Noite igual por dentro ao silêncio, noite...
E peço que você deixe só uma luz acessa
E outra luz e mais outra...
E peço que você despretensiosa me apanhe do meu solo,
Meu mal-me-quer esquecido...
Peço que você esteja onde arde ao rubro
Tudo o que talvez seja o futuro.
Que sem conhecer eu adoro!

Por: Silvon Alves Guimarães
http://www.silvonguimaraes.blogspot.com/

terça-feira, 26 de julho de 2011

A IDENTIDADE DOS EXCLUÍDOS. RESENHA SOBRE O DOCUMENTÁRIO: FALCÃO – MENINOS DO TRÁFICO.

Athayde, Celso e Mv Bill; Falcão – Meninos do Tráfico.


Um monstro não merece piedade nem compaixão. Quando este monstro conhece o seu fim por qualquer meio que seja, normalmente o que se tem é o suspiro de alivio das “pessoas boas”, que se vêem hostilizadas e cerceadas na sua liberdade por esse ser monstro medonho, desalmado e sem traço de humanidade. Mas o que fazer se descobrimos que esse monstro tem um coração, que nesse coração mora uma criança, e que essa criança só quer uma coisa: o seu carinho, um pouquinho do seu afeto, ocupar um cantinho que seja no seu olhar periférico e receber seu calor para vencer o frio do desprezo, e da exclusão?

Esta foi à situação que o rapper MV Bill trouxe à tona pela exibição do documentário: Falcão – Meninos do Tráfico. Este documentário foi produzido juntamente com o empresário de MV Bill, Celso Atahyde, e pelo centro de audiovisual da CUFA, Central Única das Favelas, que retrata a vida de jovens de favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas.

O nome “Falcão” é um termo usado nas favelas, que designa aquele cuja tarefa é vigiar a comunidade e informar quando a policia ou algum grupo inimigo se aproxima. O “Falcão” geralmente atua no tráfico noturno. Ele não dorme esta sempre alerta, e para manter essa vigilância, na maioria das vezes, recorre ao uso de drogas, que o manterá acordado.

O documentário nos ajuda a ver a formação de uma identidade excluída, tanto no particular, como na relação do individuo com o mundo a sua volta. Para esses meninos o mundo se torna um monstro enorme que não os aceita em seu meio e que os deixou em um lugar de reclusão: a favela. Como sobreviver a esse monstro poderoso e cruel? É preciso se tornar um monstro maior, mais poderoso e mais cruel. Então esses meninos que querem carinho, que precisam de atenção e estão perdidos sem um rumo a seguir, se revestem de uma roupa encouraçada, que é capaz de esconder o sentimento de frustração, dos olhos que nunca desejarão ver a quem esta por trás do monstro do tráfico.

A identidade desses excluídos começa a se formar desde a infância, nas brincadeiras que reproduzem o mundo do tráfico . Surge também a presença do “Fiel”, termo atribuído aos bandidos que tomam a frente do tráfico, e que solicitam a assistência destes jovens, na compra de produtos, no “asfalto”, o mundo fora das favelas, onde esses bandidos não têm acesso, e que esses jovens menores podem freqüentar livremente. Eles recebem por esses assistencialismos, tanto dinheiro, quanto a atenção dos mesmos, o que contribui para formar a idéia de que estes bandidos, na verdade sejam protetores em meio a um mundo “onde a bala come, e a lei é a do cão. O “Fiel” se torna mais importante do que os outros amigos, mais importante do que os pais, formando assim uma nova estrutura de autoridade para estas crianças.

Ao reconhecerem na figura destes bandidos, alguém a quem admirar cujo estilo de vida é sempre empolgante, os meninos passam também a desejarem portar uma arma, pois está lhe dará poder, proteção, respeito e sedução. Querer uma arma para si, ou mesmo uma “motinha” é querer se igualar ou ao menos chegar perto do fascínio que os bandidos causam na comunidade em que vivem. O processo da formação da identidade se dá, portanto na relação das diferenças e semelhanças, no suprimento de uma “dignidade”, mesmo que falsa, que os bandidos fornecem a essas crianças que são carentes em sentido material e emocional.

Muitas vezes o caminho do crime se dá pelo fato familiar: uma mãe desamparada; e os meninos encontram no mundo do crime um modo de trazer a ela uma “vida melhor”. Normalmente a figura do pai é ausente destas famílias. Segundo alguns relatos do documentário, muitos destes meninos tem mesmo uma revolta com a figura paterna. Quando eles formam suas famílias irão reproduzirem o que viveu, tornando-se pais ausentes, que produzirão filhos revoltados que também serão pais faltosos, num ciclo infindável de repetição de identidade de exclusão.

Esses meninos passam a não acreditarem que vivem em sociedade, pois esta sociedade, lá de fora, os considera como nada, ela os excluiu das suas afeições, e literalmente do seu mundo. Na favela eles podem participar de uma comunidade , mesmo que essa não tenha os elementos da sociedade de fora que os rejeitou. Ali na favela e participando da vida do crime, eles têm a oportunidade de vir a ser, o que não pode ser lá fora, no “mundo do asfalto”. Desta forma se completa a identidade dos meninos do tráfico, identidade essa que aos olhos da sociedade do “asfalto”, os torna alvos de uma rejeição maior.

A palavra que podemos citar como sendo o elo de união entre todos na favela é: sobrevivência. Os que preparam as drogas, os que a vendem, os que vigiam o morro, os que soltam os fogos, todos estão unidos pela necessidade de sobreviver em meio a um mundo capitalista sem piedade e monstruoso.

Neste ponto, podemos nos lembrar da idéia de “amor fati”, discutida por Nietzsche. Ele acreditava que o “amor aos fatos” é uma formula do amor a vida como ela é. Esse “amor fati” envolve viver. Viver sem transformar os adjetivos, os estigmas, criados por uma minoria governante e excludente, em deuses ou coisas parecidas. Para Nietzsche a vida não pode ser transformada em apenas uma questão de sobrevivência, pois agir assim seria caminhar de quatro junto a alguma ética, buscando um cardápio moral que deveria despencar de alguma mesa dos governantes com suas idéias de exclusão e de superioridade.

Entendo que esses meninos do tráfico, perderam suas batalhas pela vida, quando se deixaram moldar pelos adjetivos das minorias dominantes. Quando eles deixam de viver para poderem sobreviver, então fazem de sua existência um fardo pesado, que os obriga a entrarem nesta roupa encouraçada, a prova de sentimentos e imune ao sofrimento, mas que aos olhos dos outros, os faz verdadeiros monstros, sem alma. E muitos destes passam a não ligar para mais nada, a não se importar com nada, nem com sua vida e muito menos com a do seu próximo.

A pergunta que persiste, porém é: o que faremos, agora que descobrimos que o monstro tem coração, tem sentimentos, é apenas uma criança, e uma criança que quer nosso afeto, nosso carinho e nossa atenção? Não dá para transformá-los novamente em monstros, pois as roupas encouraçadas foram destruídas. Perdemos a inocência através deste documentário. Insistir em manter esses meninos neste espaço de exclusão seria revelar que afinal nós também temos uma roupa encouraçada, que nos torna MONSTROS desalmados e cruéis.


O SIGNO LINGUÍSTICO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DE SIGNIFICAÇÃO DA IMAGEM DO POEMA – UMA ANÁLISE DA POESIA DE GUIMARÃES FILHO - Parte 4

 4 DA LUZ À ESCURIDÃO E DE NOVO À LUZ – OS CAMINHOS DO POEMA EM “A ROSA ABSOLUTA” DO POETA GUIMARÃES FILHO Um poema começa [...]           ...