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Mostrando postagens de Junho, 2012

Cartas Que Não foram Enviadas (Carta 5)

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Mesmo sabendo que é impossível, vou tentando te escrever. Não sei quantas vezes comecei e nem poderia dizer quantas vezes parei essa escrita. O que escrevo são somente frases vazias, que não conseguem expressar a desilusão de um ser solitário como eu. Sou apenas um montão de solidão desde que você se foi. Eu quis e quero te escrever, porém, não posso, não sei, não consigo dizer nada. Agora começo de novo a te escrever. Nas mãos tenho um lápis e um bloco de papel, no peito tenho um sentimento de impotência por não poder formular nenhuma frase que possa dizer o que sinto por ti. Eu quis outra vez marcar a folha que se encontrava em branco e mais uma vez me faltaram às palavras, mais uma vez fiquei mudo, se calaram meus lábios, emudeceram minhas mãos, apesar de ter tanto o que te dizer. A falta de você me faz perder os sentidos, me faz ficar paralisado.  Em meio a esta agonia que toma conta de minha alma, vejo brotar duas lágrimas em meus olhos, sem dar-me conta, as lágrimas caem e se pren…

Nietzsche e a Génese moral (imoral) da Metafísica ocidental

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Nietzsche considera que a Metafísica Ocidental deu origem a “Covardia” – a impotência perante o real – ao ódio, e a vontade de vingança. A interpretação ocidental de mundo considera que a verdade e o bem não são próprios deste mundo, ou seja, do mundo sensível ou do mundo do devir. Para Nietzsche, o dualismo sensível - inteligível é obra de uma vontade débil que não suporta o confronto com o mundo terreno, vingando-se ao desvalorizá-lo, ao considerá-lo como mundo aparente, sem consistência, falso.
A moral da Metafísica ocidental considera este mundo irreal, enquanto que o “outro mundo”, o mundo do além é superiormente real. Mas essa superioridade não se baseia na realidade, mas esse “outro mundo”, se torna superior porque satisfaz o desejo de segurança, de estabilidade, de paz e de repouso que se julga não se poder encontrar neste mundo, mas ser abundante no mundo do além. Em outros termos o “outro mundo” é superior porque o julgamos bom e isto se dá porque pensamos que lá seja o contr…

Procurando por Enéas e Benitín

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Te conocí un día de enero
Con la luna en mi nariz
Y como ví que eras sincero
En tus ojos me perdí

Que torpe distracción
Y que dulce sensación

Y ahora que andamos por el mundo
Como Eneas y Benitín
ya te encontré varios rasguños
Que te hicieron por ahí

Pero mi loco amor
Es tu mejor doctor...
(Extraído de "Día de Enero", escrita por Shakira.)

O trecho extraído citado é parte de uma canção doce do disco “Fijación Oral vol. 1 de Shakira. A cantora escreveu esta canção para seu namorado, Antonio de la Rúa, e posso dizer que esta canção tem uma magia de uma canção que é ao mesmo tempo geral e particular, porque ela analisar a letra desta canção percebemos que ela fala da relação entre Shakira e Antonio de la Rúa, mas ao mesmo tempo os seus versos, também descrevem muitas relações românticas, que podem fazer parte da minha vida, da sua vida, enfim a canção descreve as relações amorosas em geral.
Como em todos os discos de Shakira, sempre encontro algo para investigar e enriquecer-me culturalm…

Nietzsche e o Perspectivismo

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“Para o forte, o conhecimento, o dizer sim à realidade é uma necessidade tal como para o fraco, sob a inspiração da fraqueza, também é uma necessidade a cobardia e a fuga perante a realidade” — o ‘ideal’...
Nietzsche não aceita a idéia de verdade absoluta. Tudo é perspectiva, tudo é uma interpretação pessoal do complexo texto do mundo. Então, não há verdadeiramente fatos e a verdade que se pretende absoluta ou objetiva é uma mentira.
Interpretação pessoal, como assim? Para Nietzsche, o intérprete atribui significado a algo, a partir da perspectiva, da vivência, e até, porque não, das necessidades pessoais. Então o mundo é cheio de mundos, ou seja, cada pessoa, cada individuo, à base das suas próprias interpretações vai criando o seu mundo particular e pessoal. É claro que alguns procuram moldar os mundos particulares de acordo com a sua perspectiva, e no caso dos que possuem poder de convencimento, conseguem com que outros indivíduos não tenham suas interpretações pessoais do mundo, mas…

Chrônicas Jathayenses de um jornalzinho do início do século XX

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O povo de jataí sempre teve um veio artístico muito refinado, há vários cantores, compositores, escritores, poetas, humoristas, etc. No início do século XX, mais especificamente no ano de 1922, um grupo de empresários e amigos lançaram um jornalzinho com o nome de “O Picapau”, na definição que eles mesmo fizeram sobre o jornal: “O Picapau é hebdomadário, litterario, comercial, noticioso e humorístico”. Eu chamo atenção para a última definição, “humorístico”, pois no meu ver esse é o forte do jornaleco. O Jornal é cheio de provocações entre os amigos, se fala sobre os ternos, sobre as “cavações”, o famoso “pegar” de hoje, as paixões dos amigos, o tamanho do nariz, as bebedeiras e coisas do cotidiano festivo do grupo e da sociedade, que parece todos se conhecem.
            Nesta postagem trago a nota de abertura do jornal. Notem o grau de desconcentração que foi colocado logo na abertura deste periódico, que já indicava o seu teor para os próximos números. A escrita é reproduzida na int…

A Invenção do Nordeste e a Indústria da Seca – Os caminhos da exclusão

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A “Indústria da seca” é um termo utilizado para designar a estratégia de alguns políticos que aproveitam a tragédia da seca na região nordeste do Brasil para ganho próprio. O termo começou a ser usado na década de 60 por Antônio Callado que já denunciava no Correio da Manhã os problemas da região do semi-árido brasileiro.


Fischer e Albuquerque (2002 p.1) observam que “O problema da seca não se manifesta no aspecto específico da água, mas especialmente na escassez de alimento, caracterizada como fome endêmica, relacionada à casa e à mulher, que não é pensada pelos idealizadores da política da emergência da seca”. Assim, a conjugação da seca e da fome, além de causar inúmeros obstáculos à sobrevivência das famílias e das comunidades – “a fome absoluta ameaça intermitentemente o cotidiano dos atingidos pela seca” (Fischer; Albuquerque, 2002, p. 1), causando não só um mal estar físico, mas também psicológico, social e moral.

“No passado, o termo se referia à falta de alimento para saciar…