domingo, 18 de dezembro de 2011

Andando nas Nuvens

Gosto de te olhar
E te ver assim tão misteriosa.
Como é possível
Uma mulher assim tão formosa?
Se faz beicinho: Manhosa.
Se fica de perfil: Charmosa.
Se faz pose: Gostosa.
 
 
Gosto de te imaginar
Em noite de lua cheia.
A lua disputando
Com você as noites
Dos capitães de Areia,
Que são os donos da Beira mar.
 
 
Você com um olhar
Me faz perder o juízo,
Só pra que eu te entregue
O que já é seu,
O que sempre será seu.
 
 
Não uso mais o lenço perfumado da noitada.
Este poema, eu dedico a você.
Essa vontade imensa de caminhar
Nas nuvens, de correr na areia,
De ter asas, é só pra ver se te alcanço.
Mas fica a sensação de que não te alcançarei
... Eu te alcançarei!
 
 
 Gosto de ti, toda inteira!
Sem olhar, você percebe tudo,
Sem falar, você me conta o mundo.
Nas noites com estrelas,
Você continua a brilhar.
Eu sinto seu calor
No balanço de uma rede,
Que dança em passo continuo.
 
 
O dia em que eu voltar pra casa
E estiver uma noite de lua cheia
Lembrarei que você é o que me
Surpreende.
 
 
Gosto de olhar a noite,
Em noite de lua cheia,
O arco-íris formado pela
Luz que emana do seu olhar.
Dê-me segredos de melancolia.
 
 
Neste momento de pensamento vazio,
Tento imaginar os seus traços
Em meu futuro, em meu passado,
Em meu presente, sempre.
Tenho a certeza que uma noite
Do seu brilho
Vale a dor do mundo.
 
 
Gosto de te olhar
E te ver assim tão misteriosa.
Como é possível
Uma mulher assim tão formosa?
Se faz beicinho: Manhosa.
Se fica de perfil: Charmosa.
Se faz pose: Gostosa.
Se me olha, perco o juízo.
 
 
Por: Silvon Alves Guimarães

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tá Sumida, amor!

Você anda tão sumida, amor!
Você precisa aparecer.
Hoje, pra aumentar minha dor
Amanheci pensando em você!
A rua é a mesma
Não mudou o meu teto,
Só o coração anda deserto,
Sente falta de você.

Olha amor,
Você foi embora
E eu fiquei preso naquele dia.
Fiquei sem jeito,
Sozinho no peito,
Preso em você, na sua ida.

Já não choro mais, amor!
Não tenho mais lágrimas.
Já chorei o amazonas.
Mas, pra aumentar minha dor
Amanheci pensando em você!

Sabe amor,
Depois daquele dia
Que você foi embora,
Minha boca se esqueceu
De como é sorrir.
A rua é a mesma
Não mudou o meu teto,
Só o coração anda deserto,
Sente falta de você.

Você precisa aparecer, amor!
Aqui é tá tão gelado sem você.
Preciso de sua presença pra me aquecer.
Sabe amor,
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de rir...
Você precisa aparecer!

Olha amor,
Você foi embora
E eu fiquei preso naquele dia.
Fiquei sem jeito,
Sozinho no peito,
Preso em você, na sua ida.

Por: Silvon Alves Guimarães

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

AS AMÉRICAS NA ERA CONTEMPORÂNEA – SÉCULO XX: A EXPANSÃO DO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO E A CRISE NAS OLIGARQUIAS LATINAS

Representações da nação mestiça no caribe hispânico insular


Kátia Gerab Baggio

O Caribe, como toda América Latina, teve graves problemas relacionados a fatores étnicos, a mestiçagem e o hibridismo; a partir de três vertentes principais: europeus, índios e negros. Qualquer tentativa de diagnóstico deveria passar, portanto pela antiguidade e origem das raças e, a partir dela, teria chegado aos traços típicos comuns da psicologia do índio americano: o fatalismo e a vingança. Tudo isso complicado pela abundância do elemento étnico africano em ambas as Américas. Em relação à valorização da mestiçagem, que se acentua a partir da década de 1930, nas três ilhas que formam os quatro países analisados por Kátia Gerab Baggio (2000), mostra que há particularidades em cada caso: a necessidade de reforçar uma identidade dominicana em contraposição ao Haiti; a afirmação da identidade porto-riquenha frente aos Estados Unidos; o desafio de integrar as massas de negros libertos à vida econômica, social e política de Cuba, depois do papel fundamental que desempenharam nas duas guerras de independência (1868-78 e 1895-8). Esses elementos ajudam a explicar as diferentes formas como a mestiçagem foi incorporada ao discurso oficial nestes países. Baggio faz uma síntese do dilema envolvido na eleição da mestiçagem como representação simbólica da nação: uma constante tensão entre a busca utópica de um país multirracial sem preconceitos e o discurso harmonizador e homogeneizante que silencia os conflitos. No Caribe Hispânico, esta tensão caracteriza todo o imaginário acerca da mestiçagem. (BAGGIO, 2000)

A Revolução Mexicana (1910-1940) Cap. 2: A Revolução


Marco Antonio Villa

Quando Francisco Ignácio Madero conclamou, no Plano de São Luiz Potosí, que o povo mexicano se levantasse em armas no dia 20 de novembro de 1910, para derrubar o ditador Porfírio Díaz, que estava se perpetuando no poder há mais de trinta anos, jamais poderia imaginar que o México mergulharia numa década de sangrenta guerra civil, com diversas alterações no poder e com um saldo de aproximadamente um milhão de mortos, segundo Marco Antonio Villa. O processo revolucionário mexicano não tinha um programa bem definido e delimitado quando explodiu na sociedade mexicana; muitos dos seus caminhos ideológicos foram construídos no calor da batalha. No desenrolar dos acontecimentos os camponeses deixam de ser simplesmente uma classe-apoio da burguesia, apresentando seu próprio projeto de revolução. A especificidade dos vários movimentos revolucionários é diluída e surge uma nova burguesia pretensamente herdeira dos precursores e agentes da revolução. Da queda de Porfírio Díaz á ascensão de Álvaro Obregón à Presidência da República, o México viveu momentos que marcaram a história das lutas políticas na América Latina. (VILLA, 1993).


A Revolução Mexicana (1910-1940) Cap. 3: A época dos Caudilhos


Marco Antonio Villa

No período de 1920-28 o governo central mexicano oscila entre apoio aos caudilhos e as medidas de centralização administrativa. Em busca da estabilidade econômica e política, o governo inicia um programa de desmobilização do exército, ficando assim dependente do apoio dos caudilhos regionais, a maioria formada por generais, e dos comandantes das regiões militares para se manter no poder. Obregón sofre as pressões diplomáticas dos Estados Unidos, que só reconhece o governo em 31 de agosto de 1923. Calles, durante o seu governo, resolveu enfrentar a Igreja Católica, única instituição do antigo regime que se mantinha intacta. Na época dos caudilhos é dada atenção a educação da população que até antes dos anos 20, estava reservada à burguesia e à classe média. No campo quase que inexistiam escolas e o analfabetismo atingia 80% da população. Em 1 de setembro de 1928, a afirmação era de que havia terminado a época dos caudilhos, e que o momento impunha a necessidade de institucionalizar a revolução. (VILLA, 1993)

Considerações sobre o conceito de populismo econômico


Felipe Pereira Loureiro

Loureiro (2008) faz uma análise da situação econômica do Brasil no governo de Getúlio Vargas (1951-1954) e da Argentina, no governo de Juan Domingos Perón (1946-1955), tentando encontrar um denominador comum desses países, abordando o populismo econômico empreendido no ambiente ditatorial. O termo “Populismo econômico” utilizado no texto de Loureiro segue o padrão de política econômica apontado em Dornbusch e Edwards (1992). Segundo a interpretação destes, o populismo apresenta um tipo de governabilidade autodestrutiva. Loureiro nos diz que governos que praticam déficits orçamentários recorrentes como conseqüência de aumentos salariais acima da produtividade do trabalho ou ainda que promovam apreciações cambiais com o intuito de aumentar os salários reais, estariam incorrendo em populismo econômico. Melhoram o bem estar dos trabalhadores no curto prazo com vistas ao ciclo político sem levar em consideração as conseqüências de longo prazo de tais políticas. A lógica populista produz distorções com efeitos benéficos no curto prazo à custa de grandes desajustamentos no longo prazo. O excesso de demanda provocado por políticas populistas não tem uma contrapartida em aumento da capacidade produtiva. O aumento artificial dos salários reais provoca fortes desequilíbrios internos e externos que prejudicam a situação dos trabalhadores em termos de ganhos reais e emprego. (LOUREIRO, 2008)


História da América Latina e do Caribe – Dos processos de independência aos dias atuais. Cap. 5: A grande polarização, 1960 a 1989


José Del Pozo

A partir de 1960, o mundo foi divido entre o modelo capitalista, dos Estados Unidos da América (USA), e o modelo socialista, da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Era a guerra fria que tinha iniciado, e com essa guerra muda-se o modelo de ocupação, não mais sendo uma ocupação geográfica, mas sim ideológica. O modelo da revolução cubana apresentava-se como opção atraente para quem não via no capitalismo via ocidental, ou norte-americano, um futuro no mundo latino. As antigas colônias no Caribe, nas Américas Central, do Norte e do Sul, obtiveram a independência e vive uma situação totalmente nova. Os Estados Unidos, por outro lado, continua a tentar influir na região não só com pressões políticas e militares, como também oferecendo aos seus aliados latino-americanos um plano de desenvolvimento econômico e social, com objetivo de fazer a subversão esquerdista. (POZO, 2009)

História da América Latina e do Caribe – Dos processos de independência aos dias atuais. Cap. 5.4: A vida política: uma era de grandes tensões


José Del Pozo

Se nos anos anteriores, os avanços em matéria de democracia política, na América Latina, tinham sido poucos, o período de 1960 a 1989 foi de claro retrocesso. A discussão sobre como forjar Estados nacionais modernos e autônomos, ganha uma maior centralidade com a entrada em cena no subcontinente americano do capitalismo industrial ou moderno. Continuou a haver uma repetição entre os que ocupavam as altas autoridades políticas, militares e religiosas. Enquanto isso, as grandes massas populares eram afastadas do poder, através de um sistema eleitoral restrito, excludente e fraudulento como forma de perpetuação do poder. Pozo nos diz que é preciso levar em conta as condições debilitantes politicamente vividas na América Latina. Se por um lado havia a “falta de vontade” política, por outro lado deve-se reconhecer o retrocesso do processo liberalista do século XIX diante das Oligarquias totalitárias do século XX. Segundo Pozo, fica evidente que as oligarquías latino americanas mantiveram uma cegueira suicida diante das pressões. Sendo parte da esfera de influencia norte americana, segue-se na América Latina um caminho à margem de sua cultura, movidos pelas teorías de modernização européia e norte-americana. (POZO, 2009)


Considerações finais


A América Latina teve um grave problema de identificação de identidade. Sempre houve uma oscilação quanto a que caminho político se deveria seguir. O trágico passado colonial, aliado às dificuldades internas dos países após a independência e aos interesses do capitalismo inter¬nacional, impunham ao continente centro e sul-americano um processo de desenvolvi¬mento marginal e dependente do capitalismo. As estruturas de poder na América Latina, sobretudo na América do Sul, permanece¬ram até meados do século XX vinculadas aos interesses de uma elite agrária (oligarquias). Com a consolidação da estrutura urbano-industrial, novos segmentos sociais se fortaleceram: a burguesia industrial, a clas¬se média e o operariado. As cidades torna¬ram-se mais importantes economicamente que o campo e passaram a ser habitadas por uma incrível massa humana (principalmen¬te em razão do êxodo rural) sem condições decentes de vida, vulnerável aos discursos, demagógicos e populistas. Em meio as turbulências e indecisões quanto aos rumos a seguir podemos citar a Revolução Mexicana, que marcou os processos políticos em toda América Latina e ainda continua sendo fonte de influência no México. No século XX a América Central tornou-se área de influência direta dos EUA. Esse quadro político de submissão aos interesses norte-americanos produziu, nesses países, situações políticas e econômicas internas bastante graves de opressão, subdesenvolvimento e mi¬séria. Esse panorama desfavorável era pro¬pício para o surgimento de movimentos com forte conteúdo nacionalista, que acabaram se manifestando em quase todos os países centro-americanos.

Referências:

BAGGIO, Kátia Gerab. Representações da nação mestiça no Caribe Hispânico Insular. Anais Eletrônicos do V Encontro Internacional da ANPHLAC. Belo Horizonte, 2000.

LOUREIRO, Felipe Pereira. Considerações sobre o populismo econômico: explicação ou distorção histórica? Anais Eletrônicos do VIII Encontro Internacional da ANPHLAC. Vitória, 2008.

POZO, José Del. História da América Latina e do Caribe: Dos processos de independência aos dias atuais. Tradução de Ricardo Rosenbusch. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, pags. 229-234; 261-265.

VILLA, Marco Antonio. A Revolução Mexicana (1910-1940). São Paulo: Editora Ática S.A., 1993. Pags. 11-27; 28-49.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

I Solilóquio de História Medieval - Goiânia – Goiás

A Revista Chrônidas, em parceria com os grupos goianos de estudos e pesquisas sobre Antiguidade e Medievo, promoveu nos dias 23 a 25 de novembro de 2011 os Solilóquios de História Antiga e História Medieval. Este evento ocorreu na Universidade Federal de Goiás, na Faculdade de História, no Campus Samambaia. (http://revistachronidas.blogspot.com)

Na ida passamos pelo centro da cidade, na praça cívica, onde se encontram o palácio Pedro Ludovico Teixeira, que é a sede administrativa. Foi feita uma homenagem ao fundador de Goiânia Pedro Ludovico Teixeira, que foi imortalizado em uma enorme estátua, na praça do palácio. Outro ponto cultural da Praça Cívica é o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), fundado na cidade de Goiás em 1932, com sede própria em Goiânia desde 1939.














A praça dos três poderes é redonda e com estes marcos históricos mencionados. A curiosidade é mesmo assim o meu colega, Eduardo, conseguiu se perder... Rsrsrsrs Ele foi buscar uns documentos sobre a pesquisa que ele desenvolve e combinamos de nos encontrar no local onde o deixamos, ou seja, de lado tinha o IHGG, do outro lado uma estátua de três metros do fundador Pedro Ludovico Teixeira, montado em seu cavalo e ao lado a entrada do centro administrativo. Mesmo assim, o senhor Eduardo conseguiu sair do outro lado da praça e não conseguia encontrar o local combinado... Rsrsrs Enquanto isso eu ficava no local esperando e o Cláudio no local onde conseguimos estacionar o carro. Oh dureza!





O I Solilóquio de História Medieval Fontes, Imaginários e Sociedades é uma realização da Revisa Chrônidas em parceria com os grupos PEM/UFG, Sapientia/UFG e GEPEM/PUC-GO. O principal objetivo dos idealizadores é promover um meio de interação para todos os pesquisadores, disponibilizando espaços para o debate e a troca de experiências acadêmicas, com ênfase na utilização das fontes e dos conceitos historiográficos.




            Na volta pra casa, por causa da duplicação da Rodovia, tivemos que enfrentar um longo congestionamento. Uma fila quilométrica de carros se forma no horário de pico, por volta das 18h00min. Mas nem tudo é estresse, tivemos a oportunidade de apreciar o lindo pôr-do-sol, que nos desejava uma boa viagem e nos dizia que a vida é bela e que o romantismo ainda existe.


Eu estive lá, Eu escrevi!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Batalha dos Três Reinos

"A Batalha dos Três Reinos" é um filme do excelente diretor John Woo. O cenário se passa no ano 208 D.C. Na China governada pela dinastia Han. Cao-Cao (Fengyi Zhang) se proclama primeiro-ministro do norte a serviço do imperador Han. Ele trava diversas batalhas e as vence se tornando tão poderoso que é temido até mesmo pelo Imperador.


Cao-Cao pretende controlar todo o território chinês e para isso ainda lhe falta derrubar dois reinos rebeldes do sul. Esses reinos são dominados por Sun Quan (Chen Chang) e Liu Bei (Yong You), reis de suas regiões, e ao que tudo indica, são também adversários.

As forças de combate de Cao-Cao somam mais de oitocentos mil homens. Sun Quan e Liu Bei se vêem obrigados a formarem uma aliança para tentarem derrotar os exércitos inimigos. Assim os povos do sul deixam de lado as suas rivalidades e são obrigados a criar diversas estratégias para superar a esmagadora vantagem numérica do inimigo. Eles se reúnem na cidade de Red Cliff e aguardam pela chegada do inimigo.

Esta é uma batalha disputada pelos Generais, primeiro-ministros, e por vice-reis. Pois para, assumirem a frente de batalha eram concedidos títulos a esses homens de armas. A estratégia e a contra-estratégia passam a ser o ponto alto desta guerra. Também há o uso de pressão psicológica e guerra biólogica, quando Cao-Cao, envia por barcos as centenas de seus homens mortos por febre Tifoíde.

Ao avançarmos no filme fica claro que o motivo de toda a guerra feita por Cao-Cao, era o amor de uma mulher, Xiao Qiao esposa de Zhou-yu, irmão de Sun Quan. Cao-Cao a viu apenas uma vez, ainda na adolescência, mas mesmo assim ainda nutre por ela uma paixão obcecada. Para um homem tão temido e com um ar de invulnerabilidade, Cao-Cao, surpreende com mostrando esse lado do seu romantismo. Ele acredita que todo seu empenho em conquistar o mundo chinês, resulte também na conquista do amor de Xiao Qiao, sua amada.

Esse filme nos faz refletir sobre a futilidade das guerras que são travadas no decorrer dos anos. Quantas pessoas já morreram, pelos caprichos de um ou alguns homens? Será que todos compreendem realmente os motivos de estarem nas linhas de combate, de estarem matando seres humanos? Os Generais de Cao-Cao esboçaram tamanha surpresa ao saberem que toda a motivação da guerra era pelo amor egoísta de um homem. E mais indignados ficaram ao perderem a guerra justamente por causa mesma mulher.

Embora seja um filme de guerra, ele apresenta a beleza dos costumes chineses expressos pela musica de boa qualidade e pelo excelente tratamento dispensado aos visitantes. A sabedoria chinesa também fica em destaque nas estratégias militares. Como todo filme que fala sobre a China a Luta recebe o destaque, e esta é sempre gloriosa, e inspiradora.

Xiao Qiao é uma linda mulher que tem um poder de sedução, demonstrados pela sua voz macia e suas habilidades em preparar chás. De modo abnegado, ela se dirige a linha inimiga com o objetivo de atrasar o ataque de Cao-Cao até na madrugada, quando, segundo as previsões, os ventos mudarão de direção, favorecendo os povos do sul para realizarem um ataque com fogo.

Kongming, estrategista militar de Liu Bem, mostra ser uma peça importante na luta de estratégias. Kongming nos ensina que em muito a sabedoria pode superar a força. A verdadeira força esta na mente.

Eu recomendo este filme. Com um aclamando diretor. Com um elenco de ótimos atores. Uma trilha sonora linda. Um romance inspirador e um final que todos gostamos de ver.

Eu assisti, Eu escrevi!

domingo, 4 de dezembro de 2011

A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO DA REVOLUÇÃO ACABADA – UMA IDEOLOGIA PARA A LEGITIMAÇÃO DO PODER

Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder. Ideologia! Eu quero uma pra viver. Ideologia! Pra viver... Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro. E os meus sonhos foram todos vendidos tão barato.


Ao cantar a ideologia, cazuza, entra em um assunto que tem sido muito discutido pelos filósofos e pensadores durante os séculos. Para alguns, como Karl Marx, a ideologia age mascarando a realidade. Portanto, a ideologia pode ser considerada um instrumento de dominação que age por meio de convencimento de forma prescritiva, alienando a consciência humana.

Edgar Salvadori De Decca, em “O Silêncio dos Vencidos”, que faz uma análise da revolução de trinta, como construção, cita Marilena Chauí, quando esta argumenta que através da ideologia é montado todo um imaginário e toda uma lógica de identificação social com o objetivo de escamotear o conflito, escamotear a dominação, escamotear a presença do ponto de vista particular, enquanto particular, fazendo com que este tenha a aparência de ponto de vista universal. De Decca, segue a mesma linha de raciocínio que Alcir Lenharo, em “Sacralização da Política”, onde ao analisar a Revolução de trinta, ele também cita Marilena Chauí para mostrar como se construiu um imaginário em torno de uma revolução acabada, com o objetivo de legitimação do poder.

Lenharo nos fala sobre um conjunto maquínico do faz-se/refaz-se para dar acomodação aos subconjuntos e assim determinar essa ou aquela formula de poder como sendo a ideal. A propaganda governamental foi eficiente em impor, de modo persuasivo, a supressão do exercício das liberdades civis, subsumidas como componente inerente ao progressismo. Desta forma, a população foi levada a crer que aceitar a supressão dos direitos civis era o “mal menor”, ao qual se teria que se submeter diante do dever democrático, nos diz Lenharo.

O Estado no seu compromisso de produzir uma memória histórica, como momento decisivo do seu exercício de dominação, passa a participar do campo imaginário de trinta criando um discurso da revolução que já terminou, conseguindo com isso desautorizar os agentes sociais, que poderiam se opor ao regime ditatorial na busca dos direitos políticos da cidadania, argumenta De Decca.

A Revolução de trinta, como “fato histórico”, esta cheia de contradições, sendo na verdade, uma construção simbólica de uma luta que ocultou em seu desenrolar o próprio conflito de classes. De Decca, argumenta que a criação da idéia de uma revolução ocorrida em 1930, foi uma estratégia de produção do silêncio dos vencidos e uma ação legitimista da dominação ditatorial. Se houve uma revolução em trinta, diz De Decca, esta ocorreu nos moldes da explicação de Luis Werneck Vianna, que acompanha as indicações de Florestan Fernandes, concluindo que a “Revolução de trinta” seria uma revolução “pelo alto”, de tipo Prussiano, como as citadas por Lenin. Ou seja, uma revolução continuista, que conserva, ou reativa os componentes do governo ditatorial. Uma revolução que abre caminho para o novo, sem basicamente alterar o antigo.

Alcir Lenharo vai ao ponto de nos dizer que a construção de uma revolução acabada, de 1930, deu a certeza ao estado de que a sociedade estava contida nas suas diferenças e neutralizada nos seus focos de conflito. Criou-se um clima artificial de certeza de uma fraternidade nacional estável e duradoura, não sobrando espaço para boatos e contra-informações que perturbassem a tranqüilidade “dos que trabalham e querem progredir”, segundo o pensamento construido pela idéia da Revolução de trinta.

De Decca, nos mostra que a propaganda estatal, vinculou a noção de atraso e dependência da formação social brasileira, à classe trabalhadora, desqualificando a efetivação histórica dos conflitos que existiram. Se a classe trabalhadora é inoperante e insuficiente historicamente, o Estado se apresenta como o único sujeito histórico adequado ao país para aquele momento e, ao mesmo tempo, o corretor da sua linha de progresso e evolução histórica, nos mostra Alcir Lenharo.

A Revolução acabada toma de empréstimo a sua origem mítica de fundação. É uma construção de um imaginário, onde tem como objetivo dar legitimidade ao poder ditatorial. Felizmente, a nova maneira de análise, deixa de olhar o proletariado como incapaz e tem dado voz aos operários, estudantes, donas-de-casa, professores e muitos outros, que tem invadido a cena do social e nos oferecido uma dimensão da participação popular na história.

Referências:

DE DECCA, Edgar Salvadori. 1930 – O Silêncio dos Vencidos – Memória, História e Revolução. São Paulo, Brasiliense, 1994.

LENHARO, Alcir. Sacralização da Política. São Paulo, Papirus, 1986.

sábado, 26 de novembro de 2011

“O Queijo e os Vermes”, as evidências da circularidade nas “classes Subalternas”

Resenha de “O Queijo e os vermes” de Carlo Ginzburg

“O queijo e os vermes” foi publicado por Carlo Ginzburg em 1976, a partir de documentos do Santo Ofício, em que o autor conta a história de Domenico Scandella, conhecido por Menocchio, um moleiro que viveu em Montereale na região da cidade do Friuli e que foi julgado duas vezes pela inquisição e terminou condenado e queimado na fogueira. O interesse por Menocchio se deu ao acaso. Enquanto Ginzburg pesquisava sobre bruxaria e a Inquisição encontrou um processo de sentença extremamente longo. Uma das acusações que chamou atenção de Ginzburg foi a de que o réu sustentava que o mundo tinha sua origem na putrefação.

[...] "Eu disse que segundo meu pensamento e crença tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo como o queijo é feito do leite, e do qual surgem os vermes, e esses foram os anjos.” (Ginzburg, 2006 p.36)

Ginzburg surpreende em sua obra ao mostrar uma tenaz perspicácia em buscar pistas e dicas que revelem a historicidade do seu objeto de estudo. Ao fazer uso de expressões marxistas como “classe subalterna[1]” e aceitar questões e abordagens do chamado “paradigma pós-moderno” o autor mostra que, ele, não se permite fazer um fácil enquadramento teórico metodológico.  “O queijo e os vermes” contém elementos como a noção de mentalidades, de discurso e da retórica. Embora Ginzburg não se prenda a uma ortodoxia de paradigmas, em sua obra ele procurou resistir aos ataques e moldes do pós-estruturalismo.

A obra de Ginzburg possui uma complexidade perceptível, especialmente no que diz respeito a encontrar vestígios de uma cultura baseada apenas na oralidade e na continuação da transmissão de valores e conceitos apenas por meio das gerações, onde não havia registro das ações das “classes subalternas”, conforme nos mostra Ginzburg, e quando haviam estes registros escritos, normalmente eram feitos pela elite letrada, que podia distorcer os sentidos originais dos depoimentos adaptando-os à sua própria visão de mundo. A afirmativa do autor lança luz nesta perspectiva distorcida:

[...] "As raízes de suas afirmações e desejos estão fincadas muito longe num estrato obscuro, quase indecifrável, de remotas tradições camponesas.” (Ginzburg, 2006 p.23)

“[...] Respeitar o resíduo de indecifrabilidade que há nela e que resiste a qualquer analise não significa ceder ao fascínio idiota do exótico e do incompreensível significa apenas levar em consideração uma mutilação histórica da qual, em certo sentido, nós mesmos somos vítimas.” (Ginzburg, 2006 p.26)

A especialidade de Ginzburg é a Europa pré-industrial, onde ele pesquisa sobre feitiçaria e bruxaria em meio à cultura popular, as “classes subalternas”, da Europa Ocidental.

A obra de Carlo Ginzburg possui prefácio para a edição inglesa e para a edição italiana, nestes prefácios é possível vermos diferenças nítidas. No prefácio para a versão inglesa o autor, em poucas linhas e palavras fáceis, se preocupa basicamente em apresentar a obra, o lugar do seu nascimento, como se deu a sua pesquisa e os personagens da trama. O autor destaca ainda um único conceito, o da circularidade, e para isso recorre a Mikhail Bakhtin, não se preocupando, porém em refutar outras teorias existentes sobre o assunto. No prefácio da versão italiana, Ginzburg, se preocupou em debater as teorias conflitantes, refutou as outras perspectivas, analisou obras anteriores e apresentou os desafios de se fazer uma pesquisa histórica e produção historiográfica. E também se preocupou em mostrar como se pode superar a idéia de que as “classes subalternas” apenas fazem um acumulo de fragmentos de idéias, crenças, visões de mundo que são elaboradas pelas classes dominantes. Ginzburg promove no prefácio da versão italiana uma discussão sobre a relação entre cultura das “classes subalternas” e das “classes dominantes” (p.12).

A obra de Ginzburg discorre sobre a vida de um moleiro[2] de nome Domenico Scandella, conhecido por Menocchio. O período em que se passa à narrativa é o século XVI onde a igreja Católica perdia o monopólio da salvação das almas para as igrejas que vinham do movimento de reforma, tais como a Luterana, a Anglicana e a Calvinista. Frente a tais acontecimentos a Igreja Católica passou a intensificar a repressão aos que aderiam a Reforma, utilizando especialmente a inquisição como meio repressor das idéias divergentes. Também a classe letrada, composta na sua maioria por clérigos, perde o monopólio do saber para a imprensa, após a invenção da prensa por Gutenberg[3].

Ginzburg cita que este moleiro de origem simples tinha uma considerável vantagem sobre os demais camponeses, pois este sabia ler, escrever e contar. Isto para o Século XVI era uma raridade entre os camponeses e até mesmo entre os senhores. Esta habilidade proporcionou ao moleiro o acesso a várias obras literárias e religiosas da época, tais como: O Decameron, A Divina Comédia, As Viagens de Mandeville e até o próprio Alcorão.

A leitura que Menocchio fazia desta vasta literatura era submetida a um filtro gerenciado por uma espécie de “chave de leitura” que era capaz de produzir na mente do moleiro uma nova concepção sobre a origem da vida e sobre as orientações religiosas que deveria seguir ou abandonar. Este fato revela que havia um contato com a cultura dominante, mas esta estava em interação com a cultura das “classes subalternas”.

“[...] Confrontando, uma por uma, as passagens dos livros por ele citados com as conclusões às quais chegava [...] nos vemos às voltas, invariavelmente, com lacunas e deformações, às vezes profundas. [...] mais do que o texto, portanto, parece-nos importante a chave de sua leitura, a rede que Menocchio de maneira inconsciente interpunha entre ele e a página impressa – um filtro que fazia enfatizar certas passagens enquanto ocultava outra, que exagerava o significado de uma palavra, isolando-a do contexto, que agia sobre a memória de Menocchio deformando sua leitura. Essa rede, essa chave de leitura, remete continuamente a uma cultura diversa da registrada na pagina impressa: uma cultura oral”. (Ginzburg, 2006 p.72)

No contexto histórico do século XVI, como era possível que um camponês pobre tivesse acesso a esta literatura, que por vezes era alvo da repressão da igreja Católica? Ginzburg nos diz que provavelmente existia na Itália, de então, uma considerável rede de leitores, que incluíam nobres, clérigos e alguns populares. O autor chega a essa conclusão diante de algumas afirmações de Menocchio nas quais ele cita que conseguia os livros através de contatos, e que alguns destes incluíam membros da própria igreja Católica.

Referente à eclesiologia de Scandella, Ginzburg cita que esta é uma junção de princípios luteranos, anabatistas e da própria mitologia camponesa. Por exemplo, quando ele afirma que o mundo teve origem na putrefação e faz uma associação do mundo a um queijo, que após qualhar dá origem a vermes, Menocchio faz alusão a uma crença comum da época, de que os seres vivos têm sua origem na natureza inanimada. Portanto, vemos que esta característica do pensamento do moleiro é fruto do cotidiano, dos hábitos e práticas, fazendo uma tentativa de racionalizar o mundo, no que diz respeito a sua origem.

Vale dizer que Carlo Ginzburg procura nesta obra não limitar o texto ao personagem. O autor monta um cenário contextual que se torna “palpável” ao leitor. O cenário em que ocorre a trama é de crise e efervescência. A sociedade tentava por um lado manter as características feudais e por outro lado procurava buscar os avanços proporcionados pelas cidades e pelo comércio. Ginzburg dá destaque a essa efervescência de idéias, a Reforma, o Renascimento, os árabes, etc. O autor com sua obra desconstrói os mitos antigos que a historiografia tradicional havia criado, no caso, o de que havia uma homogeneidade e cumplicidade entre os membros da classe dominante. Também não havia homogeneidade entre as “classes subalternas”, conforme nos diz Ginzburg.

O autor aprofunda-se nas pesquisas dos costumes populares e identifica que devido à cultura extremamente religiosas muitas funções, profissões, ou mesmo hábitos, tornava uma pessoa indesejada. O moleiro era uma destas pessoas, conforme o poema de André de Bergamo, muito popular na época, que diz que “um verdadeiro moleiro é meio luterano” (p.181), ou ainda em um canto popular da Toscana:

Fui até o inferno e vi o Anticristo [...]
Pela barba um moleiro segurava
E tinha um alemão por sob os pés
E um taverneiro e um magarefe presos:
Lhe perguntei qual era o mais malvado
E ele me disse: ‘Atenta que eu te mostro.
Vê bem quem é que com as mãos rapina:
O moleiro que mói a alva farinha.
Vê bem quem é que com as mãos agarra:
O moleiro que mói a farinha alva.
Da quarta parte salta o alqueire inteiro:
O mais ladrão de todos é o moleiro.
(Ginzburg, 2006 p.181)

Ginzburg cita que provavelmente este imaginário pesou para as denúncias e a subseqüente condenação de Menocchio.

Eu considero a obra “O queijo e os vermes” muito boa para a utilização nas faculdades, entre os graduandos de história. Carlo Ginzburg é um pesquisador de arquivos e mostra-se um verdadeiro historiador no pleno sentido da palavra. Sua obra nos motiva a estarmos alertas ao acaso que pode nos apontar uma intrigante história capaz de revelar o momento historiográfico.

Carlo Ginzburg é professor, escritor, historiador e arqueólogo. Nasceu na Itália em 1939, filho do professor e tradutor Leone Ginzburg e da romancista Natalia Ginzburg, estudou na Scuola Normale Superiore de Pisa, e em seguida no instituto Warbug em Londres; ensinou história moderna na universidade Bolonha e, em seguida na universidade Harvard, Yale e Princeton e na universidade da Califórnia, Los Angeles, onde ocupou por duas décadas, até 1988, a cadeira de história do renascimento italiano. Desde 2006, ele ocupa a cadeira de história cultural européia na Scuola Normale Superiore de Pisa. Ganhador de vários prêmios literários, conhecido como um dos pioneiros da micro-história.

Principais obras: “O queijo e os vermes”, “O fio e os rastros”, “Os andarilhos do bem”, “Nenhuma ilha é uma ilha”, “Histórias noturnas” e “Mitos, Emblemas e sinais”.

Referências:

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
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[1] Ginzburg argumenta: “uso a expressão [...] ‘classes subalternas’ por ser suficientemente ampla e despida das conotações paternalistas de que está imbuída ‘classes inferiores’.” (p. 199)

[2] Moleiro (do latim molinarìus) é uma antiga profissão ligada à moedura de cereais, especialmente à do trigo para a fabricação de farinha. O termo moleiro denominava tanto trabalhadores braçais de um moinho, como o proprietário de uma moenda.

[3] Gutenberg foi o primeiro europeu a usar a impressão por tipos móveis, por volta de 1439, e foi o inventor global da prensa móvel. Sua invenção verdadeiramente memorável foi a combinação desses elementos em um sistema prático que permitiu a produção em massa de livros impressos e que era economicamente rentável para gráficas e leitores. O uso de tipos móveis foi um marcante aperfeiçoamento nos manuscritos, que era o método então existente de produção de livros na Europa, e na impressão em blocos de madeira, revolucionando o modo de fazer livros na Europa. A tecnologia de impressão de Gutenberg espalhou-se rapidamente por toda a Europa e mais tarde pelo mundo.





























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