NIETZSCHE E O NIILISMO – AS TRANSFORMAÇÕES DA CULTURA OCIDENTAL


Para Nietzsche o niilismo surge como uma consequência da morte de Deus. O reino de Deus, a “outra vida”, era o Sentido, a bússola ou o centro de referência da vida humana. Deus era o fundamento dos valores essenciais que orientavam a vida humana. Morta a fé em Deus, os valores tradicionais perdem qualquer valor, a Terra deixa de estar ligada ao céu e a luz divina já não se projeta sobre a vida humana.
Uma vez perdido o seu Centro de referência ou o seu Sentido, a vida e o mundo parecem não ter sentido nenhum. A sensação de que já nada faz sentido, de que falta uma finalidade, de que tudo fica à deriva, corresponde à experiência do niilismo. Extinguindo-se a Luz e o Sentido, todos os valores tradicionais perderam a validade, a vida humana fica à deriva sem qualquer bússola que a oriente, sem qualquer Luz que a ilumine.
O niilismo significa, portanto, a desvalorização de todos os valores “superiores”, de todas as respostas que a metafísica ocidental deu ao problema do sentido do mundo. A expressão “a morte de Deus” resume esse acontecimento que é a perda dos valores fundamentais que até agora a cultura ocidental tinha promovido, dado que Deus era o fundamento último desse sistema de valores ou dessa interpretação dualista do mundo.
Contudo, o niilismo não é simplesmente algo que decorre da morte de Deus, porque ele significa não só a desvalorização dos valores da cultura européia como também a lógica interna do desenvolvimento dessa cultura. Com efeito, todos os valores criados pela cultura ocidental são falsos valores, é a negação da própria vida, é o resultado de uma vontade de nada. Assim, o niilismo pode ser visto como consequência da interpretação que ao longo dos séculos se deu do mundo e da vida. Os valores da cultura ocidental são niilistas e embora se tenha encoberto esse niilismo através de ideias como verdadeira vida, reino de Deus, etc., ele acaba por revelar-se completamente ao declarar-se incrível o Ser no qual todos os valores negativos e prejudiciais se fundamentavam.
Colocou-se o sentido desta vida numa outra, afirmou-se que a finalidade da existência terrena era o “reino dos céus”. Por isso, a “morte de Deus” revela não só que os valores tradicionais nada valiam, que eram prejudiciais, como também que a vida e o mundo humanos não têm um sentido em si mesmos. É preciso dar-lhe um novo sentido para ultrapassar o niilismo, que é uma consequência da visão doentia, racionalista, que se teve da vida humana.

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