A Educação Cientifica e a Formação para a Cidadania

A Educação a partir do século XX tem como objetivo a formação do cidadão. Espera-se que este cidadão esteja preparado para enfrentar os desafios do mundo moderno. Com os avanços científicos e tecnológicos alcançados, na atualidade, a educação cientifica se converteu numa exigência urgente, num fator do desenvolvimento das pessoas e dos povos. Uma alfabetização cientifica “surge dos anseios da sociedade por uma participação mais eficiente e atuante nos debates de ordem sócio científico e tecnológico do espaço em que convivem e se relacionam” (LUZ: 2013 p. 1).
          A educação cientifica tem sido ressaltada e pensada nos encontros de educadores, nos trabalhos de investigação, em publicações e congressos. A investigação em didática das ciências destaca que ocorre reiteradamente um elevado insucesso escolar, caracterizado pela falta de interesse e em alguns casos até mesmo de repulsa, que as matérias científicas têm gerado. Alfabetização cientifica é segundo Bybee, citado por CACHAPUZ et al (2005), “a expressão de um amplo movimento educativo que se reconhece e mobiliza atrás do símbolo da ‘alfabetização cientifica’”, justamente por este motivo, o movimento da educação cientifica pode gerar “o perigo de uma ambigüidade que permite a cada pessoa atribuir-lhes significados distintos”, dificultando que haja “um consenso sobre como e onde direcionar a sua aplicação (CACHAPUZ et al, 2005:19).
          Os educadores apontam a necessidade de uma formação cientifica que permita aos cidadãos participarem na tomada de decisões, em assuntos que se relacionam com a ciência e tecnologia. Este argumento, o acesso a democracia, é o mais amplamente utilizado por quem reclama a alfabetização científica e quer vê-la implantada como um componente básico da educação para a cidadania.
          A educação cientifica tem sido apontada como grande contribuinte para a formação de um cidadão ativo, porém, Cachapuz et al (2005) menciona que “uma tese” que tem sido confirmada por professores e planejadores dos currículos “é que a educação cientifica tem estado orientada para preparar os estudantes como se todos pretendessem chegar a ser especialistas em biologia, Física ou Química” (CACHAPUZ et al: 2005, pag. 29). Essa orientação tem gerado um mal estar entre os alunos, que na sua maioria, não decidiram que caminho educacional pretende seguir. Tal orientação, contida nos currículos, deve ser modificada, pois a educação cientifica se apresenta como parte de uma educação geral para todos os futuros cidadãos.
Enseñar, infelizmente, aún es, en muchos de los casos, simplemente adiestrar a los alumnos para que se tornen hábiles reproductores de los saberes ya reconocidos y tenidos como verdades irrefutables. Los manuales de enseñanza, en su mayoría, organizan anacrónicamente los contenidos, contribuyendo a construir en los estudiantes visiones deformadas del hacer científico y de sus relaciones con La tecnología. (GOMES: 2011, p. 74)
          A melhoria da educação cientifica tem como requisito fundamental, modificar a imagem da natureza da ciência que transmitimos. Para tanto é necessário modificar a epistemologia dos professores. Uma investigação sobre como se podem transmitir os conhecimentos científicos de uma maneira que gere um cidadão mais consciente de si e do seu papel junto à sociedade, pode contribuir para que haja uma superação das visões deformadas da ciência e da tecnologia, ajudando na renovação da educação cientifica.

Referências:
CACHAPUZ, Antonio. et al. A renovação necessária do ensino das ciências. São Paulo: Cortez, 2005.
CACHAPUZ, Antonio. et al. A renovação necessária do ensino das ciências. São Paulo: Cortez, 2005. Resenha de GOMES, José Leandro de Albuquerque Macedo Costa. Revista de Filosofía y Ciencias, Prometeica. Año II, n. 5, sptiembre-deciembre, 2011.
LUZ, Cláudia Sampaio Guimarães; PIRES, Luciene Lima de Assis. Algumas implicações da educação ambiental com a ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (CTSA). I Seminário de Pós-graduação em educação para Ciências e Matemática, Jataí – GO, 2013. www.jatai.ifg.edu.br/semlic/seer/index.php/anais/article/.../294/104 acesso em: 28 ago. 2014.

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